Algumas coleções de carros simplesmente nos deixam sem palavras - e a chamada “The Mansour Ojjeh Collection” é um desses casos. O conjunto reúne 20 automóveis, todos assinados pela McLaren. Para entender de onde veio essa «obsessão» pela marca de Woking, é preciso voltar aos anos 80.
Foi justamente nessa década que Mansour Ojjeh - nome intimamente ligado ao universo da Fórmula 1 - decidiu apostar em um plano que parecia direto, mas que acabaria mudando para sempre a trajetória da McLaren: criar o melhor carro do mundo.
A origem da “The Mansour Ojjeh Collection”
Por meio de sua empresa, a Techniques d’Avant Garde (mais conhecida como TAG), Ojjeh não apenas ajudou a bancar o desenvolvimento dos lendários motores TAG-Porsche usados pela equipe na F1, como também passou a deter uma participação relevante na própria McLaren, em 1984.
Com Ron Dennis no comando e o suporte financeiro de Ojjeh, a McLaren viveu temporadas marcantes no campeonato mundial de Fórmula 1 - aquelas escritas ao lado de pilotos como Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna. Ainda assim, a ambição de Ojjeh não ficava restrita às pistas.
A ideia de dar vida ao supercarro definitivo para as ruas começou a se consolidar no fim dos anos 80 e se materializou com o surgimento do McLaren F1, em 1992. Como é sabido, foi um carro que redefiniu o que se entendia por desempenho e exclusividade.
Especificação única
O McLaren F1 também marcou o início da coleção agora revelada - e o exemplar visto nas imagens segue como a peça central desse acervo. Trata-se do último F1 produzido e traz a carroceria em um tom exclusivo, o Yquem, referência ao famoso e raro vinho de sobremesa.
Por conta de uma relação pessoal com Gordon Murray, o gênio por trás do desenvolvimento do McLaren F1, e pelo acesso direto ao que havia de mais avançado em Woking, Mansour Ojjeh não foi apenas “mais um” colecionador. Ele foi uma figura integrada à própria história da marca.
Na época, o Yquem usado no F1 foi rebatizado como Mansour Orange e passou a ser uma cor reservada exclusivamente aos carros dele - tão exclusiva que nenhum outro cliente podia encomendá-la.
Além disso, Mansour também garantia para si o último número de chassi em todos os modelos futuros da marca. Assim, ele assegurava que seus carros incorporassem todas as atualizações técnicas realizadas ao longo do ciclo de produção.
Quilometragem zero e manutenção exclusiva
O resultado disso tudo não tem paralelo. Com exceção do F1, que soma apenas 1810 km, e do P1 GTR, utilizado em alguns dos dias de pista organizados pela McLaren, todos os demais modelos do conjunto estão exatamente nas mesmas condições do dia em que deixaram a fábrica - todos com zero quilômetro.
Mesmo sem rodarem, eles são mantidos de forma meticulosa, seguindo orientações diretas da própria McLaren - um tipo de serviço que nunca foi oferecido a nenhum outro colecionador.
Um legado incrível
Mansour Ojjeh, assim, deixa um legado incrível. Após sua morte, em 2021, esta é a primeira vez que um conjunto tão pessoal de automóveis se torna acessível ao público. A “The Mansour Ojjeh Collection” funciona como uma homenagem a alguém que ajudou a moldar o passado, o presente e o futuro da McLaren.
A empresa responsável por conduzir a venda dessa coleção da McLaren é a Tom Hartley Jnr, que tem ampla experiência nesse segmento. Não existe uma estimativa oficial para o valor do acervo - só o F1, ainda mais por ser o último, pode ultrapassar 20 milhões de euros.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário