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Le Train desafia a SNCF: do TER à alta velocidade, um plano ambicioso

Homem com blazer seguro mapa na plataforma de estação ferroviária ao lado de trem moderno estacionado.

Enfrentar a SNCF nos próprios trilhos: essa é a aposta ousada da Le Train, startup de Bordeaux criada em 2020. Da alta velocidade (TGV) ao transporte regional (TER), a empresa amplia suas iniciativas, mas encara um mercado conhecido pela complexidade.

Com ambições elevadas - e com um nome comercial que ainda deve mudar - a Le Train afirma ser o único operador ferroviário francês independente com estrutura tanto para atuar no mercado de TER quanto na alta velocidade. Embora ainda não tenha colocado um serviço comercial em operação, a companhia segue organizando seus projetos e intensificando candidaturas em chamadas públicas.

Candidatura para seis linhas TER na Nouvelle-Aquitaine

A iniciativa mais recente foi a entrega de um dossiê para operar seis linhas TER na Nouvelle-Aquitaine, abrangendo os trechos Poitiers-Angoulême, Angoulême-Bordeaux, Poitiers-La Rochelle, La Rochelle-Bordeaux, Angoulême-Saintes-Royan e Niort-Saintes-Royan. O tamanho do projeto é expressivo: o CEO, Alain Gétraud, estima o esforço em cerca de 1 bilhão de euros ao longo de dez anos, com aproximadamente 815 circulações semanais e 5 milhões de passageiros por ano.

Le Train e a aposta na alta velocidade com a Talgo

Em paralelo, a startup também encomendou dez trens de alta velocidade com 400 lugares ao fabricante espanhol Talgo. A meta é oferecer viagens nas rotas Paris-Bordeaux e Paris-Rennes, além de eixos inter-regionais no Grand Ouest, como Bordeaux-Nantes e Bordeaux-Rennes.

Um setor muito complexo de entrar

Nosso projeto busca resultados concretos para essas linhas: mais trens nos horários úteis, onde a demanda é real, pontualidade medida e acompanhada, com compromissos de qualidade verificáveis, uma informação ao viajante clara e responsiva, na estação e à distância, uma presença humana a bordo e em terra, centrada no serviço”, afirma Alain Gétraud à BFMTV.

Ainda assim, as barreiras são numerosas. Na alta velocidade, a homologação dos trens Talgo na França é um processo particularmente demorado; um profissional do setor chega a mencionar quatro anos para obter autorização de circulação, o que empurraria um possível início para 2028-2029. Trata-se de um desafio considerável, em um momento em que outros nomes, como Proxima e Kevin Speed, também avançam, deixando o segmento de alta velocidade ainda mais disputado.

Financiamento e disputa com a SNCF Voyageurs

O financiamento permanece incerto: seria necessário um aporte de 400 milhões de euros, mas não há confirmação de que a rodada esteja assegurada. E, no segmento regional, a Le Train esbarra na predominância da SNCF Voyageurs, que vence quase todos os processos. Nesse cenário, a startup critica um ambiente concorrencial desigual e pede que o Estado assegure acesso transparente aos dados, além de condições de operação sem assimetria entre operadores.

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