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Mercedes GLC: perguntas e respostas completas

Carro SUV Mercedes-Benz marrom em movimento em via urbana com céu azul e nuvens ao fundo.

Já não vimos esse lançamento antes?

Parece repetição, mas não é. A Mercedes colocou no mercado dois crossovers - o GLE e o GLE Coupé - há apenas cinco semanas. Só que este aqui é mais um integrante da família: o GLC. Ele fica um degrau abaixo do GLE em tamanho e nasce sobre a plataforma do Classe C. Na prática, entra na mesma faixa de porte e preço de um BMW X3. E, antes das piadas inevitáveis: para quem tem 30 e poucos, a sigla pode lembrar o grupo galês de rap cômico Goldie Lookin' Chain; para quem está nos 40 e tantos, remete ao velho pesadelo da Maggie, o Greater London Council.

O que é o Mercedes GLC e onde ele se encaixa

Então ele não substitui nenhum Mercedes já existente?

Para quem vive no Reino Unido - e, do mesmo modo, na Austrália e em outros mercados com volante à direita -, não. Em outros países existiu o GLK, mas ele não foi vendido aqui porque partes da transmissão do 4x4 acabariam interferindo na coluna de direção de carros com volante à direita. A nova arquitetura, junto de um câmbio de nove marchas com carcaça desenhada sob medida, elimina essa incompatibilidade e viabiliza o modelo tanto para um lado quanto para o outro da via.

Qual é o grande diferencial (USP) do GLC?

Dá para listar alguns. Um deles é justamente o câmbio de nove marchas. Outro: nesta categoria, ele é o único crossover que pode ser equipado com suspensão a ar. Além disso, assim como o Classe C que lhe deu origem, há bastante alumínio na carroceria e no chassi, o que ajuda a manter o peso sob controle. E, por ser Mercedes, dá para configurar nele praticamente todo o arsenal de segurança e de assistências semiautônomas que você encontra em um Classe S.

Mecânica, condução e capacidades (on/off-road)

Como ele se comporta ao volante?

Ele entrega uma experiência típica de Mercedes. A construção é caprichada, a sensação é de solidez de cofre, e o conjunto transmite calma: relaxante, seguro, confortável e até acolhedor. Só não é aquele carro que fisga pelo envolvimento logo de cara.

Então não entra nessa onda dos “crossovers esportivos”?

O que mais chama atenção no avanço do carro não é a rapidez, e sim o silêncio. No Reino Unido, há apenas duas opções de motor. Os emblemas são GLC 220 d e GLC 250 d. Os dois usam o conhecido diesel 2.1-litro da marca, sempre com tração nas quatro rodas e câmbio automático. As potências são 170bhp e 204bhp, respectivamente, mas a diferença prática não é enorme. Nos números, dá 8.3 segundos até 100 km/h contra 7.6 segundos - e é mais ou menos isso que você percebe dirigindo.

Esse mesmo motor pode soar bem áspero no Classe C. No GLC, ele fica bem mais contido, a menos que você leve o giro ao limite. Já o câmbio troca entre suas várias relações com uma suavidade quase impossível de notar, como um ladrão no meio da noite.

E o acerto de chassi é macio?

Ainda não testámos a suspensão de molas helicoidais, mas com a suspensão a ar, sim. O rodar é macio e silencioso, sem que a carroceria fique “solta”: o controle de amortecimento é bom. Aquelas quicadas típicas de SUV nas rodas também não aparecem - e isso é um alívio.

As respostas no volante vêm de forma gradual e previsível, mais contida do que ágil ou direta. Mesmo assim, o GLC não se desmancha quando você mantém um bom ritmo numa estrada sinuosa. Só quando você o atira em curvas bem fechadas é que surge a impressão de que os pneus viraram alcaçuz - e isso já com o modo Sport ativado.

Ele encara fora de estrada?

Sim. Se você sair do caminho, o GLC tende a deixar X3 e Q5 parados logo no primeiro ressalto mais chato. O comportamento lembra mais um Discovery Sport. Eu andei num exemplar com o pacote off-road, que acrescenta várias configurações úteis para os sistemas de tração (não há diferenciais com bloqueio) e também proteção inferior.

Com a suspensão a ar, ele ainda consegue elevar a altura para vencer obstáculos. A carroceria, por sinal, passa uma sensação de robustez impressionante: não ouvi nenhum estalo ou rangido de torção, mesmo quando rodas opostas alternavam ficando cerca de 30 cm no ar.

Cabine, equipamentos e preços

É um lugar agradável para passar tempo?

Bastante. O interior segue a linha do Classe C, ou seja, tem elegância e aspecto sólido. A ergonomia também é excelente. Em contrapartida, painel e forrações de porta parecem volumosos além do necessário. Isso pode reforçar a sensação de casulo seguro que muitos compradores de SUV procuram, mas eu preferiria um pouco mais de percepção de espaço. Ainda assim, o espaço real para quem vai na frente e atrás vai de bom a generoso.

É mais um Mercedes com aquele preço “reconfortantemente caro”?

A versão de entrada 220 d custa £34,950. Só que nem assim ela traz navegação. O mais provável é você querer somar £2495 pelo pacote Sport, que inclui faróis de LED, navegação Garmin, bancos aquecidos, acabamento interno mais caprichado (freixo preto fosco e iluminação ambiente) e sistema de estacionamento automático.

O 250 d custa pouco mais de mil libras a mais. Em ambas as versões, os números oficiais são 56.5mpg e 129g/km.

Se agora dá para ter esse modelo com volante à direita, por que não um Classe C com tração integral?

Sim, vai acontecer. Quando o Classe C receber o câmbio de nove marchas mais para o fim deste ano, 4Matic e volante à direita finalmente vão conviver sem conflito.

Só mais uma: não existia um conceito de GLC Coupé?

Existia - e ele vai virar carro de produção, pronto para enfrentar Evoque e X4.

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