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Novo motor diesel Ingenium D300/D350 para Range Rover e Range Rover Sport

SUV Range Rover verde metálico exibido em sala de exposição com acabamento moderno e rodas pretas.

Um motor diesel novo, é? Isso não soa meio como tentar “reinventar a carroça”?

Pode até parecer, ainda mais porque as vendas de diesel estão em queda livre. No momento em que escrevo, elas já despencaram para apenas um em cada sete carros novos vendidos no Reino Unido. Só que a verdade é que, para carregar um SUV enorme sem esforço, o diesel continua sendo uma solução muito boa - e “SUV enorme” descreve perfeitamente o Range Rover e o Range Rover Sport.

O diesel entrega muito torque e costuma ser bem mais econômico do que a gasolina. E, convenhamos, você não precisa exatamente daquela resposta “esportiva” de um motor a gasolina para esse tipo de carro. E o elétrico puro? Aí não dá: para mover um veículo desse porte por uma distância realmente útil, especialmente rebocando um trailer, seria preciso uma bateria aproximadamente do tamanho de Norfolk (um condado inglês). Se você quer um PHEV, o Range Rover tem - e vai ter mais. Mas para trabalhar pesado em viagens longas, o diesel segue muito dentro do jogo.

Então, o que eles fizeram?

Este é o motor modular da família JLR, conhecido no geral como Ingenium e, especificamente, como D300 e D350. É um seis-em-linha 3.0 litros - pense nele como “um e meio” do quatro-cilindros 2.0. Há duas calibrações: 300 ou 350 bhp (daí os emblemas). E mais importante ainda, 479 ou 516 lb ft de torque (cerca de 650 ou 700 Nm). Ele também traz um sistema mild-hybrid de 48V para espremer um pouco mais de economia e reduzir emissões, principalmente no ritmo urbano.

Ah, sim: o assunto delicado das emissões.

Este aqui é totalmente compatível com RDE2 e Euro 6d-final, o que significa que pode entrar sem penalidades em todas as zonas urbanas de ar tóxico - as já existentes e as previstas.

E o consumo?

Esses motores entram no lugar dos antigos V6 e V8 a diesel usados antes. Na prática, comparado ao antigo V8 (que era bem gostoso), o novo D350 faz só um pouco mais de potência e menos torque, mas é visivelmente mais leve e muito mais econômico. Os números WLTP, dependendo da versão, ficam entre 29 e 31 mpg (aprox. 10,3 a 11,0 km/l), o que dá CO₂ de 241 a 259 g/km.

E sabe de uma coisa? Num trajeto mais longo, andando com certa pressa num Range Rover de entre-eixos normal, eu consegui bater esse consumo.

Certo, mas como esse motor é na prática?

Eu diria que a “puxada” do D350 é forte, mais do que agressiva. Afinal, ele está empurrando algo como 2.400 kg com só eu dentro. Não é uma massa que você simplesmente “tapa” para cima da estrada sem esforço.

Ele faz 0–62 mph em 7,1 s (0–100 km/h), ganhando velocidade como uma lancha, te afastando de qualquer sensação muito direta do que está acontecendo. Mas se você duvidar da aceleração disponível, deixe uma boa reta sobrando quando for fazer sua primeira ultrapassagem em rodovia. Você vai perceber que passa usando surpreendentemente pouco do espaço disponível. E isso dá bastante confiança para a próxima.

Ele é silencioso e não vibra. Porém, o pouco barulho que faz é um tanto áspero e, bem… com cara de diesel. Ainda assim, dá para reconhecer os harmônicos agradáveis de um seis-em-linha.

O casamento com o câmbio automático é perfeito. As trocas são suaves e bem no tempo certo. E, se você quiser usar as intervenções manuais, elas são rápidas e sem drama.

E os carros que recebem esse motor?

O Range Rover continua imperial. O design, por dentro e por fora, segue elegantemente calmo, ainda atrai e não envelheceu. Até você chegar num Cullinan ou Bentayga, não existe mais nada com esse nível de conforto, sensação de proteção e presença em movimento. E uma capacidade quase ridícula fora do asfalto.

Na maior parte do tempo, a dinâmica em estrada também não parece datada. Sim, ele rola e cabeceia, mas isso faz parte do rodar macio e flexível que é tão bom. Se você evitar comandos bruscos, ele te devolve um progresso sereno, porém rápido.

Mas, às vezes, aparece um pouco de aspereza secundária na suspensão e um assobio leve do ar passando pela carroceria. Essas coisas te lembram que ele está no seu nono outono. Ainda assim… que belo carro.

O Range Rover Sport tem mais dificuldade para se justificar. Em movimento ele é mais firme de suspensão e mais fácil de tocar com vontade. Só que, por isso mesmo, fica cercado pela frota de SUVs grandes “esportivões” alemães que surgiram desde então - sem falar no Velar da própria casa ou no Jaguar F-Pace. Se você já guiou o Range Rover “não Sport”, sabe que tocar como se fosse esportivo não é bem a proposta.

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