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Como Starlink e SpaceX encareceram os drones LUCAS dos EUA no Irã e expuseram a dependência do Pentágono de Elon Musk

Militar operando drone com controle remoto e laptop em mesa no deserto, com equipamentos e documentos.

A campanha de ataques dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, colocou em evidência um detalhe operacional caro: os drones kamikazes americanos empregados no teatro de operações dependiam do Starlink para funcionar - e a SpaceX não perdeu tempo em reajustar a conta. A dependência do Pentágono em relação a Elon Musk ficou difícil de negar.

Drones LUCAS, Starlink e a campanha contra o Irã

No campo de batalha, quem ganhou protagonismo foram os drones LUCAS. São plataformas kamikazes de baixo custo, lembrando os Shahed iranianos, pensadas para ficar “circulando” sobre uma área de interesse e, depois, mergulhar até o alvo e explodir no impacto.

Para que esse tipo de munição itinerante acerte com precisão, as Forças Armadas dos EUA recorrem, como era de se esperar, ao Starlink - a constelação de satélites de Elon Musk. Em zonas de conflito, onde a infraestrutura terrestre foi destruída ou está congestionada, o sistema oferece cobertura global confiável, mantendo comunicações e apoio ao direcionamento em tempo real até em regiões muito isoladas. Na prática, virou uma ferramenta quase indispensável na guerra moderna, algo que a guerra na Ucrânia já havia escancarado.

Só que essa dependência tem custo - e a SpaceX decidiu cobrá-lo. Pouco depois do início das ofensivas, executivos da empresa se reuniram com autoridades do Pentágono para afirmar que o valor em vigor, cerca de 5 000 dólares por mês por terminal, não refletia o nível de serviço efetivamente utilizado, segundo a Reuters. Na visão da companhia, a cobrança deveria subir para 25 000 dólares mensais, como ocorre quando o serviço é usado por aviões comerciais.

SpaceX em posição de força

Embora o Pentágono tenha contestado a solicitação, no fim das contas teria aceitado. Com isso, o custo unitário de um drone LUCAS teria saltado de aproximadamente 30 000 para perto de 60 000 dólares, em um momento em que o orçamento da guerra no Irã já supera as estimativas iniciais.

O impacto não é pequeno: o Departamento de Defesa dos EUA tem uma dependência estrutural da SpaceX - e Elon Musk sabe disso. Com quase 10 000 satélites em órbita, representando mais de 60 % de todos os satélites ativos, o Starlink simplesmente não tem um rival à altura.

Direct-to-cell, terminais apreendidos e a conta bilionária

As fricções, porém, não se restringem aos drones. Autoridades iranianas apreenderam milhares de terminais Starlink que teriam sido introduzidos clandestinamente por Washington. Como resposta, o Pentágono pediu à SpaceX que disponibilizasse um serviço direct-to-cell - uma conexão via satélite sem terminal no solo, em proposta semelhante à 5G. A empresa teria exigido 500 milhões de dólares para colocar a capacidade de pé e, depois, 100 milhões de dólares por mês para operá-la, o que teria deixado responsáveis militares atônitos.

Um novo contrato extremamente lucrativo

Após a divulgação dessas informações, Elon Musk se manifestou rapidamente e as classificou como “falsas”. Em uma segunda publicação, ele ajustou parcialmente o discurso: terminais civis do Starlink teriam, sim, sido usados em drones militares - mas, nesse caso, a responsabilidade seria da SpaceX, e não do Pentágono. Um mea culpa calculado.

Isso porque o governo dos EUA acaba de conceder um contrato de 2,29 bilhões de dólares à empresa para participar do Golden Dome, o escudo antimísseis defendido por Donald Trump. Mais do que nunca, Washington dá sinais de ter transformado a SpaceX em uma parceira da qual não consegue abrir mão.

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