A Toyota seguiu no comando das vendas globais, enquanto sua rival histórica, a Volkswagen, ficou praticamente no mesmo patamar em 2025. No Japão, a montadora foi a única entre os grandes fabricantes a conseguir atravessar o período sem afundar. Já a Nissan deu sinais de vulnerabilidade ao perder fôlego no seu mercado mais importante, a China.
Recorde da Toyota em 2025 e liderança global
Ao encerrar 2025, a Toyota registrou alta de 4,6% nas vendas, chegando a 11,3 milhões de unidades. O resultado chama a atenção por ser um recorde obtido em um cenário complicado, tanto nos Estados Unidos (por causa de tarifas de importação) quanto na China (com a pressão competitiva de marcas como a BYD). Seu principal modelo, o RAV4, também aparece como o carro mais vendido do mundo.
Considerando o grupo como um todo, a Toyota terminou o ano como a maior fabricante de automóveis do planeta. Na conta entram as vendas da marca Toyota (associada à reputação de confiabilidade), além da divisão premium Lexus, da Daihatsu e dos caminhões da Hino Motors. É o sexto ano consecutivo em que a empresa japonesa ocupa o topo do ranking.
Em 2024, a Toyota havia tido uma leve queda, mas ainda assim manteve a liderança, com 10,8 milhões de veículos. Já 2025 se parece mais com 2023, quando foram 11,23 milhões de unidades, um avanço de 7,2% em relação a 2022. Antes da COVID, a empresa já havia superado a marca de 10 milhões em outras temporadas, como 2017 (10,38 M), 2018 (10,59 M) e 2019 (10,74 M).
Toyota na frente da Volkswagen e único japonês a ir bem
A Toyota manteve distância sobre a Volkswagen. O grupo alemão continuou em segundo lugar, com vendas praticamente estáveis ao longo do ano (queda de 0,5%), totalizando 8,98 milhões de veículos.
No mercado japonês, a Toyota foi exceção: a Nissan recuou (-4,4%) para apenas 3,2 milhões de carros vendidos, após uma baixa de 6,3% na China. Um pouco acima, por poucos milhares de unidades, a Honda também caiu 9%, fechando em 3,4 milhões de veículos.
Híbridos, elétricos e o peso de Daihatsu e Hino no total
O detalhamento de 2025 mostra que a Toyota vendeu 4,7 milhões de carros híbridos no mundo, mas somente 200.000 veículos 100% elétricos no mesmo período.
Também fica claro que a contribuição da Daihatsu - sua marca de microcarros, os "kei cars" - não é muito grande em volume, assim como a da Hino Motors no segmento de caminhões. Sem essas duas operações, a Toyota já informaria 10,53 milhões de unidades vendidas.
Toyota nos Estados Unidos: mercado preservado por produção local
Os Estados Unidos também foram um mercado em expansão para a Toyota, com crescimento de 8% nas vendas (aproximadamente um quarto do total global). Isso ocorreu mesmo com os carros japoneses sendo afetados por sobretaxas de 25% entre abril e setembro, impostas pelo governo Trump em Washington. Depois, o quadro melhorou, mas a tarifa de 15% ainda ficou bem acima dos 2,5% observados um ano antes.
A montadora conseguiu sustentar o desempenho porque uma parcela grande dos seus veículos foi fabricada localmente. Do total de 2,93 milhões de Toyota emplacados nos EUA, apenas 615.000 unidades vieram de importação (mesmo assim, um aumento de 14,2%). Para seguir aproveitando a demanda americana sem sofrer penalidades, a Toyota elevou em 10% o ritmo de produção nas suas fábricas no país.
A Toyota deve detalhar ao fim do seu exercício fiscal (março de 2026) o impacto das tarifas sobre as vendas. Em novembro, a empresa estimou em 9,7 bilhões de dólares o custo total em 12 meses - números que, ao que tudo indica, tendem a ser revisados para baixo.
Trata-se de um valor elevado, mas ainda assim não deveria superar o impacto observado na concorrente Hyundai Motor, na Coreia do Sul, cujo lucro operacional já foi fortemente afetado (2,87 bilhões de dólares). E o cenário não promete melhora, já que o presidente americano Donald Trump ameaçou voltar com a alíquota de 25% para o país, após ter suspendido a taxa em novembro de 2025.
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