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Petrobras e CNPq firmam parceria para 1.500 bolsas de iniciação científica a estudantes negras no Ensino Médio

Jovem estudiosa usando microscópio em laboratório com livros, foguete de brinquedo e frascos coloridos na mesa.

Para muita gente, o interesse por ciência começa na escola - mas nem sempre as oportunidades chegam a todas as estudantes da mesma forma. É nesse ponto que entra a nova parceria entre a Petrobras e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), criada para abrir portas para meninas negras ainda no Ensino Médio.

O acordo prevê 1.500 bolsas de iniciação científica para estudantes negras ao longo dos três anos do Ensino Médio, com investimento de aproximadamente R$ 32 milhões da Petrobras. A proposta é aumentar a presença de jovens pretas e pardas em carreiras ligadas às áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês).

O programa será voltado a alunas do Ensino Médio regular em situação de vulnerabilidade social e busca incentivar a formação de novos talentos para pesquisas relacionadas ao desenvolvimento da indústria de óleo, gás e energia no Brasil.

O monitoramento do projeto vai considerar indicadores como frequência escolar, desempenho, produtividade e evasão, para medir os impactos educacionais e científicos da iniciativa na trajetória dessas estudantes.

Projeto busca ampliar presença feminina negra em STEM

A criação do Projeto Inspiração se baseia em um diagnóstico sobre os obstáculos da formação em STEM no Brasil, marcada por dificuldades de aprendizagem, abandono escolar e baixa participação de estudantes em cursos vistos como estratégicos para inovação e desenvolvimento tecnológico.

Dentro da iniciativa, as estudantes selecionadas receberão uma bolsa auxílio mensal de R$ 550 durante o Ensino Médio. Ao longo do programa, elas deverão montar currículo na Plataforma Lattes, produzir artigos científicos e apresentar seus trabalhos todos os anos.

O CNPq será responsável por lançar um edital para universidades interessadas em desenvolver pesquisas conectadas aos temas do projeto. As linhas de investigação deverão estar alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Entre os assuntos previstos estão inovação, produção de energia sustentável, tecnologias aplicadas à indústria de energia, soluções para melhorar a vida das pessoas e as transformações do planeta ao longo do tempo.

Iniciativa poderá alcançar comunidades próximas às unidades da Petrobras

Segundo a Petrobras, o Projeto Inspiração tem potencial para beneficiar mais de 700 comunidades localizadas no entorno das unidades da companhia, distribuídas em 141 municípios de 16 estados brasileiros.

A ação também faz parte de um projeto de pesquisa desenvolvido pelo Centro de Pesquisa da Petrobras sobre mobilização e inclusão de jovens nas carreiras STEM. O estudo busca propor uma política de inclusão para jovens em situação de vulnerabilidade, dentro das iniciativas ligadas à Transição Energética Justa.

A ideia é mapear medidas para enfrentar desigualdades que também se refletem no quadro profissional da própria empresa.

Entre os profissionais de carreira STEM da Petrobras, 87% são homens. Do total de profissionais dessas áreas, 32,75% se autodeclaram pretos ou pardos. Entre as mulheres, 1,19% são pretas e 3,38% são pardas, totalizando 4,57%.

Brasil enfrenta desafios na formação em ciência e tecnologia

As áreas de STEM são vistas como essenciais para inovação, produtividade e competitividade econômica. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) apontam que, apesar de avanços no acesso à educação, o país ainda lida com problemas ligados à qualidade do aprendizado, evasão e formação de profissionais em volume compatível com as demandas da transformação digital.

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022 mostram que o Brasil ficou na 65ª posição em Matemática e na 61ª em Ciências entre 81 países avaliados.

De acordo com os dados, 73% dos estudantes brasileiros avaliados ficaram abaixo do nível básico em Matemática e 55% não atingiram o nível básico em Ciências. Menos de 3% alcançaram os níveis mais altos em Matemática e menos de 6% em Ciências.

No Ensino Técnico e Superior, o quadro também traz desafios. Entre os graduados brasileiros, 15,6% concluem cursos relacionados às áreas STEM, índice que coloca o país na 47ª posição entre 48 países analisados.

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