Quais soluções existem para jogadores de PC em constante movimento? O caminho mais óbvio continua a ser o Steam Deck e aparelhos do mesmo tipo, mas também vale olhar com atenção para os notebooks gamers de 14 polegadas. Eu, que nunca fui fã desse tamanho, me obriguei a usar um por um mês - e hoje sinto que não consigo mais ficar sem. Aqui vai meu relato.
Sou um jogador de PC pesado. Aquele gamer raiz que passa horas em MMORPGs ou em jogos de gestão estranhos pescados no fundo da Steam. E, acima de tudo, sou alguém que gosta de conforto: meu “habitat natural” é uma torre gamer com uma GeForce RTX 5090 e dois monitores 21:9 lado a lado. O problema é um só: por causa do trabalho na Presse-citron, eu viajo o tempo todo pelo mundo. Resultado: acabo aproveitando bem menos a minha configuração.
Como continuar jogando meus títulos favoritos em qualquer lugar - seja rapidinho, em um quarto de hotel ou até em casa, no sofá ou na cama? A resposta mais imediata é o Steam Deck, ou um terminal semelhante, como a ROG Xbox Ally. Existem alternativas, como GeForce Now no smartphone ou no tablet. Só que, sejamos sinceros: nenhuma delas entrega a sensação de um PC “de verdade” quando o assunto é desempenho, ergonomia e versatilidade. E aí entra uma última opção: o notebook gamer de 14 polegadas.
Eu nunca me senti atraído por esse formato. Já testei vários, alguns até me convenceram, mas nunca cheguei a sentir falta de ter um. 14 polegadas é duro, principalmente para quem está acostumado a uma instalação confortável. Já acho 16 polegadas apertado… então 14? Ainda assim, decidi encarar o desafio para a Presse-citron: um mês inteiro usando exclusivamente um PC gamer ultracompacto. Para isso, encontrei um Razer Blade 14 2025, um notebook de jogo topo de linha. A configuração é caprichada, com processador AMD Ryzen 9 365 e uma RTX 5070 (com desempenho equivalente a uma 5060 de desktop), mas qualquer modelo dentro da proposta serviria. Esse tamanho é mesmo uma solução viável? Foi isso que eu vivi.
Um mês com um formato pequeno
A regra era simples e inegociável: em casa, nada de ligar minha torre. No escritório, nada de usar outro PC. E nada de pegar um ultrabook para trabalhar fora. Meu tempo de tela, do início ao fim, ficou todo no Razer Blade 14. No começo, seria mentira dizer que foi tranquilo. A tela é pequena, o conforto cai. Trabalhar até vai… mas jogar?
Só que, bem rápido, eu comecei a entrar no clima - e acabei adotando a ideia. Trabalhar na rua, em um banco de praça ou em um café é totalmente possível, principalmente porque os notebooks gamers evoluíram muito em autonomia (chegando a algo entre 8 e 10 horas no modo de economia de energia) e em portabilidade (menos de 2 kg). Já para jogar, é preciso planejar um pouco mais: tem que carregar a fonte (muitas vezes mais 500 g) e também um mouse ou um controle. Dá para levar tudo na mochila, mas pesa.
No escritório, ainda existe outro “efeito colateral”: o barulho. Em notebook gamer, a ventilação costuma passar dos 50 decibéis, e isso vai cair no colo dos colegas. Em casa, por outro lado, a solução é simples: um suporte barato de cerca de 20 euros na Amazon já deixa o uso no sofá ou na cama bem mais confortável. Perfeito.
MWC de Barcelona e World of Warcraft Midnight: o teste de fogo
A experiência, que era só divertida, ficou séria quando o MWC de Barcelona se aproximou. Um evento de tecnologia significa andar quilômetros e quilômetros por dia com o PC na mochila. E, para piorar (ou melhorar), a nova expansão de World of Warcraft, Midnight, saiu exatamente nesse período (eu nunca perdi um lançamento de expansão!). Como juntar as duas coisas?
Foi aí que o Razer Blade 14 provou seu valor: notebook na mochila, pronto para aguentar um dia inteiro na sala de imprensa - tanto para escrever quanto para enviar vídeos (e ainda rodar uma instância enquanto as pastas carregavam). De noite? Um setup mais arrumado para aproveitar a expansão. Meu Steam Deck? Meu Switch? Ficaram esquecidos.
Não é preciso estourar o PEL para ter um notebook gamer de 14 polegadas
Sim, jogar em um notebook gamer premium de 14 polegadas é um cenário bem confortável. Mas não é obrigatório esvaziar o PEL em um modelo topo de linha para aproveitar o formato. Existem opções mais acessíveis e eficientes, sem firula: TUF da Asus, Nitro da Acer, G-Serie da Dell, LOQ da Lenovo, entre outras. São máquinas que passam de 1000 euros, é verdade, mas continuam sendo terminais versáteis - tanto para trabalhar quanto para jogar. Não parece exagero investir em uma ferramenta tão flexível no dia a dia.
Além disso, ficou bem mais fácil jogar em qualquer lugar mesmo com uma máquina de potência moderada. A Nvidia, por exemplo, colocou à disposição uma série de recursos integrados aos jogos para melhorar desempenho sem necessariamente “moer” o GPU. É o caso do DLSS, que usa IA para aumentar o framerate: seja criando imagens “falsas” entre duas “reais” (frame generation), seja por upscaling (renderizar em resolução menor e transformar em resolução maior). Essas funções estão presentes nas placas RTX da Nvidia, inclusive nas mais baratas.
Some a isso uma crise de RAM que vem obrigando os desenvolvedores dos nossos jogos favoritos a reduzirem as exigências. Na prática, configurações menores não só fazem sentido para jogar como também tendem a sofrer menos com obsolescência rápida, já que a falta de memória RAM parece que vai continuar. Aqui falamos de Nvidia, mas os processadores Intel mais recentes (Panther Lake), com GPU Intel Arc, também estão virando uma alternativa cada vez mais plausível. Os resultados em jogos são impressionantes, e até os blockbusters mais recentes chegam a 60 i/s com os gráficos no máximo (desde que o ray tracing esteja desligado).
Depois de um mês, chegou a hora de devolver meu notebook gamer de 14 polegadas. Foi um alívio? Não exatamente. Voltar ao meu setup gamer em casa é gostoso, claro - mas e quando eu estou na correria? Hoje o Steam Deck me parece uma solução bem limitada (ainda que mais barata) e, quando estou com um ultrabook sem placa de vídeo, a vontade de abrir um jogo aparece, só que o desempenho não acompanha. Vou acabar comprando um notebook gamer de 14 polegadas no futuro? É bem provável.
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