A esquistossomose genital feminina (FGS, na sigla em inglês) é transmitida pelo contato com água doce contaminada, onde o verme consegue sobreviver. Depois da infecção, o parasita pode elevar o risco de doença ginecológica crônica em mulheres, além de aumentar a vulnerabilidade ao HIV e ao câncer do colo do útero, segundo um estudo em Medicina Tropical.
O que é a esquistossomose genital feminina (FGS)
Calcula-se que a esquistossomose genital feminina afete cerca de 40 milhões de mulheres no mundo, com maior concentração na África Subsaariana. Ainda assim, há o reconhecimento de que muitos casos podem estar passando despercebidos, já que a condição aparece pouco - ou não aparece - na rotina dos serviços de saúde reprodutiva.
A doença ocorre quando ovos do parasita ficam retidos nos tecidos do sistema reprodutivo. Esse processo pode desencadear diferentes problemas ginecológicos e provocar inflamação, lesões e cicatrizes.
Impactos ginecológicos e relação com HIV, HPV e câncer do colo do útero
Essas sequelas podem contribuir para aumentar a suscetibilidade a infecções como HIV e HPV (vírus do papiloma humano), principal causa do câncer do colo do útero.
Estudo na The Lancet e propostas para melhorar diagnóstico e cuidado
As conclusões vêm de um estudo conduzido pela Escola de Medicina Tropical de Liverpool, por uma equipe de Londres e pelo Programa Malawi-Liverpool, publicado na revista "The Lancet". O trabalho sustenta que é urgente incluir a investigação desse parasita nos serviços de saúde sexual e reprodutiva e também nos planos de prevenção de HIV e de câncer do colo do útero.
Entre as recomendações, os autores propõem a realização conjunta de testes de HPV e FGS a partir de uma única amostra genital. Na avaliação dos pesquisadores, ações desse tipo podem aprimorar o diagnóstico e ampliar o acesso ao tratamento.
A autora sênior do artigo e professora de Doenças Infecciosas Globais em Pediatria e Adolescência destaca, em comunicado, que a "esquistossomose genital feminina continua a ser uma das doenças ginecológicas mais negligenciadas que afetam mulheres e raparigas em África". Amaya Bustinduy reforça que, "apesar da dimensão do problema, continua a ser sistematicamente ignorada tanto nos programas de doenças tropicais negligenciadas como nos serviços mais abrangentes de saúde sexual e reprodutiva".
"Nas regiões endémicas, as fontes de água partilhadas por mulheres em risco de FGS e por animais infetados favorecem provavelmente ciclos de transmissão zoonótica, o que reforça a necessidade de explorar estratégias integradas de controlo baseadas no conceito "Uma Só Saúde", que articula a saúde humana, animal e ambiental", afirmam as conclusões do estudo agora divulgado (que pode ler no original aqui), defendendo uma leitura multidisciplinar das vias de transmissão. Vale lembrar que a FGS é causada pelo verme Schistosoma haematobium e que o parasita é transmitido por meio do contato com água doce contaminada.
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