As vans de passageiros derivadas de veículos comerciais leves de carga vêm se consolidando tanto como uma espécie de herdeiras dos antigos MPV quanto como um dos últimos territórios onde o motor a diesel ainda resistia. No caso de Citroën, Opel e Peugeot, porém, essa alternativa deixou de estar disponível.
O que muda para Citroën, Opel e Peugeot na União Europeia
Com efeito imediato, para clientes pessoa física, os Citroën Berlingo, Jumpy Combi e SpaceTourer; Opel Combo Life, Vivaro Combi e Zafira Life; e Peugeot Rifter, Expert Combi e Traveller passam a ser oferecidos na União Europeia apenas com motorização elétrica.
De acordo com os diretores-executivos das três marcas, a medida tem como objetivo garantir a viabilidade futura desses modelos no mercado europeu.
Versões a combustão permanecem para profissionais e fora da UE
Já as configurações de mercadorias (voltadas a clientes profissionais) continuarão disponíveis com motores a combustão. E, fora do território da UE - como na Suíça ou em alguns países dos Bálcãs -, as versões de passageiros desses comerciais seguirão sendo oferecidas também com motores térmicos.
«Culpem» as emissões
Embora Citroën, Opel e Peugeot apontem o foco crescente na eletrificação como justificativa, também pesa o fato de essas vans de passageiros entrarem no cálculo agregado das emissões de CO2 de automóveis de passeio das três marcas, o que pode ter acelerado a decisão.
Menos «supercréditos» a partir de 2022
Afinal, em 2022, os «supercréditos» concedidos às marcas pela venda de modelos com menos de 50 g/km de CO2 (isto é, inclui elétricos e a maioria dos híbridos plug-in) caíram de um efeito multiplicador de 1,67 em 2021 para apenas 1,33 neste ano.
Na prática, isso quer dizer que, na conta das emissões de CO2 de cada fabricante, cada veículo vendido em 2022 com menos de 50 g/km de CO2 vale como se fossem 1,33 veículos (existe um limite máximo do benefício de redução das emissões de CO2 de 7,5 g/km por fabricante). Este é o último ano de validade desses «supercréditos».
Por isso, não chega a ser surpreendente que as três marcas do grupo Stellantis tenham aberto mão dos motores a combustão nas versões de passageiros desses modelos. Isso acontece porque veículos comerciais leves de carga têm metas de redução de emissões diferentes das de automóveis de passeio e, pelo próprio tipo de veículo, essas vans tendem a consumir mais e, consequentemente, emitir mais.
Isso foi reforçado pela Citroën ao lembrar: “A eletrificação é uma questão particularmente sensível para o futuro dos MPV (…) o seu formato e o seu peso fazem com que consumam mais combustível”.
Apesar de as vendas desses modelos terem sido relevantes em 2021, só uma fatia pequena das unidades emplacadas era elétrica - possivelmente por conta do preço mais alto cobrado nas variantes movidas a eletricidade.
Resta ver como o mercado vai responder à decisão das três marcas da Stellantis e se a Fiat seguirá o mesmo caminho com os recém-revelados Scudo e Ulysse («primos» dos Citroën Jumpy Combi e SpaceTourer; Opel Vivaro Combi e Zafira Life; e também Peugeot Expert Combi e Traveller).
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