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Novo Ford Mondeo: vale a espera?

Carro Ford vermelho em movimento em estrada sinuosa cercada por árvores e vegetação.

Por que o novo Ford Mondeo demorou tanto

Um novo Mondeo, é? Um carro que tinha simplesmente sumido do mapa.

Sim. Ele apareceu pela primeira vez em Detroit, em janeiro de 2012, mas com o nome Fusion, como parte da nova geração global da Ford - feita para ser vendida em vários mercados. Por lá, começou a ser comercializado ainda naquele ano. Para nós, não.

Não era para chegar imediatamente, porque o Mondeo anterior tinha apenas cinco anos de mercado naquela altura.

Só que depois veio um obstáculo maior. As vendas de automóveis na Europa despencaram com a recessão, e a Ford ficou com fábricas em excesso. A unidade na Bélgica, onde o Mondeo era produzido, foi fechada, e a fabricação passou para a planta na Espanha. Esse processo levou tempo. Assim, só em janeiro de 2015 - três anos inteiros após a estreia - é que o carro passa a estar efetivamente à venda por aqui.

Pergunta óbvia, mas necessária: valeu a espera?

Ele não aparenta estar ultrapassado e, em termos de tecnologia, também não ficou para trás.

Então chegou “na hora certa”?

Nem tanto. Por melhor que seja, o centro das atenções já mudou. Sedãs grandes como este já foram sucesso de vendas, mas cada vez mais gente migra para SUVs ou para modelos premium um pouco menores, como BMW Série 3 e Audi A4. Para reagir, a Ford vai colocar acima do Kuga um SUV grande próprio. Chama-se Edge e chega no ano que vem.

Chega de SUV. Fala do Mondeo.

Design e carroçaria do Ford Mondeo

Desculpa. A grade grande com acabamento cromado e os faróis estreitos criam um rosto novo e mais elegante, e a linha do teto descreve uma queda longa e rápida até a traseira. Vincos marcantes no capô e nas laterais deixam claro que toda a carroçaria é inédita.

Embora seja um “carro global” e o desenvolvimento mecânico tenha sido feito nos EUA, o desenho nasceu na equipe europeia. No Reino Unido, ele é oferecido como hatch e como perua. Visto de trás, a perua não mudou tanto assim - fazer o quê, ela nunca foi um sofrimento visual. Há também um sedã de quatro portas, mas no Reino Unido ele só existe com o conjunto híbrido.

E por baixo da pele?

A distância entre-eixos é a mesma do modelo anterior, então o espaço interno não muda muito. A estrutura foi reforçada e, ao mesmo tempo, aliviada; ainda assim, o peso total fica praticamente igual depois de somar os novos equipamentos.

A suspensão é completamente nova, com um sistema traseiro multilink mais sofisticado no lugar do antigo arranjo “control-blade”. Há também várias peças caras de alumínio fundido na suspensão, um sinal de que a Ford ainda leva a dinâmica a sério.

Ao volante: conforto, comportamento e dinâmica

Certo, mudou bastante. Na prática, ele parece outro carro?

De início, ele passa a sensação de um grande barco macio - no melhor sentido. A suspensão “desliza” e devora irregularidades como se fosse passatempo, com menos ruído de pneus e menos aquele “toc-toc” seco de impacto do que os alemães mais esportivos.

Dentro do papel de devorador de estrada na faixa da direita (ou da esquerda, quando dá), ele se mantém firme entre as faixas, com um silêncio líder da categoria.

Mas, passada a primeira impressão de suavidade, dá para notar rapidamente o trabalho da Ford quando chegam as curvas. Ele entra nas dobras com uma confiança agradável, resistindo bem ao subesterço. Apesar do conforto isolante em linha reta, o motorista recebe informações suficientes: dá para perceber quando a aderência está indo embora. E, nessa altura, o ESP ainda permite ajustar a trajetória no acelerador.

