Não é nenhuma surpresa: desde os primeiros passos do automóvel, a indústria viu surgir e desaparecer um sem-número de marcas - um reflexo direto de como o setor evolui. E, mesmo com mais de 100 anos de história, no século XXI o roteiro segue parecido.
Neste Especial, organizado em duas partes, vamos revisitar as marcas que sumiram e as que nasceram neste século, com atenção especial àquelas às quais tivemos - ou ainda temos - algum tipo de acesso por aqui. E chama a atenção a quantidade de nomes que entra na lista, considerando que ainda se passaram apenas 20 anos desde o começo do século.
Nesta primeira parte, o foco fica nas marcas que desapareceram: de nomes históricos do setor a outras que não deixaram muita saudade, sem esquecer as (quase) desconhecidas.
Os motivos por trás do fim são variados. Há casos de decisões estratégicas ou de gestão mal tomadas, produtos que não emplacaram como se esperava… tem de tudo. Some a isso a crise financeira global (que “estourou” em 2008) e o cenário virou uma verdadeira “tempestade perfeita”, levando muitas marcas a fecharem as portas.
Rover (1878-2005)
Em ebulição constante desde os tempos da British Leyland, a Rover chegou em 2005 a um desfecho que já parecia anunciado havia bastante tempo. Depois de ter sido tratada como a grande esperança para a marca britânica em 1994, a BMW se cansou dos prejuízos sucessivos e, em 2000, vendeu a Rover por apenas 10 libras ao Phoenix Consortium.
A partir daí, apesar da ambição elevada, foi questão de tempo até a marca que nos deu carros como os P6, SD1 e o 75 se despedir. E isso aconteceu sem que ela lançasse qualquer modelo realmente novo desde que deixou de estar sob o controle da BMW (o Streetwise era, na prática, apenas um Rover 25 com visual de apelo aventureiro).
UMM (1977-2006)
Em 2006, foi a vez da saudosa UMM - “a nossa” marca portuguesa - dar adeus de forma definitiva ao setor automotivo. Já havia muito tempo em um estado de “semi-hibernação” - em 2000 foram produzidos os últimos Alter e em 2004 foram registrados os dois últimos exemplares -, e, diante da falta de pedidos, a marca acabou por se retirar do mundo dos automóveis de maneira permanente.
Daewoo (1972-2011)
Criada em 1972, foi nos anos 1990 que a Daewoo Motors ganhou notoriedade junto ao público europeu. Primeiro com os relativamente anônimos Nexia e Espero, e depois com uma linha mais completa, que incluía modelos como Matiz, Lanos e Kalos.
Houve um período em que a Daewoo chegou a registrar números de vendas razoáveis e manteve uma presença consistente no “velho continente”.
Ainda assim, a partir de 2005 - já depois de a GM tê-la “salvado” em 2002 - decidiu-se que, na Europa, a Daewoo daria lugar à Chevrolet. A marca, porém, não aguentaria por muito tempo: em 2011, no “rescaldo” da crise financeira, a GM optou por encerrá-la, com a Chevrolet ocupando seu espaço em todos os mercados.
Saab (1945-2012)
Diferentemente do que ocorreu com a Daewoo, o desaparecimento da Saab foi tanto inesperado quanto profundamente sentido pela “comunidade petrolhead“. Com um foco particular em segurança, a Saab acabou se tornando “vítima” do tropeço da GM (aka, a falência do gigante norte-americano durante a crise financeira).
Vendida para a Spyker em 2010, a marca sueca entrou então em uma “espiral” que terminaria no seu desaparecimento. Sem fôlego para arcar com todos os custos, a Spyker deixou a montadora escandinava sem sustentação, e a Saab acabaria por declarar falência em 2011, com o processo sendo concluído em 2012.
Desde então, o consórcio chinês NEVS (National Electric Vehicle Sweden) comprou o que restava da Saab. Chegaram a existir planos para relançar a marca (inclusive com a venda de alguns 9-3), mas a iniciativa rapidamente perdeu força. Em 2016, a NEVS anunciou que não pretendia usar o nome da histórica marca escandinava.
As outras
Além dessas quatro marcas bastante conhecidas por aqui, algumas outras também desapareceram nos primeiros 20 anos do século XXI. Nesta galeria, nós as relembramos:
Revisitadas as marcas que desapareceram neste começo de século - e certamente outras ainda irão cair nas próximas décadas -, não percam amanhã o artigo com todas as demais que nasceram desde 2001.
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