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Yamaha e os motores de carros: parcerias que fizeram história

Carro esportivo branco Lexus com motor Yamaha em exposição em ambiente moderno com paredes de vidro.

Três diapasões formam o logotipo da Yamaha, empresa japonesa fundada em 1897. A marca começou fabricando instrumentos musicais e móveis e, em cerca de 125 anos, virou um gigante da indústria do Japão e do mundo.

No universo dos motores, porém, a Yamaha construiu sua reputação principalmente entre os apaixonados por duas rodas. As vitórias de pilotos como Valentino Rossi, guiando motos da marca, ajudaram a colocar tanto a fabricante quanto o italiano nos livros de história (e de recordes).

Apesar de motos e instrumentos musicais da Yamaha serem conhecidos no planeta inteiro - e de sua presença em náutica, quadriciclos e ATVs também chamar atenção -, sua atuação no setor automotivo é bem mais “discreta”.

E não é por falta de tentativas de entrar nesse território de forma direta. A marca já flertou com supercarros, como o OX99-11, e mais recentemente com o desenvolvimento de um carro urbano (Motiv) e de um esportivo compacto, o Sports Ride Concept, em parceria com Gordon Murray - o mesmo “pai” do McLaren F1 e do igualmente fascinante GMA T.50.

Ainda assim, a divisão de engenharia da Yamaha não é exatamente uma desconhecida da indústria automotiva. Afinal, em várias ocasiões ela deu uma “ajudinha” no desenvolvimento de motores para diferentes carros - em um trabalho semelhante ao que a Porsche também faz - e chegou até a fornecer motores para a… Fórmula 1!

Toyota 2000 GT

Entre os modelos mais icônicos (e raros) da Toyota, o 2000 GT também simboliza o começo de uma série de colaborações entre Yamaha e Toyota. Pensado para funcionar como uma espécie de halo car da marca japonesa, o Toyota 2000 GT estreou em 1967 e teve apenas 337 unidades produzidas.

Sob o capô do esportivo elegante havia um seis-em-linha 2,0 l (chamado 3M), originalmente usado no bem mais comportado Toyota Crown. A Yamaha conseguiu extrair impressionantes 150 cv (contra 111-117 cv no Crown) graças a um novo cabeçote de alumínio projetado por ela - potência suficiente para levar o 2000 GT a 220 km/h de velocidade máxima.

E a parceria foi além do trem de força. Desenvolvido em conjunto por Toyota e Yamaha, o 2000 GT foi montado sob licença justamente nas instalações da Yamaha em Shizuoka. Além do motor e do projeto como um todo, o know-how da Yamaha apareceu também nos acabamentos internos em madeira, beneficiados pela experiência da empresa na fabricação de… instrumentos musicais.

Toyota 2ZZ-GE

Como já deu para perceber, Toyota e Yamaha trabalharam juntas em várias oportunidades. Uma das mais recentes (no fim dos anos 1990) culminou no motor 2ZZ-GE.

Integrante da família ZZ da Toyota (quatro cilindros em linha com cilindradas entre 1,4 e 1,8 litros), esse conjunto passou a exigir mais potência e, por consequência, rotações mais altas. Para isso, a gigante japonesa recorreu aos seus “amigos” da Yamaha.

Partindo do 1ZZ (1,8 l) que equipou carros tão diferentes quanto Corolla e MR2, o 2ZZ preservava a cilindrada, mas adotava diâmetro e curso diferentes (maior e menor, respectivamente). As bielas passaram a ser forjadas e o grande destaque foi a adoção de um sistema de variação do comando de válvulas, o VVTL-i (semelhante ao VTEC da Honda).

Nas várias aplicações, a potência desse motor variou bastante: ia dos 172 cv do Corolla XRS vendido nos EUA até 260 cv e 255 cv nos Lotus Exige CUP 260 e 2-Eleven, respectivamente, graças ao uso de um compressor. O 2ZZ também apareceu em modelos pouco conhecidos por aqui, como o Pontiac Vibe GT (na prática, um Toyota Matrix com outro emblema).

Mesmo assim, foi na configuração de 192 cv - a mesma dos Lotus Elise e do Toyota Celica T-Sport - que ele se tornou mais famoso. Com limitador entre 8200 rpm e 8500 rpm (dependendo da especificação), esse motor conquistou espaço no “coração” dos fãs das duas marcas.

Lexus LFA

Sim: um dos motores mais envolventes de todos os tempos, o V10 do Lexus LFA - sonoro e extremamente girador - também recebeu um “toque” da Yamaha.

A participação da Yamaha se concentrou principalmente no sistema de escapamento, uma das assinaturas do LFA, com três saídas. Em outras palavras, parte da sonoridade hipnotizante que o carro entrega sempre que alguém decide “esticar” o V10 aspirado também se deve à contribuição da marca japonesa.

Além de ajudar o V10 a “respirar melhor”, a Yamaha acompanhou e apoiou o desenvolvimento do motor (como diz o ditado, “duas cabeças pensam melhor que uma”). E faz sentido: que empresa seria mais indicada para contribuir com um V10 4,8 l de 560 cv (570 cv na versão Nürburgring) e 480 Nm, capaz de chegar a 9000 rpm, do que uma marca acostumada a rotações muito altas nos motores de suas motos?

Ford Puma 1.7

A Yamaha não colaborou apenas com a Toyota. Sua parceria com a norte-americana Ford deu origem à família Sigma, mais conhecida por muita gente como Zetec (nome aplicado à primeira evolução dos Sigma, que depois passariam a ser chamados de Duratec).

O 1.7 do Puma - o cupê, e não o B-SUV vendido hoje - não foi o único Zetec a receber o “dedinho” da marca dos três diapasões. Esses quatro cilindros em linha, sempre aspirados, chegaram ao mercado com o muito elogiado 1,25 l, que estreou no Fiesta MK4.

Mas o 1.7 era o mais especial de todos. Com 125 cv, era o único (na época) dentro da linha Zetec a oferecer comando variável (VCT, na linguagem da Ford) e ainda trazia os cilindros com revestimento de Nikasil, uma liga de níquel/silício que reduz o atrito.

Além da versão de 125 cv, no raro Ford Racing Puma - somente 500 unidades - a Ford conseguiu tirar 155 cv do 1.7, ou seja, 30 cv a mais do que o original, ao mesmo tempo em que o limite de giro subia para 7000 rpm.

Volvo XC90

Além da Ford, a Volvo - que na época fazia parte do enorme portfólio de marcas da… Ford - também buscou o know-how da Yamaha, desta vez para criar um motor com o dobro de cilindros dos modestos Zetec.

Assim surgiu o primeiro… e também último V8 da Volvo em automóveis de passeio: o B8444S, desenvolvido em grande parte pela empresa japonesa. Usado nos Volvo XC90 e S80, ele apareceu com 4,4 l, 315 cv e 440 Nm, mas seu potencial seria explorado por superesportivos como o pouco conhecido (e britânico) Noble M600. Com a adição de dois turbocompressores Garret, era possível chegar a 650 cv!

Esse V8 tinha características bem particulares, como o ângulo entre as duas bancadas de cilindros de apenas 60º (em vez dos tradicionais 90º). Para entender o motivo, recomendamos que leiam ou releiam o artigo que dedicamos a esse motor excepcional:

Elétrico rumo ao futuro

Com a guinada da indústria automotiva rumo à eletrificação, era de se esperar que a Yamaha também investigasse o desenvolvimento de motores elétricos. Embora o motor elétrico desenvolvido pela Yamaha ainda não tenha sido aplicado oficialmente em um carro de produção, ele não poderia ficar de fora desta lista.

A Yamaha afirma ter um dos motores elétricos mais compactos e leves e, por enquanto, ele só apareceu em um Alfa Romeo 4C usado pela marca como “mula de testes”. Mais recentemente, a empresa apresentou um segundo motor elétrico, voltado a veículos de alta performance, capaz de entregar até 350 kW (476 cv) de potência.

Atualizado em 08/08/2021: a informação sobre os novos motores elétricos foi corrigida e atualizada.


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