Só que ele não é “amarrado” e ágil como um Focus: com molas e amortecedores padrão, a carroçaria flutua um pouco. Existe um conjunto opcional de amortecedores adaptativos no continente que mantém tudo mais sob controle, mas, no Reino Unido, fomos considerados indignos - eles não aparecem na lista de preços. Sem esse recurso, infelizmente, o Mondeo perde parte daquela ponta de afiação ao dirigir que já foi sua marca.

Motores, versões e desempenho

Tem motor novo?

Todos passaram por revisão. O gasolina de entrada é um 1.5 turbo novo, com 160bhp. Dá conta do recado por pouco: trabalha com força no meio do giro e sobe liso até 6500rpm - o que é bom, porque você vai acabar usando segunda e terceira com frequência se quiser ultrapassar em subida.

O diesel 2.0, com 150 e 180bhp, deve ser o pilar da gama. Eu dirigi o de 180, e ele é refinadíssimo, no mesmo nível dos melhores motores novos de rivais como Volvo e BMW.

O outro que testei foi o híbrido. Ele combina um 2.0 aspirado com um CVT de dois motores e divisão de potência, semelhante em princípio ao sistema da Toyota. A potência total é 187bhp. Ele traz o efeito típico de CVT: em carga leve, vai cantarolando numa boa, mas, quando você enterra o pé, vira um berro considerável.

Por outro lado, se você for extremamente suave, dá para ficar por períodos surpreendentes rodando só no modo elétrico. Isso torna o carro especialmente civilizado quando a rotina é cidade e periferia, e a classificação de 99g/km de CO2 é interessante para impostos. Já em estradas do interior, ele não acompanha se a ideia for explorar o bom chassi.

Ainda existe um 1.6 diesel de 115bhp para ficar abaixo de 100g/km, e uma opção de 240bhp com o 2.0 turbo a gasolina do Focus ST para quem tem pressa.

Em alguns meses, o Mondeo passa a oferecer o tricilíndrico 1.0 Ecoboost - campeão de vendas da Ford - numa ponta da gama, e um diesel biturbo de 210bhp na outra.

A tração integral também está pronta para o ano que vem. Com o diesel biturbo, pode virar um carro de inverno bem rápido.

Interior e tecnologia

E por dentro, como é?

Ele é grande o suficiente e bem confortável. A partir do Titanium (faixa intermediária) para cima, o painel de instrumentos é virtual, com telas TFT. E todas as versões recebem uma grande tela sensível ao toque no centro, com ótima integração de telefone e música - o que deixa barata a atualização com navegação.

Infelizmente, o ângulo da tela está longe do ideal (pouco vertical), e ela reflete quando há sol.

A almofada do assento é um pouco macia e plana - denunciando a herança americana -, mas, no conjunto, a cadeira sustenta bem o corpo. Há pontos em que os plásticos internos não chegam ao nível de um VW, mas os preços competitivos compensam.

O mais importante é que a engenharia básica e o refinamento do Mondeo passam sensação de produto caro, e isso vale muito mais do que alguns trechos mais ásperos no console central.

Você falou em tecnologia. Está mesmo atual?

Existe um pacote opcional de segurança com controle de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma, capaz de detectar não só veículos, mas também pedestres.

As telas TFT deixam o ambiente com ar moderno e, por fora, dá para ter faróis full LED adaptativos com setas sequenciais “varrendo”. Os cintos traseiros infláveis são uma opção de segurança nova que vale considerar se você costuma levar gente querida atrás; a ideia é ajudar a evitar que quebrem as costelas no cinto numa batida grande.

Preço, rivais e custo-benefício

Mesmo assim, eu preferia um BMW.

Faz sentido - especialmente se você busca um chassi mais firme e o peso do emblema. Só que o Ford permite embolsar uma diferença grande de preço.

Dá para comprar um Mondeo bem equipado e com um motor bem escolhido por cerca de £25,000. O Zetec a gasolina custa apenas £21,045. E os opcionais não são abusivos: rodas de 19 polegadas por £500, navegação por £300, e o pacote de radar com piloto automático adaptativo e frenagem automática por £900.

É uma economia grande diante do que os “três alemães” ou a Volvo costumam pedir.

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