A BMW anunciou há pouco o encerramento da era dos motores V12 na sua linha, marcando a despedida com uma edição especial do M760Li. A deixa foi perfeita para relembrar um dos protótipos mais inusitados que a marca de Munique já montou: o BMW Z3 V12 Prototype.
Em 1999, a divisão M resolveu levar o roadster Z3 além do que se imaginava na época, instalando sob o capô um imponente V12.
Projetado para ser leve e esperto em curvas, o Z3 acabou indo na direção oposta nessa experiência. Ainda assim, vale lembrar que o roadster foi pensado para receber motores de seis cilindros em linha e chegou, inclusive, a ter uma versão M.
BMW Z3 V12 Prototype: um Z3 levado ao extremo
Na configuração M, o BMW Z3 usava um seis cilindros em linha aspirado de 3.2 l, o S50, com 321 cv às 7400 rpm e 350 Nm às 3250 rpm.
Depois, ele ganhou uma evolução desse conjunto, o S54 - o mesmo do BMW M3 E46 -, também com 3,2 l, mas com a potência subindo para 325 cv às 7400 rpm. O torque permanecia em 350 Nm, porém agora entregue às 4900 rpm.
Só que, como a BMW M trataria de provar, esses números estavam longe de esgotar o que o roadster aguentava. A evidência mais marcante veio em 1999, quando Gerhard Schmidt, então chefe de desenvolvimento de motores da BMW, teria ajudado a empurrar adiante a ideia de colocar um V12 debaixo do capô do Z3.
O V12 5,4 l e a transmissão manual de seis marchas
O motor escolhido foi o V12 aspirado de 5,4 l usado na época pelos BMW Série 7 e Série 8. No Z3, ele entregava 326 cv às 5000 rpm e 490 Nm às 3900 rpm - potência praticamente igual à do seis cilindros, mas disponível 2400 rpm mais cedo, e com muito mais torque.
Toda essa força era enviada apenas às rodas traseiras por meio de um câmbio manual de seis marchas.
Para encaixar esse conjunto nobre, porém «monstruoso», a engenharia da BMW precisou «abrir espaço» no cofre do motor do Z3. E, para lidar com a massa extra, foi necessário adicionar novos reforços no chassi e revisar por completo o sistema de suspensão.
Peso afetou a dinâmica?
Os alemães da Autozeitung parecem ter sido os únicos - ao menos, dentro do que ficou registrado… - a dirigir esse Z3 pintado na cor “Kyalami Orange”, e os resultados não chocaram ninguém.
O protótipo se destacava por uma traseira nervosa demais e por uma dianteira com forte tendência a sair de frente - reflexo do torque mais «cheio» do V12 e de uma distribuição de peso pior.
Dizem que o equilíbrio, que ficava em torno de um quase ideal 50/50 (típico da BMW), passou para algo bem mais desbalanceado, 70/30.
E nem as mudanças na suspensão - com pneus 225/45 R17 na dianteira e 245/50 R17 na traseira, os mesmos do Z3 M - teriam resolvido a tração: o carro tinha muita dificuldade para colocar todo o torque no asfalto.
A prova final aparece no cronômetro: o Z3 de 12 cilindros levava um pouco mais de tempo na aceleração de 0 aos 100 km/h do que o Z3 M (5,5s vs 5,4s). Já a velocidade máxima era de 263 km/h, enquanto o Z3 M era limitado eletronicamente a 250 km/h.
Impossível de repetir
Depois desse teste, o Z3 V12 Prototype seguiu sua «vida» guardado na garagem da M Division e acabou esquecido por vários anos, até que, em 2012, a própria BMW trouxe a história de volta - por meio de uma publicação no Facebook - lembrando que essa experiência realmente aconteceu.
E, sendo bem honestos, mesmo com defeitos evidentes, é difícil não aplaudir projetos assim, que hoje parecem ser impossíveis de imaginar.
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