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Corços alcoolizados na primavera: o alerta da Gendarmerie nas estradas francesas

Veado parado na beira da estrada com policial controlando o trânsito ao fundo em área rural.

Animais também podem exagerar nas coisas boas - com uma diferença importante em relação aos humanos: muitas vezes, isso acontece sem intenção. Assim que a primavera chega, corços “alcoolizados” voltam a aparecer nas estradas da França e, neste ano, a gendarmeria considerou necessário alertar os motoristas.

Se você der de cara com um corço que parece estranho, não entre em pânico: ele provavelmente passou do ponto no “álcool” - quase sempre para o próprio prejuízo. É uma cena anual e bastante comum: corços e outros mamíferos da floresta surgem perto do asfalto, com um ar perdido e desorientado, e às vezes atravessam sem qualquer aviso.

“Cheios como um tonel”, eles não invadiram adegas nem roubaram bebidas das casas vizinhas. Na realidade, são vítimas de um banquete de primavera generoso demais oferecido pela própria natureza. Pode até soar engraçado à primeira vista, mas a Gendarmerie nationale resolveu transformar o tema, neste ano, em um assunto sério de prevenção no trânsito.

A gendarmeria sai do mato

O vídeo que voltou a colocar o tema em evidência

Foi um vídeo compartilhado no X por ABC News que trouxe o assunto de volta ao centro das atenções (veja abaixo). Gravadas em Saône-et-Loire por gendarmes dentro da viatura, as imagens mostram um corço completamente embriagado, girando sobre si mesmo como se estivesse condenado, em um campo. O animal cai repetidas vezes, tenta se levantar de forma desajeitada e, sob o peso da “bebedeira”, desmorona novamente.

A sequência, bastante cômica, ultrapassou mais de um milhão de visualizações. Alguns comentários sugeriram que se trataria da doença debilitante crônica (MDC), que afeta cervídeos na América do Norte - mas isso não se sustenta: a enfermidade nunca foi detectada na França.

O recado da gendarmeria aos motoristas

A gendarmeria de Saône-et-Loire aproveitou a oportunidade para conscientizar quem dirige: “Na primavera, alguns animais selvagens consomem brotos, frutos fermentados ou vegetação em decomposição… e podem apresentar comportamentos totalmente imprevisíveis”. Em seguida, reforçou: “[…] uma colisão pode acontecer muito rápido, sobretudo à noite ou em estradas secundárias”.

Para esses animais, trata-se de uma “farra” involuntária: guiados pelo instinto, acabam ingerindo alimentos que os colocam em um estado alterado. Mas como explicar que, nesta época do ano, as florestas virem um bar em sistema de autosserviço?

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Por que os brotos fermentam no organismo

Embora a gendarmeria tenha resumido bem as causas dessa embriaguez, Gilles Moyne, diretor do centro Athénas, especializado no resgate de fauna silvestre (Jura), detalhou o mecanismo em conversa com o canal France 3. “Todos os brotos são ricos em açúcares e seivas. É um concentrado dos açúcares da árvore. É um alimento com alto poder de fermentação, e quando se come em quantidade, isso provoca uma embriaguez passageira”.

Corços - e cervídeos em geral - adoram brotos de flores quando eles despontam na primavera. Depois de um inverno longo, ruminando raízes antigas e cascas secas pouco apetitosas, as brotações novas viram um verdadeiro banquete. Além do açúcar (que os atrai), esses brotos trazem proteínas e nitrogênio, fundamentais para o crescimento dos chifres.

Quando consumidos em grande volume, já dentro do rúmen, os açúcares fermentam e geram etanol em quantidade suficiente para causar problemas de coordenação motora. Algo parecido também pode acontecer no outono, quando eles comem maçãs apodrecidas que caíram no chão. Moyne descreve que eles podem “correr de forma desordenada, ficar desorientado[s] e até um pouco eufórico[s]”.

O risco nas estradas e como agir ao encontrar um corço

Nessa condição, eles perdem completamente as inibições naturais diante de seres humanos e veículos. Em situação normal, evitam ao máximo vias movimentadas; intoxicados, podem se aproximar e até entrar na estrada sem hesitar. Se você avistar um, “é preciso deixá-los tranquilos, não estressar, não intervir. Um corço sempre está perto de um ambiente que ele conhece bem, ele vai voltar para lá”, orienta Moyne.

E nem pense em tentar capturá-lo: “Um corço com seus chifres e seus cascos pode ferir o homem”. Ao encontrar um animal desses na pista, não freie de forma brusca e não tente bancar o Ken Block fazendo slalom para desviar. Espere o tempo necessário até que ele volte para a margem e seja paciente: esse corço provavelmente teve uma noite (ou um dia) mais carregado do que o normal.

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