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Preços do petróleo e do GNL disparam após ataques ao Irã: Brent acima de 80 dólares, GNL +50%

Navio cargueiro preto e vermelho navegando em canal próximo a costa arenosa com outros dois barcos atrás.

Estamos diante de uma escalada nos preços das matérias-primas que pode se prolongar. Na manhã desta segunda-feira, as cotações disparam - inclusive as do gás natural liquefeito na Europa, com alta superior a 50%.

Gás natural liquefeito (GNL) e QatarEnergy: salto acima de 50%

Atualização em 02/03/2026 às 14h50: o preço do gás natural liquefeito (GNL) europeu avançou mais de 50% depois que a estatal de energia do Catar, a QatarEnergy, anunciou a paralisação de seus dois principais centros de processamento, após um ataque de drones iranianos. Depois de subir 20% nas negociações da manhã, em contratos a 38 dólares, a cotação do gás liquefeito agora ultrapassa os 47 dólares.

Preços do petróleo: Brent e WTI sob pressão

No caso da evolução dos preços do petróleo (Brent em alta de 9%, WTI de 7%), o grau de preocupação com o abastecimento vai depender do desenrolar do cenário. Se o conflito no Oriente Médio se estender, os preços podem disparar. Isso também tende a atingir o crescimento e a provocar uma nova rodada de inflação, como no choque que veio após a guerra na Ucrânia. Há três anos, a invasão russa também empurrou o contrato TTF do gás natural para além de 350 dólares.


Artigo original: era algo aguardado e agora virou fato: o petróleo sobe com força nesta segunda-feira, 2 de março, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Com a possibilidade de o confronto se arrastar, o barril do Brent, referência do petróleo, passou rapidamente de 80 dólares (78 dólares no momento em que este texto é escrito).

Como reflexo, o preço do gás na Europa abriu em alta de 22%, com base no TTF da Holanda. As exportações de gás natural liquefeito, principalmente as vindas do Catar, devem enfrentar grandes dificuldades, o que pode restringir a oferta. Ainda assim, por enquanto é preciso colocar esse movimento em perspectiva: uma única onda de frio na Europa pode produzir uma alta semelhante, como ocorreu em fevereiro passado, quando o futuro do TTF também disparou para 39 dólares.

Estreito de Ormuz: navegação, seguros e rotas

O clima, claramente, não é de otimismo nesse mercado. Após o Irã atacar dois navios no domingo, nas proximidades de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, a Organização Marítima Internacional (OMI) pediu às companhias de navegação “evitarem a região”, segundo a BFM. A orientação foi rapidamente seguida pelos principais operadores, que suspenderam a passagem pelo local. Na Arábia Saudita, uma grande refinaria da Saudi Aramco (unidade de Ras Tanur) também foi atingida por bombardeios na manhã de segunda-feira.

De acordo com Les Échos, as seguradoras já reagiram cancelando as coberturas contra risco de guerra para navios que atravessam o estreito de Ormuz. Os valores para renegociar essas apólices estão disparando e passaram de 0,25% para 0,375% do valor das embarcações. O aumento é particularmente crítico para petroleiros que frequentemente valem mais de cem milhões de dólares, enquanto portos israelenses enfrentam uma inflação semelhante.

Apesar disso, a Europa não é a região mais dependente do estreito de Ormuz para suas importações, em comparação com outras partes do mundo. Em média, essa dependência é estimada em 18%, contra 50% para China e Índia, 65% para a Coreia do Sul e 72% para o Japão.

Um risco para Donald Trump?

Em termos práticos, a navegação pelo estreito de Ormuz - por onde passa quase 20% do consumo global de petróleo - está praticamente paralisada, acrescenta a BFM. Esse quadro alimenta os piores temores. O Eurasia Group avalia “que, em caso de interrupção prolongada das entregas via Ormuz, o petróleo bruto poderia rapidamente subir até 100 dólares o barril (…) especialmente em caso de ataques contra as instalações petrolíferas na região”. Esse patamar não era visto desde a invasão russa da Ucrânia, que desferiu um duro golpe na economia global.

O efeito no comércio é imediato: a Maersk já está desviando sua frota pelo Cabo da Boa Esperança, o que adiciona quase dez dias ao percurso. Les Échos relata que o custo de fretamento de um superpetroleiro rumo à China explodiu e agora chega a 225 000 dólares por dia, contra 33 000 dólares no início de 2026. O Irã, portanto, decidiu fechar esse gargalo estratégico por onde também circula gás natural liquefeito.

Diante da turbulência - e provavelmente com a intenção de acalmar os mercados - os integrantes da Opep+ (incluindo Arábia Saudita e Rússia) decidiram no domingo elevar suas cotas de produção, fixando-as em 206 000 barris por dia em abril.

Isso, porém, não é suficiente para tranquilizar Charu Chanana, da Saxo Markets. Citada pelo Le Parisien, a especialista afirma: “Com toda a região do Golfo sendo afetada, a dissipação desse prêmio de risco geopolítico pode levar tempo, sobretudo considerando o papel central da região no abastecimento energético mundial”.

Essa dinâmica pode, inclusive, se mostrar uma ferramenta econômica muito poderosa para o Irã. Embora o petróleo seja uma das principais fontes de receita do regime, preços elevados tendem a pressionar Donald Trump, que sabe como o eleitorado americano é sensível a esse tema. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, ele pode buscar encurtar os combates caso a tensão nesse mercado aumente demais.

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