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Teste da Citroën ë-C3 Autonomia Urbana por 12 990 €

Carro elétrico Citroën E-C3 Urbana cinza exposto em ambiente interno moderno e iluminado.

Esta versão de entrada da Citroën C3 pode ser justamente o carro elétrico que tanta gente vinha esperando. Com preço a partir de 12 990 € já com todos os auxílios descontados, a promessa é de acessibilidade - mas a que custo? Fomos até as enseadas (calanques) de Marselha para descobrir.

Ué, mas não esquece o freio de mão, hein…”, alerta o meu colega. A pequena Citroën C3 realmente poderia acabar no fundo da calanque de Sormiou - o que seria um desastre evitável. Ainda bem que deu tempo de puxar. Afinal, freio de estacionamento manual, aquela alavanca que você puxa para travar o carro, virou item raro. Mais raro ainda é o preço desta ë-C3 Autonomia Urbana, que parte de 12 990 €. Nem precisa ir muito além: a Stellantis acabou de colocar na rua o carro elétrico mais barato do mercado - e, no geral, também o carro mais barato do mercado, ponto.

O preço real desta Citroën ë-C3: atenção ao “truque”

Só que existe um detalhe por trás desse valor agressivo. Para chegar aos 12 990 €, é preciso se enquadrar como “famílias em situação de vulnerabilidade energética” para ter direito ao bônus CEE de 6 100 €, ao qual a Citroën soma um abatimento extra de 900 €.

Sem isso, o preço de tabela da ë-C3 Autonomia Urbana na configuração básica YOU é de 19 990 €. A boa notícia é que todo mundo pode receber a prime CEE mínima de 3 500 € e também o desconto-bônus de 900 €. Ou seja: o preço máximo do carro fica em 15 590 €, independentemente da renda.

Dacia Spring e Renault Twingo têm motivo para se preocupar

A expectativa, naturalmente, não é alta… e é aí que mora a armadilha. Porque 15 590 € para um elétrico novo continua sendo bastante dinheiro, mesmo sendo “acessível” no contexto atual. Então, o que este modelo entrega?

Para começar, são cinco lugares e 328 litros de porta-malas em 4,02 m de comprimento. É um bom cartão de visita. E mais: trata-se de um compacto do segmento B, enquanto a maioria dos rivais com preço parecido vem do segmento A. Renault Twingo e Dacia Spring exemplificam bem isso, com apenas quatro lugares e um porta-malas bem menor.

A Citroën exagerou nos cortes de equipamentos?

A marca teria “enxugado” demais a lista de itens para proteger margem? Não exatamente. A versão YOU traz ar-condicionado manual, vidros elétricos dianteiros, luzes diurnas em LED, rodas de aço de 16 polegadas, controle de velocidade e sensores de estacionamento traseiros. Para o preço, não parece pouco.

O nosso carro de teste, na configuração PLUS, custa 23 450 € (sem descontos) e acrescenta faróis dianteiros em LED, bancos Advanced Comfort, tela sensível ao toque de 10,25 polegadas, retrovisores elétricos e acionamento automático dos limpadores e do farol alto. Sim, não é a versão de 12 990 € - mas, tecnicamente, continua sendo a mesma Autonomia Urbana. O que muda é que o visual fica mais agradável.

Sem firulas por dentro, mas com o essencial no lugar

Depois de ver uma versão YOU pessoalmente, dá para dizer que o custo-benefício pode fazer sentido… ainda mais porque o interior fica menos “triste” graças a alguns revestimentos no painel e nas portas, que quebram um conjunto visualmente simples.

Claro: os encaixes não são impecáveis e não faz sentido falar em plásticos macios nessa faixa de preço. Ainda assim, desde que nada fique na sua mão, o básico está garantido - e a ergonomia, no geral, é naturalmente bem resolvida.

Tela e tecnologias: simplicidade levada ao limite

Os comandos da ventilação são feitos por botões giratórios fáceis de usar, enquanto a central multimídia, bem minimalista, não exige esforço para operar. O sistema é reduzido ao essencial, com quatro áreas: página inicial, rádio, conectividade e configurações. Só.

Não há navegação nativa, mas dá para usar o GPS do celular via Apple CarPlay e Android Auto. Já o painel de instrumentos é bem simples, porém legível.

