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Primeiro teste com o Renault Mégane E-Tech Electric

Carro elétrico Renault Megane E-Tech branco estacionado em garagem moderna com carregador na parede.

A eletrificação está virando a chave da Renault, e o Mégane E-Tech Electric é o modelo que melhor deixa isso evidente. Em vez de ser só mais uma versão “verde”, ele marca uma mudança real de linguagem - no design, na tecnologia e na forma como a marca quer se posicionar.

Há cerca de sete meses, fui até Paris para conhecer o carro em primeira mão e ver ao vivo, pela primeira vez, as linhas desse novo 100% elétrico da fabricante francesa.

Agora, finalmente chegou o momento de dirigi-lo, com o sul da Espanha como cenário para este primeiro teste, que serviu para medir, na prática, o que este Mégane elétrico tem a oferecer.

Um hatchback… crossover?

A Renault o define como um hatchback, mas as proporções e os traços o empurram imediatamente para o território (cada vez mais concorrido) dos crossovers.

Em relação ao Renault Mégane atual (o com motor a combustão), ele é 6,2 cm mais alto, 14,9 cm mais curto e 3,4 cm mais estreito. Já o entre-eixos cresceu 3,0 cm, com as rodas bem próximas dos extremos da carroceria.

E isso também pesa no visual: este Renault Mégane E-Tech Electric aparece com uma postura musculosa, que garante boa presença na estrada.

Interior evoluiu bem

Se por fora ele certamente não passa despercebido, foi o desenho do interior que mais me agradou neste primeiro contato com o Mégane E-Tech Electric - na minha opinião, ele evoluiu no rumo certo em comparação com propostas anteriores da marca do losango.

E aqui, muito do mérito vai para a digitalização, mais especificamente para a dupla de telas montada à frente do motorista, que ajuda bastante a elevar a experiência ao volante deste elétrico.

Destaco em especial a central multimídia, em formato de tablet, que roda um sistema operacional Android com vários serviços nativos do Google. Vale destacar também a compatibilidade com dispositivos Apple, que podem ser conectados com ou sem cabo.

E o espaço?

No banco traseiro, o espaço para pernas e joelhos é satisfatório, mas é difícil colocar os pés sob os bancos dianteiros e o espaço para a cabeça não sobra - (muito) longe disso.

Quanto ao porta-malas, ele traz um número de referência no segmento: são 440 litros de capacidade, mais 22 litros sob o piso, que podem servir, por exemplo, para guardar os cabos de recarga.

Mas, apesar do bom volume, o piso é um pouco fundo, o que complica um pouco na hora de colocar e retirar objetos mais pesados.

E na estrada, convence?

Neste primeiro contato ao volante do Mégane E-Tech Electric, só tive a oportunidade de dirigir a versão mais potente - 220 cv e 300 Nm - e com a bateria de maior capacidade (60 kWh).

Capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 7,4s, este Mégane E-Tech Electric só perde nesse quesito para o Mégane R.S.. Mas mais importante é como isso aparece na prática: na estrada, este elétrico mostra bem mais “garra” do que eu esperava.

Com direção um pouco leve, porém bem direta, e com uma calibração de suspensão firme, este Mégane E-Tech Electric contorna curvas com muita facilidade, mantendo um comportamento previsível e controlando bem os movimentos da carroceria.

E mesmo quando aumentei o ritmo, não notei grandes perdas de tração no eixo dianteiro, que lida de forma eficaz com os cerca de 300 Nm entregues por este conjunto elétrico.

A experiência ao volante é, eu diria, surpreendentemente envolvente, com este Mégane E-Tech Electric correspondendo bem ao que Luca de Meo, o “chefão” da Renault, havia prometido. Vale lembrar que o italiano disse que este modelo seria uma espécie de GTI dos elétricos.

Nota positiva para o isolamento

Os técnicos da marca francesa garantem que investiram bastante tempo em soluções para reforçar o silêncio a bordo e reduzir os ruídos gerados pela rodagem.

É um cuidado que dá para perceber ao dirigir, mesmo com a unidade testada usando pneus de perfil baixo e rodas de 20”, que, como quase sempre acontece, acabam penalizando um pouco mais o conforto.

E aqui, vale voltar a falar da suspensão, que é bem mais firme do que eu antecipava, fazendo com que este Mégane E-Tech Electric possa ser levemente menos confortável do que muita gente espera de um modelo da marca de Boulogne-Billancourt. Acredito que as rodas menores de 18” possam amenizar isso.

Bons consumos e boa autonomia

A Renault havia prometido boa eficiência energética e, na prática, os consumos que registamos neste primeiro teste ficaram alinhados com o que a marca francesa declara.

Na primeira fase deste contato, em ambiente urbano e com condução mais contida, a média ficou em torno de 12,5 kWh/100 km. Depois veio um trecho de autoestrada, onde os consumos subiram para perto de 20 kWh/100 km.

Mas o que mais me surpreendeu foi não termos passado da marca dos 17 kWh/100 km quando fomos “apalpar” as capacidades dinâmicas deste modelo, que nesta configuração de motor e bateria pode chegar aos 470 km (ciclo WLTP) de autonomia máxima.

E os carregamentos?

O EV60 permite até 130 kW em corrente contínua (DC) e pode carregar em corrente alternada (AC) a uma potência de até 22 kW. Os tempos de carregamento podem demorar:

  • 31 horas a 2,3 kW numa tomada doméstica;
  • 19 horas a 3,7 kW numa wallbox);
  • 5h15min a 11 kW;
  • 2h30min a 22 kW;
  • 33min a 130 kW (corrente contínua) para uma carga de 10% a 80%.

Já a versão EV40 só suporta carregamentos em corrente contínua (DC) de até 85 kW. Em comum, estas duas baterias têm o facto de ambas contarem com uma garantia de fábrica de oito anos (para 70% do seu conteúdo energético).

Quando chega e quanto custa?

O novo Renault Mégane E-Tech Electric já pode ser encomendado, mas as primeiras unidades só vão chegar ao mercado português no próximo mês de setembro.

Os preços começam nos 35 200 euros para a versão com uma potência equivalente a 130 cv e com bateria de 40 kWh e nos 43 200 euros para a variante mais potente e com bateria de maior capacidade.

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