Você já ouviu falar do Framework Desktop? Esse mini PC de visual bem chamativo tomou o lugar da minha torre gamer enorme por duas semanas. Será que a troca deu certo?
Em 2020, um ex-funcionário da Oculus (empresa de realidade virtual comprada pela Meta) criou uma nova marca de computadores: a Framework. A ideia era tão simples quanto eficaz: notebooks modulares, fáceis de atualizar ao longo dos anos e tão reparáveis quanto um desktop tradicional. Em 2025, a Framework ampliou a linha com vários lançamentos - e entre eles está o Framework Desktop, que, como o nome sugere, é um computador de mesa.
Em desktops, “upgrade” e manutenção raramente são um drama. Ainda assim, a Framework tenta entregar algo diferente: um produto singular, muito personalizável e com desempenho alto apesar de um tamanho minúsculo. A seguir, conto como ele conseguiu, por algumas semanas, substituir minha torre gamer no uso diário.
O que é exatamente o Framework Desktop?
O Framework Desktop é um mini PC premium que lembra a proposta de um Mac mini - só que voltado para quem não quer usar macOS. Ele vem num gabinete compacto de 96,8 × 205,5 × 226,1 mm (mini-ITX, com 4,5 L de volume e 3,1 kg), fácil de deixar sobre a mesa ou levar na mochila. Na verdade, dá até vontade de exibir: a frente é personalizável com 21 “ladrilhos” (tuiles) que você compra junto com o Desktop ou imprime por conta própria, se tiver uma impressora 3D (a Framework disponibiliza os arquivos).
Mesmo pequeno, o Desktop é completo. Na traseira, as conexões incluem:
- 1 HDMI 2.1 com suporte a CEC;
- 2 DisplayPort 2.1 até 10G;
- 2 USB-C (USB4);
- 1 Ethernet 5 Gbit (pena não ser 10G);
- 2 USB-A (USB 3.2 Gen 2);
- 1 conector 3,5 mm.
Na parte frontal, há dois encaixes para cartões de expansão, que podem ser escolhidos entre:
- USB-C;
- USB-A;
- MicroSD;
- Ethernet;
- SD;
- Áudio (3,5 mm);
- Armazenamento (250 GB ou 1 TB, com 800 Mbps de escrita).
No meu caso, usei um módulo USB-A para plugar rapidamente um controle ou HD externo e um módulo SD para puxar fotos e vídeos da câmera com agilidade - mas a ideia é justamente poder trocar isso quando quiser. Além disso, o chip RZ717 adiciona Wi‑Fi 7 (bem eficiente) e Bluetooth 5.4.
Na configuração, você escolhe entre um APU AMD Ryzen AI Max 385 (com GPU Radeon 8050S) ou um AI Max+ 395 (com GPU Radeon 8060S), além de 32, 64 ou 128 GB de RAM LPDDR5x. Vale o alerta: é um conjunto soldado na placa-mãe, o que limita o espaço para atualizações futuras.
Essa personalização não sai barato. Enquanto um Mac mini M4 começa hoje em 699 euros, o Framework Desktop parte de 1309 euros. A unidade testada aqui é a intermediária e somou 2112 euros. Se você escolhe a versão mais rápida, com 128 GB de RAM unificada, o preço sobe rápido e encosta em 2700 euros - dinheiro suficiente para comprar um PC gamer parrudo hoje, ou, daqui a um ou dois meses, uma “barrinha” de RAM (brincadeira).
Também existem outros mini PCs com a mesma arquitetura Strix Halo. O Minisforum MS-S1 Max, por exemplo, custa 2719 euros (!!) e já traz 128 GB de RAM, 2 TB de armazenamento e ainda acrescenta duas portas Ethernet 10G, além do mesmo chip central (o AI Max+ 395).
Ou seja: opções de personalização existem, mas a capacidade de evolução é mais contida. Fora o ventilador e os SSDs (dois slots para NVMe PCIe 4.0 x4 M.2 2280 com dissipadores, até 8 TB cada), a única forma real de ganhar desempenho é trocando a placa-mãe. Mesmo assim, ele continua mais flexível do que a maioria dos mini PCs tradicionais.
Desempenho de PC gamer
Com o contexto estabelecido, vamos ao que interessa: o que esse Framework Desktop entrega na prática. Segundo a Framework, ele dá conta de trabalho pesado, IA e jogos - tudo isso.
Você já sabe que aqui no Presse-citron a gente não é obcecado por benchmark, mas seguem alguns números soltos para você comparar com sua máquina, se quiser:
Geekbench 6:
- CPU single-core: 2931
- CPU multi-core: 17131
- GPU OpenCL: 84485
- GPU Vulkan: 80231
Cinebench R23:
- CPU single-core: 2047
- CPU multi-core: 33599
3DMark:
- Speed Way: 1409 (14.09 FPS)
- Steel Nomad Light: 10 131 (75 FPS)
PC Mark 10:
- Score geral: 8641
- Essentials: 10950
- Productivity: 10465
- Digital Content Creation: 15278
Na comparação com um Mac mini M4, o Framework Desktop fica um pouco atrás em single-core, mas é claramente mais eficiente em multi-core e na parte gráfica. Um ótimo sinal.
