A Hyundai atravessa um daqueles períodos que fazem a concorrência olhar com atenção redobrada. Em cerca de 15 anos, a marca sul-coreana deixou de ser vista como azarã para se tornar o terceiro maior grupo automotivo do planeta. E, ainda assim, a ambição não para: a Hyundai quer avançar, principalmente na Europa, onde pesos-pesados como Volkswagen e Toyota continuam dominando o ranking de emplacamentos.
Foi exatamente isso que Xavier Martinet, o novo CEO da Hyundai Europa, nos contou em uma entrevista feita pouco antes de a marca apresentar o conceito que antecipa os próximos passos por lá: o Hyundai IONIQ Three.
Neste vídeo, mostramos todos os detalhes e também os bastidores dessa apresentação mundial que promete influenciar os rumos da marca sul-coreana.
Hyundai IONIQ Three: manifesto da Arte do Aço
Quem assistiu ao vídeo completo já entendeu a ideia central. Mais do que um carro de salão, o IONIQ Three funciona como um manifesto. Ele inaugura a nova linguagem de estilo chamada Arte do Aço, que parte do material mais elementar associado à marca - o aço - para chegar a linhas diretas, expressivas e, nas palavras da própria Hyundai, emocionais.
Hyundai IONIQ Three vai mesmo acontecer
É a partir deste conceito que deve nascer o futuro Hyundai IONIQ 3, um crossover elétrico do segmento B que, segundo a fabricante, pode chegar perto de 600 quilômetros de autonomia.
A meta é ousada para um modelo que vai encarar rivais como Renault Megane E-Tech, Cupra Born, BYD Dolphin, Volkswagen ID.3 e MG4, mas há um trunfo importante: ele já deve estrear apoiado na tecnologia amadurecida do “primo” Kia EV3.
A referência ao Veloster não é por acaso
Ao ver o carro ao vivo, é difícil não ter a sensação de familiaridade. Lembra o Veloster? Simon Loasby, chefe de design da Hyundai, não evitou o paralelo: “Tentámos preservar o melhor do Veloster, nomeadamente o perfil da carroçaria. Mas adicionámos um interior espaçoso e soluções práticas para o dia-a-dia. Não queremos um carro de nicho, queremos um carro para todos”, explicou-nos enquanto destacava as principais linhas deste modelo.
Plataforma, motores e baterias esperadas
Se o apelo é emocional, a base técnica parece seguir um caminho bem pragmático. A expectativa é que o IONIQ 3 utilize a plataforma E-GMP de 400 V, com motores de 150 kW (204 cv) e baterias de 58,3 kWh ou 81,4 kWh, exatamente como já acontece no Kia EV3.
Na configuração com a bateria maior, a promessa é alcançar 600 quilômetros de autonomia - um número que, se confirmado, colocará o compacto elétrico no topo do segmento, lado a lado com o novo Kia EV3.
O pão e a manteiga da Europa
Como eu disse no começo, a Hyundai está com as garras afiadas e sabe onde o jogo de volume é decidido. “Não se pode querer crescer na Europa sem estarmos fortemente representados nos segmentos B e C. São o pão e manteiga do mercado europeu”, disse-nos o principal executivo da Hyundai Europa.
Na teoria, o plano é direto; na prática, é difícil colocar em execução: ganhar espaço onde a demanda é maior. Para isso, a marca quer ir além de simplesmente oferecer bons carros - ela também quer estar mais próxima do consumidor. Martinet resume essa postura como centralidade no cliente, ou, dito de forma simples, uma obsessão pelo cliente.
Concessionária e pós-venda como parte da estratégia
Temos de perceber o que os clientes querem, como vivem, o que esperam. Não basta cumprir. Temos de os seduzir. O primeiro carro é vendido no concessionário, o segundo é vendido no pós-venda.
Xavier Martinet, CEO da Hyundai Motor Europe
Em outras palavras, a Hyundai pretende seguir como uma escolha racional, mas quer ser, cada vez mais, uma opção também emocional. “Já somos essa marca, mas queremos aprofundar ainda mais esta estratégia” revelou-nos Martinet. E, pelo que este Hyundai IONIQ Three indica, essa ambição já começou a ganhar forma em chapas de aço.
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