Desde que apareceu, em 2019, o Skoda Kamiq se consolidou rapidamente como uma das opções mais versáteis e espaçosas do disputado segmento dos B-SUV.
E, depois de termos colocado o modelo “em cheque” há cerca de um ano, pelas “mãos” do João Delfim Tomé, chegou a hora de voltar ao menor SUV da Skoda para entender se ele ainda se mantém em boa forma.
Desta vez, o teste foi feito na versão Style e com o menor motor da linha, o 1.0 TSI de três cilindros - aqui na configuração mais forte, com 110 cv - combinado ao câmbio DSG (dupla embreagem) de sete marchas.
É um Skoda, logo tem espaço
Pode soar como “lugar comum” sempre que avaliamos um Skoda, mas a realidade é que a marca tcheca costuma priorizar espaço, praticidade e uso familiar. E com o Kamiq não é diferente - ainda bem.
A impressão que fica é a de um carro maior do que realmente é, e isso aparece claramente tanto na frente quanto, principalmente, no banco traseiro. Ali, dá para levar três adultos, algo de que poucos B-SUV conseguem se gabar.
O aproveitamento do espaço é muito bem resolvido, com soluções pensadas para versatilidade e facilidade no dia a dia. E, mesmo que isso possa sugerir um Kamiq “pragmático demais”, a verdade é que ele está longe de ser um carro sem cuidado.
Por fora, o visual é mais discreto - mesmo no acabamento Style - do que em outros rivais do segmento. Já por dentro, o capricho aparece: há materiais interessantes e um pacote tecnológico bastante satisfatório.
E na estrada?
O que chama atenção logo de cara é como tudo acontece de forma suave. Em seguida, fica evidente o bom trabalho de isolamento acústico, que merece um registro bastante positivo, já que ajuda muito no conforto a bordo deste SUV compacto.
E falar em conforto inevitavelmente leva à suspensão, que filtra muito bem as irregularidades do asfalto e não se mostra excessivamente seca - além, claro, dos bancos.
O carro testado vinha equipado com o Pack Dynamic (opcional de 380 euros), que inclui, entre outros itens, volante multifunções de três raios, detalhes cromados e pedaleiras com acabamento em alumínio, além de bancos com desenho esportivo e ótimo apoio.
São elementos que também reforçam a sensação geral de bem-estar ao rodar com este modelo tcheco.
Três cilindros, 110 cv e DSG
Como mencionei acima, este Skoda Kamiq estava com o já conhecido motor 1.0 TSI a gasolina, turbo, de três cilindros, que neste caso entrega 110 cv de potência e 200 Nm de torque máximo.
Quem administra esse conjunto é o câmbio DSG (dupla embreagem) de sete marchas, que envia a força para as duas rodas dianteiras e combina muito bem com esta motorização e com a proposta do carro.
O resultado é sempre eficiente e bem suave. Mas não dá para pedir grandes “correrias” - nem do câmbio, nem do motor. Ao acelerar mais forte, percebe-se que a resposta não é imediata (e nem seria de esperar), ainda que ele cumpra o 0 aos 100 km/h em 10,2s.
A forma como o conjunto “motor/caixa” trabalha é constantemente progressiva e favorece o tipo de condução mais comum na cidade. Ainda assim, ele não fica preso a esse ambiente. Rodei vários quilômetros em rodovia e me surpreendi com a resposta, sobretudo no quesito conforto.
E os consumos?
Independentemente do “terreno”, o Skoda Kamiq se mostra ágil e agradável de guiar - e com consumos que não assustam.
Na cidade, o melhor que consegui foi algo em torno de 7,5 l/100 km. Já em rodovia, a 120 km/h, esse número caiu para bem perto dos cinco litros.
É o carro certo para si?
Ele pode já não parecer tão “fresco” quanto alguns rivais mais recentes, mas o fato é que o Skoda Kamiq segue entregando uma excelente relação custo/benefício.
É um carro muito prático e não oferece a condução mais envolvente entre os concorrentes - começando pelo “primo” espanhol, o SEAT Arona -, porém se destaca pelo espaço, pela versatilidade e pelo conforto que proporciona aos seus cinco ocupantes.
E vale sublinhar esse “cinco”. Porque o Kamiq não apenas divulga essa lotação: ele realmente a cumpre.
Coloquei três amigos (adultos, de estatura média) no banco traseiro e ninguém reclamou durante os cerca de 150 km que fizemos em rodovia. Acho que isso diz tudo, não?
Poucos B-SUV conseguem fazer isso com tanta naturalidade. E mesmo o porta-malas, que apesar de não ser o maior do segmento, chama atenção pela abertura muito ampla - um detalhe que, às vezes, é tão importante quanto a capacidade em si.
É um SUV pequeno, mas que dá conta das necessidades familiares sem qualquer tipo de problema, o que faz do Skoda Kamiq uma alternativa que sempre vale considerar.
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