A troca de diretores-executivos não mudou os desejos: pelos objetivos do Grupo Renault, dá para ver que a liderança virou, mas a ambição continua a mesma.
Plano estratégico de cinco anos do Grupo Renault
François Provost, o novo diretor-executivo que assumiu após Luca de Meo (em 31 de julho), já está montando um plano estratégico de cinco anos com uma meta direta: transformar a Renault em referência dentro do setor. A iniciativa dá continuidade ao Renaulution, programa lançado em 2021 por Luca de Meo, que ajudou o grupo francês a sair de prejuízos históricos e chegar a lucros recordes.
Previsto para ser apresentado no primeiro trimestre do ano que vem, o plano vai se apoiar em três pilares: mais agilidade, padrões de qualidade mais altos e o lançamento de uma nova geração de modelos tão bons quanto - ou melhores do que - os atuais.
Mais agilidade
Para Provost, a agilidade é o elemento central da próxima etapa de crescimento e um ponto decisivo para enfrentar a concorrência chinesa.
Ele usa como exemplo o novo Renault Twingo, que foi desenvolvido em apenas 21 meses, fruto direto de uma forma de trabalho reformulada. “Eu não acredito que um construtor não-chinês seja capaz de desenvolver a este ritmo”, disse o executivo, reforçando que, num segmento que muda o tempo todo, a rapidez para inovar tende a pesar cada vez mais.
Esse ritmo só foi possível com o ACDC - Advanced China Development Center, o novo centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Renault na China. A estrutura coordenou o projeto do Twingo e encurtou etapas, o que permitiu economizar entre 12 e 18 meses de desenvolvimento.
“Não sei ao certo o que acontecerá em 2035, nem mesmo amanhã de manhã”, concluiu. Por isso, Provost sustenta que a agilidade é indispensável para reagir às incertezas regulatórias, geopolíticas e também às oscilações na cadeia de suprimentos.
Nova geração e qualidade de referência
Na avaliação do executivo francês, a qualidade dos Renault nunca esteve tão alta quanto agora - ainda assim, o objetivo é colocar o grupo no mesmo patamar de “o tipo que serve de referência, que começa por um T”. A menção é, naturalmente, à Toyota, reconhecida há anos pela consistência e robustez de seus produtos.
Sobre a próxima geração, o CEO do Grupo Renault já adiantou que a empresa prepara uma nova plataforma para elétricos compactos, destinada aos sucessores dos atuais Megane e Scenic. Um dos focos será reduzir os custos desses modelos. Provost enxerga espaço para cortar os custos em 10-15% em relação ao novo Twingo, mas ressalta que isso não depende apenas da montadora.
Eletrificação, híbridos e metas de emissões de 2035
Ainda assim, o futuro da Renault não será composto só por elétricos. A estratégia atual de duas plataformas permanece, com arquiteturas diferentes para carros elétricos e para modelos a combustão, mas François Provost não tem dúvida sobre a direção do mercado: “Quem optou por veículos elétricos não vai voltar atrás. Os clientes gostam deles, o problema é o custo”.
Diante desse cenário, o diretor-executivo reconhece que o grupo está analisando soluções avançadas de híbridos plug-in e até elétricos com extensor de autonomia (EREV) como caminho para atender às metas europeias de emissões para 2035: “Uma solução avançada de híbridos plug-in ou de elétricos com extensores de autonomia é algo que temos de considerar para conseguirmos cumprir o prazo das metas de emissões em 2035”, concluiu.
A aposta em híbridos que não precisam ser conectados à tomada - full hybrids - também segue no radar. Até setembro, a Renault era a segunda marca que mais vendeu híbridos convencionais na Europa, com 221 675 unidades, ficando atrás apenas da Toyota (467 741 unidades) e à frente da MG (96 597), de acordo com números da DataForce. A meta, porém, é objetiva: passar a marca japonesa.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário