Sempre que aparece em leilão uma unidade do Ferrari F40, um dos supercarros mais emblemáticos de todos os tempos, o “acontecimento” dificilmente passa despercebido.
Só que, quando o lote é tão fora do comum quanto este que a RM Sotheby’s vai oferecer - identificado como F40 “Competizione” - a história por trás do carro se torna parte obrigatória do espetáculo.
Chassi nº 80 782: origem e primeira transformação
Este F40 (chassi nº 80 782) foi concluído em novembro de 1989, na configuração sem catalisador e sem suspensão ajustável, e entregue à Kroymans BV, importadora oficial da marca italiana nos Países Baixos. Depois de três anos por lá, o carro passaria pela primeira grande mudança. A meta era clara: deixá-lo pronto para competir.
Objetivo: competir
Embora o F40 pareça, por natureza, o elo perdido entre carro de pista e carro de rua, a Ferrari não tinha um programa oficial para colocá-lo nas corridas. Ainda assim, graças à Michelotto, seriam construídos - com a “benção” da Ferrari - quase duas dezenas de F40 voltados à competição.
Este exemplar não foi um desses carros de fábrica, mas foi diretamente influenciado por eles e faz parte do grupo de F40 de rua que acabaram modificados para uso em pista. Assim, em 1993, ele se tornou um F40 “Competizione” (especificação para circuito), preparado por Peter van Erp, da Cavallino Tuning, divisão de competição da própria Kroymans.
Naquela etapa, o tradicional vermelho Ferrari deu lugar ao amarelo. A suspensão foi retrabalhada e recebeu amortecedores de competição; os freios foram substituídos; e o painel de instrumentos passou a ser um Stacks. Dessa vez, o motor permaneceu como estava, sem qualquer tipo de melhoria.
Atualizações de pista e salto de potência
Os dois anos seguintes foram dedicados ao uso em autódromos, o que levou, em 1995, a uma nova rodada de alterações para mantê-lo competitivo - trabalho executado pelos britânicos da G-Tex.
Entre as várias mudanças feitas, estima-se que tenha sido nessa fase que o F40 “Competizione” recebeu uma reconstrução completa do motor e um aumento substancial de potência para mais de 700 cv - quando, originalmente, o modelo ficava nos 478 cv.
Proprietários, corridas e evolução até 2009
Outras intervenções viriam depois. Em 1997, por exemplo, o carro mudou de mãos e passou para o colecionador de Ferrari e piloto Michel Oprey. O F40 “Competizione” substituiu o 348 GT que ele tinha e competiu no bem-sucedido campeonato Ferrari-Porsche Challenge durante os últimos anos da década de 90.
Com Michel Oprey, o F40 continuou correndo até 2006, quando foi vendido a uma equipe britânica. Essa equipe manteve o carro em atividade até 2009, e, ao longo desse período, o modelo ainda recebeu novos aprimoramentos.
Já em 2019, o carro passou por uma revisão profunda que incluiu diversos testes de suspensão, a instalação de um extintor e a troca dos… tanques de combustível - as células de combustível de carros de competição costumam ter vida útil limitada, exigindo substituição depois de um certo tempo.
Restauro profundo e caro
Com o proprietário atual, o Ferrari F40 “Competizione” que agora vai a leilão foi submetido a um restauro completo pelo Zanasi Group, concluído neste ano.
Foi nessa ocasião que ele adotou a nova tonalidade “Grigio Nardo” e também ganhou bancos novos, pintados de azul elétrico e com o logotipo da Ferrari.
Na parte mecânica, uma nova revisão foi realizada pelos especialistas do Zanasi Group, fazendo com que o 2.9 V8 biturbo deste F40 passe a declarar potência entre os 700 cv e os 1000 cv, dependendo do acerto escolhido. Se não for o F40 mais potente de todos, certamente está entre os mais potentes já feitos.
E o preço desse capítulo final? Mais de 123 mil euros!
O valor de reserva deste Ferrari F40 único não foi divulgado - só é informado mediante consulta - mas, considerando o histórico do chassi nº 80 782 e o fato de ser, provavelmente, o F40 mais potente do mundo, dá para supor que não seja exatamente acessível.
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