Sou o tipo de pessoa que raramente chega na hora. Em show, quase sempre perco a primeira música. No cinema, deixo passar a cena de abertura e ainda derrubo, sem querer, a pipoca de alguém. Já tenho intimidade de tanto ouvir os avisos do sistema de som do aeroporto. Mesmo assim, não chego perto do atraso da Volkswagen.
A demora da Volkswagen para entrar no segmento de midi-MPV
Levando em conta há quanto tempo o Renault Mégane Scénic existe - e a quantidade de midi-MPVs derivadas de hatch que apareceram depois dele, como a Vauxhall Zafira (baseada no Astra) e a Citroën Xsara Picasso -, a gigante alemã demorou a perceber o movimento. Para uma marca que transformou o compartilhamento de plataforma em especialidade (Skoda Octavia e Audi TT são bons exemplos), por que seria tão complicado colocar na rua uma MPV baseada no Golf?
Curiosamente, no dia em que a Volkswagen nos levou para a Espanha para o primeiro contato ao volante de um desses carros, eu fiz o que quase nunca faço: levantei às cinco da manhã e fui o primeiro a chegar ao terminal. Aí dormi no saguão e perdi o voo. Brincadeira. Na verdade, dormi no avião e perdi o saguão. Enfim.
Plataforma do Touran e o que isso muda no volante
Na prática, o Touran não nasce do Golf exatamente como o conhecemos. A base dele reúne elementos do Golf MkIV, mas também traz partes da geração seguinte.
Dizem que a plataforma MkV é a mais ajustável que a empresa já produziu. Fico feliz por eles. Mas será que quem comprar um Touran também tem motivo para ficar?
Sem dúvida, os futuros donos vão gostar dos bancos removíveis da segunda fileira, das gavetas sob os bancos dianteiros e da abundância de porta-copos. O porta-luvas refrigerado parece um capricho bem-vindo, e é fácil imaginar utilidade para a tomada de 12 V e para os espaços de armazenamento sob o assoalho no porta-malas.
Eu dirigi a versão com motor 1,6 litro FSI a gasolina, que faz em média algo como 13,5 km/l, mas precisa de bastante tempo para ganhar velocidade e realmente “andar”. Em compensação, gostei do conforto de rodagem: ele lida muito bem com as imperfeições do asfalto.
Já o câmbio manual de seis marchas, um pouco áspero nos engates, não me agradou. E também não me entendi com a nova direção com assistência elétrica, que não me transmitiu praticamente nada do que as rodas dianteiras estavam fazendo. A falta de resposta ao tentar mudar de direção na entrada de curva me levou a concluir que ele tende a sair de frente com pouca provocação.
E, se o interior do Touran for um aperitivo do próximo Golf, a ausência de plásticos realmente caprichados vai frustrar todo mundo - exceto, talvez, os contadores da VW. Tirando o emblema, eu poderia jurar que estava dentro de um Seat ou de um Skoda.
Motor 2,0 diesel e opção de sete lugares
Cheguei à coletiva de imprensa da noite (atrasado) e descobri que o Touran também pode vir com um motor diesel 2,0 mais forte e com a opção de sete lugares. Só havia um jeito de dirigir um carro com as duas coisas, me disseram: acordar cedo na manhã seguinte e reservar.
Foi exatamente o que eu fiz, e fui o primeiro a levantar. E lá estavam eles: dois assentos extras na terceira fileira, que se dobram para dentro do assoalho do porta-malas. A Zafira também joga nesse nível, mas, se a memória não falha, os bancos dela são um tantinho menores do que esse par suplementar do Touran.
O diesel também é bem mais a cara do carro. O torque e a disposição que vêm desse “bebedor de óleo” são, sem dúvida, superiores.
O conjunto do Touran é bom o suficiente para causar impacto mesmo chegando tarde? A Picasso vende muito. A Scénic segue popular, e a versatilidade da Zafira sempre contou a favor. Até aqui, o público se virou bem sem uma midi-MPV da VW. Sim, o Touran pode ter demorado demais - mas, com bons motores, um pacote de segurança sólido e uma lista de equipamentos de série competente, ele não deveria ser pouco.
Colin Ryan
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