Embora o papel de “porta-estandarte” da CUPRA hoje recaia muitas vezes sobre o Formentor - o primeiro carro concebido do zero para a jovem marca espanhola -, a linha da CUPRA tem outros destaques importantes. Um dos principais é o CUPRA Leon (antes SEAT Leon CUPRA), que recentemente entrou de vez na era da eletrificação com as versões e-HYBRID.
CUPRA e Leon são dois nomes que caminham juntos há bastante tempo e que, historicamente, aparecem associados a histórias bem-sucedidas. E existe um DNA esportivo a sustentar, que vem desde as primeiras versões CUPRA do Leon, lá no começo dos anos 2000.
A dúvida, depois de tantos anos - agora já sob uma marca independente - e com a chegada da eletrificação, é inevitável: o CUPRA Leon continua com credenciais de esportivo intactas? Guiamos a perua CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID e a resposta não deixa margem para hesitação…
Fugindo ao “script” tradicional (falar primeiro do visual externo e só depois do interior), faz mais sentido começar pelo conjunto híbrido deste CUPRA Leon, que é o mesmo usado no SEAT Tarraco e-HYBRID que testei recentemente.
O sistema combina um motor TSI 1.4 de quatro cilindros com 150 cv e um motor elétrico que “entrega” 116 cv (85 kW) - ambos instalados na dianteira.
A parte elétrica é alimentada por um pack de baterias de íons de lítio com 13 kWh de capacidade, o que permite ao CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID anunciar 52 km de autonomia 100% elétrica em ciclo combinado (WLTP).
Trabalhando em conjunto, os dois motores chegam a uma potência máxima de 245 cv e 400 Nm de torque máximo (mais 50 Nm do que no SEAT Tarraco e-HYBRID).
Com esses números, o CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID leva só 7s para ir de 0 aos 100 km/h e alcança 225 km/h de velocidade máxima - marcas bem interessantes.
E ao volante, parece um CUPRA?
A suspensão do CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID tem um acerto específico e bem firme. Em um trecho de curvas com asfalto mais liso, isso funciona muito bem. O lado menos positivo aparece em pisos mais castigados: aí ele pode ficar um tanto desconfortável, com a perua quicando mais do que deveria.
Por outro lado, quando os dois motores entram em ação ao mesmo tempo, em alguns momentos senti falta de tração no eixo dianteiro - e isso aparece também na direção que, apesar de comunicativa (nesta versão, ela é progressiva de série), poderia ser um pouco mais precisa e direta.
Boa parte do que descrevi acima fica mais fácil de entender quando lembramos dos 1717 kg que esta versão registra na balança. Mas não me entendam mal: o CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID é um esportivo competente, especialmente considerando o perfil familiar e o espaço (generoso) que oferece, tanto no banco traseiro quanto no porta-malas.
A força para acelerar e as retomadas nunca são um problema, mas esse peso extra aparece principalmente quando a ideia é “partir para cima” nas curvas com mais vontade - perdoem a expressão mais automobilística. As transferências de massa ficam mais evidentes e dá para sentir o carro sendo empurrado para fora da curva, o que, naturalmente, diminui a agilidade e a precisão.
O sistema de freios também não ajuda quando o ritmo aumenta - mais pela sensação que transmite do que pela capacidade real de reduzir velocidade.
Isso acontece porque, no primeiro momento, o que se percebe é apenas a frenagem regenerativa. Só depois entram os “freios de verdade”, ou seja, os hidráulicos, e a passagem de um para o outro interfere no tato do pedal. É, obviamente, algo muito mais fácil de relevar em um SEAT Tarraco e-HYBRID do que em um CUPRA.
Mas afinal o que ganhamos com esta versão híbrida?
Se, por um lado, o peso adicional do sistema elétrico (motor elétrico + bateria) se faz notar e impacta diretamente conforto, condução e dinâmica do CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID, por outro é justamente esse componente elétrico que permite ao modelo se posicionar como uma alternativa mais versátil, capaz de atender um público mais amplo.
Ao contrário de outros esportivos desse tipo, o CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID consegue se sair muito bem também em uso urbano, apoiando-se na bateria de 13 kWh para prometer mais de 50 km em modo 100% elétrico.
Ainda assim, levando em conta os dias em que convivi com ele, é preciso bastante paciência e um pé direito bem sensível - para dosar o acelerador - para passar dos 40 km “sem emissões”.
O que não se discute é a suavidade com que ele pode “navegar” pela cidade, sobretudo no trânsito de anda e para, que acaba sendo bem menos “estressante” em modo elétrico.
É o carro certo para si?
Se a sua atenção está voltada para este modelo apenas por causa do desempenho esportivo, vale dizer que existem outras opções que merecem consideração - começando pela própria CUPRA Leon Sportstourer “não híbrida”, com os mesmos 245 cv, mas cerca de 200 kg mais leve, entregando uma dinâmica mais refinada e um chassi mais eficiente.
Mas, se a proposta é ter uma perua versátil, capaz de render bons momentos numa estrada de serra e, ao mesmo tempo, “brilhar” na “selva urbana” do dia a dia, aí a conversa muda.
Ela consegue rodar 40 km (pelo menos) em modo totalmente elétrico; porém, depois que a bateria acaba, é fácil ver o consumo passar dos 7 l/100 km - número que ultrapassa a marca de 10 l/100 km quando adotamos um estilo de condução bem mais rápido e… agressivo.
E tudo isso sem grande prejuízo ao volume do porta-malas e ao espaço interno, que seguem respondendo muito bem às demandas familiares.
A isso, claro, se soma um visual diferente e que, apesar de recente - a CUPRA só nasceu em 2018 -, já virou algo emblemático.
É difícil rodar com um CUPRA e não atrair olhares curiosos, e com a CUPRA Leon Sportstourer e-HYBRID não é diferente. Até porque a unidade que testei vinha com a pintura opcional Cinzento Magnetic Tech Mate (custa 2038 euros) e rodas de 19” com acabamento escurecido (fosco) e detalhes em cobre.
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