Quem procura impacto visual vai se frustrar. A Citroën, por outro lado, decidiu priorizar o que mais pesa no dia a dia: espaço interno. Mesmo com um formato mais “quadradão” e pouco sedutor, a C3 oferece boa área na cabine e uma altura para a cabeça surpreendente. Atrás, o espaço atende bem, embora o passageiro do meio fique mais apertado por conta do túnel no assoalho.

A espuma do banco traseiro é macia, mas a base é um pouco baixa demais - o que acaba colocando o corpo numa posição menos natural.

O teste da rampa de 15%: a ë-C3 no limite

Onde a C3 também não se sente totalmente à vontade é na calanque de Sormiou. A subida é muito inclinada, perto de 15%, e isso coloca os 113 cv sob pressão.

O lado positivo é que o conjunto de baterias menor da Autonomia Urbana ajuda a aliviar o peso. O lado negativo é que nós tínhamos acabado de comer uma boa bouillabaisse. No fim, o carro chega ao topo do trecho… e, na descida, fica claro que o freio regenerativo é fraco. Melhor terminar a ladeira com calma para não “terminar” no barranco.

Na cidade, um verdadeiro “tapete voador”… com um detalhe

No uso urbano, o pedal do freio é difícil de dosar, e os trancos aparecem com frequência pouco antes da parada completa. Incomoda, porque, tirando isso, a C3 elétrica se sente totalmente em casa.

As suspensões com batentes hidráulicos da versão PLUS filtram bem os impactos, e a direção muito leve ajuda demais nas manobras. Considerando o preço, o resultado é realmente surpreendente - a expectativa era de um carro apenas “de locomoção”. A visibilidade também agrada graças às áreas envidraçadas grandes. Em resumo: um bom carro de cidade, mas que pode se sentir deslocado fora desse ambiente.

215 km de autonomia: a promessa se sustenta no dia a dia?

A bateria LFP de 30 kWh declara 215 km de autonomia no ciclo WLTP. Depois de um trajeto de cerca de 90 km, com bastante trecho urbano, o consumo ficou em 14 kWh/100 km. Isso ajuda a chegar perto do número oficial.

Em rodovia, o resultado tende a cair - e na autoestrada cai ainda mais. E aqui vem a grande surpresa: o carregador rápido é opcional por 400 €. Com ele, o carro aceita até 30 kW em corrente contínua (DC). É pouco, claro, mas pode quebrar um galho se alguém insistir em fazer viagens longas.

A insonorização também é leve, o que dificilmente surpreende.

Nas estradas sinuosas do interior da região de Marselha, a experiência não melhora muito: o rolamento de carroceria é evidente e faz você “conhecer” os vidros sem querer. De todo modo, a ë-C3 Autonomia Urbana é um produto pensado para os deslocamentos cotidianos - e aí ela cumpre bem o papel por pouco dinheiro.

Basta carregar à noite numa tomada doméstica para ter energia suficiente no dia seguinte para ir ao trabalho. No fim das contas, esse é o objetivo mais básico de um carro - e algo que a gente esquece com frequência.

Nossa opinião sobre a Citroën ë-C3

7/10 para essa “latinha de refrigerante” vermelho vivo? Pode parecer uma nota alta. Mas há motivo. Sim: a Citroën ë-C3 Autonomia Urbana tem versatilidade limitada e um pacote tecnológico bem simples. Isso é fato.

Mas ela compensa em outros pontos, com boa habitabilidade e um conforto realmente excelente. Pelo preço extremamente agressivo, seria injusto ficar procurando defeito. E, com combustíveis caros como estão, ela acaba virando uma oportunidade e tanto.

E você: encararia uma Citroën ë-C3 por menos de 13 000 €, mesmo abrindo mão de viagens longas, ou acha as limitações restritivas demais? Conte pra gente nos comentários!


Citroën ë-C3 PLUS Autonomia Urbana

23 450 €

Veredito

7.0/10

Pontos positivos

  • O preço imbatível
  • A habitabilidade generosa
  • O conforto em excelente nível
  • A ergonomia simples

Pontos negativos

  • Autonomia muito limitada
  • Conteúdo tecnológico pobre
  • Falta de dinamismo
  • Qualidade de acabamento rudimentar

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