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Crise dos chips preocupa trabalhadores do Parque Industrial Volkswagen Autoeuropa

Homem com colete laranja inspeciona peça eletrônica em fábrica de montagem de carros com robôs industriais.

Depois de a fábrica da Bosch em Braga ter comunicado um lay-off para a próxima semana, a Coordenação de Trabalhadores do Parque Industrial Volkswagen Autoeuropa também se pronunciou sobre a crise dos chips.

A coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Autoeuropa disse estar muito apreensiva com o abastecimento de semicondutores pela Nexperia e avisou que isso “poderá levar a paragens de produção que colocam em causa a estabilidade de emprego”.

Em nota enviada à imprensa, a comissão reforçou o alerta: “A confirmar-se, a escassez de chips para várias empresas do setor automóvel - não apenas construtores, mas também fornecedores do parque industrial da Autoeuropa e outras empresas do país - poderá levar a interrupções na produção que colocam em risco a estabilidade do emprego”.

Medidas no Parque Industrial Volkswagen Autoeuropa em Palmela

Segundo a coordenação, as administrações das empresas instaladas no parque industrial de Palmela já terão formado equipes para administrar a distribuição dos semicondutores conforme as prioridades de produção.

Do lado da Autoeuropa, foi criada uma equipe interna dedicada ao tema, e a empresa assegura que a produção da próxima semana está garantida.

Intervenção pública, UE e Estado português

Para os representantes dos trabalhadores, a situação não é apenas industrial: “Estamos perante um problema de caráter político que exige a intervenção das entidades públicas, da União Europeia (UE) e do Estado português”.

A coordenadora pretende pedir reuniões com os grupos parlamentares, com a comissão de trabalho da Assembleia da República e com o Governo.

Uma crise que ameaça toda a indústria

De acordo com os trabalhadores, a crise atual começou a partir das restrições impostas pela China às exportações da Nexperia, uma fabricante neerlandesa de semicondutores controlada pela chinesa Wingtech. A empresa direciona aproximadamente 60% da sua produção para a indústria automotiva.

Essas restrições teriam surgido depois que o governo dos Países Baixos decidiu nacionalizar a Nexperia - uma medida adotada sob pressão dos EUA - com a intenção de reduzir a influência da Wingtech.

Os chips fabricados pela Nexperia são usados em funções essenciais, como a iluminação, o sistema de direção e até 700 outros componentes críticos. A ausência de um único chip já é suficiente para interromper uma linha inteira de produção.

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