Posição de dirigir e ergonomia no Fiat Bravo
O volante fica desalinhado: a borda direita está mais distante do que a esquerda, e a base do banco é plana demais. A sensação é de ficar “empoleirado”, com apenas cerca de 2% do contorno do bumbum apoiado no assento, enquanto as coxas ficam no ar, sem sustentação. O volante tem bom acabamento e é bonito, mas foi o único ponto da posição de dirigir com o qual eu realmente me identifiquei.
Motor diesel e câmbio
Nesta volta curta, em asfalto relativamente liso nas proximidades de Bolocco, guiámos a versão diesel de 150bhp. Como acontece com a maioria dos diesel desta categoria, incluindo o Golf, é um conjunto relativamente ruidoso, com uma barulheira áspera típica de diesel a invadir o habitáculo.
Ainda assim, ele anda bem: o motor common-rail MJET entrega força desde baixos giros e oferece bastante binário. O comando do câmbio é aceitável, com engates longos, porém firmes e precisos. No diesel 16 válvulas, a caixa tem seis marchas; já no diesel 120bhp 8v, ficam apenas cinco.
Versões a gasolina e rigidez do chassis
Estou ansioso para conduzir as versões a gasolina, sobretudo o FIRE turbo de 1,4 litro e 150bhp. Por ser leve e eficiente, esse motor deve combinar com o Bravo - principalmente por causa do chassis responsivo: a rigidez torcional aumentou 50% em relação ao Stilo que sai de cena, e dá para perceber isso logo ao arrancar.
Conforto, dinâmica e direção elétrica
O conforto de rodagem é bom, e parece que a Fiat investiu bastante tempo e dinheiro no acerto dos amortecedores. Vamos deixar o veredito definitivo sobre a dinâmica para quando o carro rodar muito em estradas britânicas, lado a lado com os rivais, mas a primeira impressão é de um compromisso de primeira linha entre conforto e comportamento. Aqui está a melhoria mais evidente em relação ao “modelo Fiat anterior do segmento C”.
A direção elétrica também não decepciona: é leve, transmite segurança e responde com rapidez. Assim como no Punto, há um modo “Cidade”, que a deixa ainda mais leve para facilitar manobras a baixa velocidade. A visibilidade para fora não é das melhores, por causa das colunas A e C muito grossas, mas essa concessão foi feita em nome do estilo - e provavelmente foi uma decisão acertada. O espaço interno parece apenas suficiente.
Desenvolvimento rápido e expectativas de mercado
O novo Bravo levou apenas 18 meses para ser desenvolvido do zero, o que deve ser algum tipo de recorde para um automóvel tão importante no mercado generalista. Dá para questionar se esse prazo não é curto demais, mas eu vejo como um bom sinal: designers e engenheiros provavelmente trabalharam com máxima eficiência, com pouca interferência da gestão intermédia e menos influência de marketing obcecado por grupos de foco.
O uso de ferramentas avançadas de desenho assistido por computador fez com que grande parte dos testes dinâmicos acontecesse de forma virtual, e os protótipos só fossem construídos no fim do programa.
No conjunto, é bem provável que a Fiat tenha acertado o pacote quase na medida certa, e também é provável que este carro ajude a acelerar o excelente desempenho da empresa na Europa. Existem pontos fracos, mas, no essencial, se você gostar do visual, não vai se frustrar com a experiência ao volante.
Se a Fiat conseguir afastar a imagem de marca “barata” no Reino Unido, montar o carro com qualidade e colocá-lo a um preço competitivo - ou seja, deixá-lo claramente barato de comprar - o novo Stilo vai ser um enorme sucesso. Desculpe, Bravo. Quis dizer Bravo.
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