O MINI Cooper SE marca a estreia da fabricante britânica em um carro 100% elétrico - e isso traz uma missão nada simples: eletrificar o modelo sem abrir mão do “ADN” que faz um MINI ser, de fato, um MINI.
Além disso, ele chega a um segmento bem concorrido. Entre os possíveis rivais estão desde opções mais racionais, como Peugeot e-208, Opel Corsa-e e Renault Zoe, até alternativas mais “emocionais” ou aspiracionais, como Honda E, Mazda MX-30 e o novo Fiat 500.
A pergunta, então, é direta: o MINI Cooper SE, agora movido a elétrons, tem argumentos para se destacar e conquistar seu espaço como os MINI a hidrocarbonetos? Hora de colocá-lo à prova.
Personalidade marcante
No visual, as diferenças entre o Cooper SE e os “irmãos” com motor a combustão são discretas. Acredito, inclusive, que muita gente cruza com ele na rua sem notar que se trata de um elétrico.
Ainda assim, mesmo com uma silhueta já familiar nas nossas vias, o MINI conserva um desenho que costuma nos colocar no centro das atenções por onde passamos.
Por dentro, a impressão é de referência: a qualidade geral é alta - e, neste aspecto, dentro do segmento, Honda E e Mazda MX-30 acabam sendo os adversários mais próximos. A ergonomia também merece elogios, com a MINI mantendo alguns comandos físicos especialmente intuitivos no uso diário.
Já o espaço interno segue o que se espera de um carro cujo fabricante se chama… MINI.
Na frente, dois adultos viajam com conforto. No banco traseiro, cabem bem passageiros de até 1,80 m de altura, embora o acesso a essa segunda fileira não seja exatamente dos mais fáceis.
Para completar, o porta-malas de 211 l é limitado, mas ainda assim supera os 171 l do Honda E e os 185 l do Fiat 500.
Elétrico, mas ainda um MINI ao volante
Logo no começo falei sobre o “ADN MINI” e, como seria de esperar, uma parte importante desse “código genético” aparece sempre que pegamos o volante de um modelo da marca.
Vamos aos números, que são o que diferencia o Cooper SE de forma definitiva dos rivais mais próximos. Com 184 cv e 270 Nm, ele não tinha como decepcionar em desempenho: vai de 0 aos 100 km/h em 7,3s - cerca de dois segundos mais rápido do que os outros elétricos citados.
No dia a dia, a entrega imediata de torque ajuda a largar na frente em qualquer semáforo. E, ao selecionar o modo “Sport”, as respostas chegam a ficar um pouco “intempestivas”, a ponto de surpreender passageiros menos atentos.
Com esse torque instantâneo, é natural que a gente seja puxado a explorar o lado dinâmico do Cooper SE - e a boa notícia é que ele parece preservado. Entre os elétricos, é o que mais se aproxima de um verdadeiro hot hatch…
A direção é precisa, direta e tem o “peso certo”, o que faz do Cooper SE uma das opções mais gostosas de dirigir no segmento. Isso ficou claro quando me peguei repetindo passagens na mesma sequência de curvas como se fosse “mais uma voltinha no carrossel”.
A agilidade também merece destaque, tornando a proposta britânica uma “arma ideal” para circular em grandes cidades com rapidez e eficiência.
E fora da cidade, como se comporta?
Com as qualidades típicas de um MINI já comprovadas, fica a dúvida: este é um carro apenas para uso urbano? Afinal, tanto o Honda E quanto o Mazda MX-30 deixam bem clara a preferência por trajetos na cidade.
Aqui, não adianta “inventar”. Com uma bateria de 32,6 kWh - 28,9 kWh líquidos - e autonomia declarada entre 226 km e 233 km, o Cooper SE não é um candidato a estradeiro. Para esse perfil, as alternativas mais racionais de Peugeot, Opel e Renault são escolhas mais adequadas.
Mesmo assim, na prática, durante uma semana eu o utilizei como meu único carro, totalizando 200 km diários - e devo dizer que boa parte disso não foi em ambiente urbano.
Para conseguir isso, precisei recorrer ao modo “Green+”, que só merece elogios por tentar “esticar” a autonomia sem transformar a condução em algo letárgico.
Com o tempo, fui notando que a autonomia estimada pelo computador de bordo era mais pessimista do que otimista e que, entre recargas, dava para rodar mais quilômetros do que o previsto inicialmente.
É claro que, para tirar o Cooper SE da cidade, é melhor planejar o deslocamento. Por outro lado, ter uma bateria menor também significa menos tempo na tomada - algo que pude comprovar na prática.
Consumos médios de 12,5 kWh/100 km são viáveis, aproveitando tanto a boa gestão do conjunto de baterias quanto os dois modos de regeneração de energia: um permite “andar à vela” e o outro quase nos faz “esquecer” o freio.
Aumentando o ritmo, os números também sobem, chegando a 15,8 kWh/100 km - ainda assim, um resultado bem razoável.
É o carro certo para você?
Seja elétrico, a gasolina ou a diesel, um MINI sempre foi pensado especialmente para quem gosta de dirigir - e o novo MINI Cooper SE não foge à regra.
Divertido e ágil, o Cooper SE surge como uma das melhores opções do segmento para quem quer “abraçar” a mobilidade elétrica, mas não pretende passar a conduzir um carro que sirva apenas para ir do ponto A ao ponto B.
E, diante de outros modelos que apostam forte na imagem, como Honda E e Mazda MX-30, o MINI Cooper SE acaba se mostrando um pouco mais versátil: apesar das limitações naturais do tamanho da bateria, ele ainda permite ir um pouco mais longe do que as duas propostas japonesas.
No fim, e respondendo à pergunta que guiou este teste, após uma semana ao volante do MINI Cooper SE posso dizer sem hesitar: sim, valeu a pena eletrificar o MINI, porque essa solução mecânica combina perfeitamente com o caráter urbano do modelo britânico.
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