A Toyota já tinha sinalizado que pretende acelerar a digitalização e a eletrificação, com um investimento superior a 13 mil milhões de euros. Ainda assim, isso não significa “aposentar” o motor a combustão: as unidades híbridas (como a da imagem em destaque) vão continuar a ser peça-chave no portfólio e, principalmente, nos resultados da marca japonesa, que anunciou vendas e lucros recorde no exercício de 2023 - lembrando que o ano fiscal no Japão termina em março.
Em conversa com a Automotive News, Hiroki Nakajima, diretor de tecnologia da Toyota Motor Corporation, voltou a sublinhar essa relevância e aproveitou para abrir um pouco mais o jogo sobre os motores de nova geração em desenvolvimento.
As promessas são de peso. Nakajima fala numa tecnologia realmente diferente, capaz de “mudar as regras do jogo”. Um «super motor» não pela potência, mas pela eficiência.
Hidrogénio ensina novos truques à Toyota
Nas declarações à Automotive News, Hiroki Nakajima avançou alguns pormenores sobre estes propulsores. Pela primeira vez, citou também as cilindradas: 1.5 e 2.0 litros.
Dois tamanhos bastante comuns que, segundo o executivo, poderão trazer “soluções potencialmente revolucionária”, “totalmente diferente dos motores de combustão atuais”.
E de onde virá essa revolução? Dos aprendizados do Toyota Mirai. Ao estudar o comportamento térmico do hidrogénio na célula de combustível, os engenheiros da Toyota conseguiram levar parte desse conhecimento para o «velho» motor a combustão.
O que vai mudar?
Vale lembrar que, hoje, os motores híbridos da Toyota anunciam uma eficiência energética na casa dos 40%. Portanto, quando a marca fala em “mudança das regras do jogo”, é razoável imaginar mais um salto no campo da eficiência, graças a processos de combustão mais eficazes.
Os detalhes ainda são limitados, mas apontam uma direção. Nakajima referiu que os novos motores terão um curso de pistão significativamente mais curto, algo que favorece o aumento de potência em rotações mais altas, mas tende a penalizar a entrega de binário em baixa rotação. Para compensar essa perda de força nos regimes iniciais, Nakajima reforça a importância da associação de sistemas híbridos.
O maior avanço da Toyota deverá, assim, estar sobretudo nestes pontos: gestão do ponto de ignição do motor e o melhor casamento entre a unidade térmica e o motor elétrico. Nakajima diz que esta nova família de motores dará “muita liberdade para brincar”, sugerindo que ainda há várias soluções de engenharia que a empresa não revelou.
Quanto ao calendário, estes novos motores a combustão da Toyota ainda vão levar algum tempo. O responsável japonês aponta 2027 como a data mais próxima para o lançamento desta nova geração de motores nos modelos da marca.
Fonte: Automotive News
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