No Renault Captur R.S. Line, a dificuldade não é encontrar uma versão “com cara de esportivo” - é escolher entre tantas opções. A variação mais esportivada do crossover francês tem motorizações para todos os gostos: há uma híbrida plug-in, uma híbrida e três alternativas “só” a gasolina - faltando apenas um Captur R.S. Line Diesel.
No topo da gama a gasolina está o TCe 160 com caixa EDC, com preço base de 30 950 euros. Só que, por menos 400 euros, dá para levar para casa o modelo deste teste: o Captur R.S. Line TCe 140 EDC, com 20 cv a menos.
Será que faz sentido ir na opção mais barata e economizar esse valor? Para tirar a dúvida, colocamos o modelo à prova e contamos o veredicto nas próximas linhas.
Visualmente não falha
Se a intenção da versão R.S. Line era dar ao Captur um visual mais desportivo, na minha opinião o objetivo foi atingido - mesmo que seja impossível perceber, só pelo aspeto, qual a motorização que ele traz.
Com a “lâmina” no para-choques, a grelha em favos de mel, jantes de 18” e uma espécie de difusor traseiro, o Captur R.S. Line consegue distinguir-se bem dos restantes “irmãos” de gama.
Por dentro, vale destacar os bancos confortáveis com um ar mais esportivo e os detalhes a imitar fibra de carbono, que entregam a inspiração no mundo da competição. Os restantes materiais também merecem elogios pela boa sensação geral ao toque.
No capítulo da habitabilidade, o Captur continua a ser uma das propostas do segmento mais alinhadas com as necessidades de uma jovem família, permitindo instalar uma cadeira de criança sem grandes complicações na segunda fila, ao contrário do que acontece, por exemplo, no seu rival mais recente, o Toyota Yaris Cross.
A bagageira também está em excelente nível e é bastante flexível, oferecendo entre 404 l e 536 l graças ao banco traseiro deslizante em 16 cm.
140 cv chegam?
Tendo em conta que este nível R.S. Line pode até ser escolhido com uma motorização de 90 cv, a pergunta quase se responde sozinha. Ainda assim, por apenas mais 400 euros é possível ter mais 20 cv, e por isso faz sentido colocá-la em cima da mesa.
Sem qualquer pretensão de ser desportivo, o ponto forte do Renault Captur R.S. Line é combinar um comportamento dinâmico (quase) entusiasmante com um conforto que segue como referência no segmento - e que honra bem os “pergaminhos” gauleses neste tema.
Com jantes de 18” e pneus de composto mais desportivo, o Captur entra em curva com confiança e, sobretudo, segurança, deixando a sensação de que o chassis “pedia” mais alguns cavalos (quem sabe uma versão para bater de frente com o Puma ST?).
E já que falamos em “cavalos”, os 140 cv e 260 Nm do tetracilíndrico do Captur R.S. Line que testei mostraram-se sempre à altura, garantindo ritmos mais do que suficientes para um SUV/Crossover do segmento B e, acima de tudo, permitindo fazer ultrapassagens sem exigir demasiados “cálculos”.
Quanto à caixa EDC de sete relações, só tenho coisas boas a dizer: revelou-se suficientemente rápida e, principalmente, muito suave em ambiente urbano e no sempre indesejado “pára-arranca”, onde o Captur deverá passar uma parte considerável da sua vida.
Por fim, nos consumos o SUV francês não se mostrou especialmente guloso. Quando o devolvi nas instalações da Renault Portugal, após várias centenas de quilómetros, o computador de bordo indicava uma média mais do que aceitável de 5,8 l/100 km.
Este resultado foi obtido sem preocupação especial em “fazer consumo”, numa utilização que misturou longos trajetos em autoestrada e estrada nacional com (demasiadas) horas “perdidas” em filas de trânsito.
É o carro certo para si?
Em qualquer versão (e nós já as testámos quase todas, da variante bifuel a GPL até à híbrida plug-in), o Renault Captur aparece sempre como uma das propostas mais interessantes do segmento.
Espaçoso e versátil, o modelo francês junta de forma muito competente conforto e comportamento, somando ainda um bom nível de equipamento e uma qualidade geral em clara evolução.
Nesta versão específica, o Captur ganha não só um visual mais distinto e desportivo, como também uma lista de equipamento ainda mais completa. Sim, não tem o apelo dinâmico de propostas desportivas “a sério”, mas os argumentos racionais do Captur são difíceis de ignorar.
Além disso, com 140 cv e 260 Nm está longe de ser lento, mantendo ainda uma frugalidade agradável - essencial quando falamos de um carro que, muito provavelmente, vai assumir o papel de “carro da família”. A pena fica no preço pedido por esta versão, que o coloca em “rota de colisão” até com opções de um segmento acima, como o “famoso” Nissan Qashqai.
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