Na prática, isso se traduz em muita potência. Para tarefas de escritório, ele sobra. Editar um RAW com mais de 30 MB no Affinity acontece sem travamentos; qualquer ajuste entra na hora. E, em um fluxo de edição de vídeo amador no DaVinci Resolve, ele também se comporta muito bem, sem engasgos e com tempos de renderização totalmente aceitáveis.
Considerando o tamanho, o desempenho impressiona em várias frentes. O Wi‑Fi 7, por exemplo, me permitiu baixar acima de 1 Gbps, enquanto meu computador principal, no mesmo lugar (mas limitado ao Wi‑Fi 6E), fica perto de metade disso por conta da distância até o roteador. Fica claro que a Framework escolheu cada peça com cuidado para arrancar o máximo dentro de um gabinete extremamente compacto.
E os jogos nessa história?
Tudo isso é bonito no papel, mas a pergunta real é: esse PC minúsculo consegue mesmo substituir minha torre gamer? Com o preço cobrado, é o mínimo esperado. Então, coloquei alguns jogos para rodar e tirei a prova.
O primeiro foi o título em que mais tenho investido tempo ultimamente: Deadlock. Esse MOBA / hero shooter competitivo na linha de Overwatch roda liso acima de 100 FPS em 1440p. Não faltou desempenho para encaixar meus melhores headshots - o problema foi a minha mira. Como o jogo ainda está em alpha (mesmo assim, vale jogar, é excelente), fui para títulos mais “padrão”.
Arc Riders, no Ultra, fica entre 70 e 90 FPS. Battlefield 6? 70 FPS. Cyberpunk 2077? Média de 69 FPS com o preset alto. Não é desempenho de uma RTX 5090 e você não vai precisar comprar um monitor novo de 500 Hz, mas dá para dizer que ele alcança o patamar de um PC gamer intermediário.
Tudo isso com consumo de 150 W no pico (contra 12 W em idle na mesa) e calor dentro do esperado. Se for apontar um defeito, é um chiado constante (coil whine) quando a parte gráfica está sob carga pesada. Ainda assim, é bem tolerável - principalmente se você, como eu, joga de fone.
Para ir além
Todos os testes deste artigo foram feitos no Windows 11 (25H2). Dá até para comprar a licença (cara) direto na loja da Framework, mas não é o caminho mais esperto.
A alternativa é instalar uma distribuição Linux. Opções não faltam, mas o Framework Desktop foi testado e otimizado para o Fedora. Essa distro também serve de base (entre outras coisas) para o Bazzite, um sistema pensado para jogos.
Com a camada de compatibilidade Proton, responsável por rodar jogos de Windows no Linux, uma grande quantidade de títulos já funciona perfeitamente no sistema do pinguim. Melhor: não é raro ver jogos compatíveis ganhando de 5 a 10 FPS nesse cenário, mantendo as mesmas configurações. O mais sensato é conferir se os seus favoritos rodam bem no ProtonDB.
O Framework Desktop consegue substituir minha torre no dia a dia
Depois de duas semanas com o Framework Desktop, eu ainda nem liguei minha torre gamer - nem para jogar em 1440p (sem Ray Tracing, porém). Esse PC minúsculo, que cabe na mão, se encaixou perfeitamente no meu uso, tanto para trabalho quanto para lazer.
Ainda assim, comparar com um desktop “de verdade” acaba sendo um pouco injusto com o Desktop. Aqui não existe o mesmo nível de modularidade - algo curioso para uma marca que construiu a reputação justamente nisso. Faz mais sentido colocá-lo frente a frente com outros mini PCs, como Mac mini e Mac Studio, Geekom A7 ou Asus ROG NUC 970; e, nesse campo, ele se destaca com folga.
No fim das contas, o Framework Desktop virou um verdadeiro favorito. Pequeno, personalizável e com uma potência surpreendente, ele atende a muitos perfis - da produtividade a uma LAN com amigos. Agora, a curiosidade fica para ver como a Framework vai evoluir essa plataforma no longo prazo.
Framework Desktop
Preço: 1309 €
Score: 9
Nota geral
9.0/10
O que gostamos
- Design e tamanho
- Ótimo desempenho
- Modularidade via cartões
- Fonte interna
O que gostamos menos
- Sem Ethernet 10 Gbps
- Coil whine em jogos
- Impossível trocar RAM ou processador sem substituir a placa-mãe
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