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Conflito no Irã acelera vendas de carros elétricos na Europa e pressiona combustíveis em Portugal

Carro elétrico branco EV Europa exibido em showroom moderno com estação de recarga ao lado.

Desde que o conflito no Irã começou, no fim de fevereiro, a busca por carros elétricos vem acelerando de forma marcante na Europa. Nos dois primeiros meses do ano, as vendas de elétricos avançavam 15,8%. Já em março e abril, esse ritmo praticamente triplicou, chegando a 41,7% e 38,3%, respectivamente.

A diferença entre elétricos e gasolina encolhe na Europa

Ao mesmo tempo, os carros a gasolina seguem perdendo participação no mercado europeu na comparação anual. Mesmo ainda ficando à frente dos elétricos em volume, a distância entre os dois tipos de motorização despencou em apenas quatro meses.

Em abril, foram emplacados 255 296 carros elétricos na Europa, contra 255 902 modelos a gasolina - uma diferença de só 606 unidades. Em janeiro, o cenário era bem mais desequilibrado: 216 148 carros a gasolina frente a 189 062 elétricos, uma vantagem superior a 27 mil unidades.

O que está em causa?

A relação entre o conflito no Oriente Médio e o avanço dos elétricos se explica, sobretudo, pela pressão sobre o mercado de petróleo. A intensificação das hostilidades no Irã voltou a pressionar o preço do barril, trazendo volatilidade aos mercados e reabrindo o debate (e as preocupações) sobre o custo dos combustíveis na Europa.

Antes do início do conflito, o Brent (referência para o mercado europeu) era negociado a 72 dólares. Com a crise, chegou a passar de 110 dólares e, nesta quarta-feira, na data de fechamento deste artigo, já seguia em 93 dólares - um salto que traduz o nervosismo que voltou a se instalar no setor de energia.

Nesse cenário, a Agência Internacional de Energia (IEA) destaca que a procura por carros elétricos está ganhando tração em diversos mercados não apenas por razões ambientais, mas cada vez mais por uma lógica de racionalidade econômica.

A organização chega a estimar que, até o fim do ano, os veículos elétricos podem responder por cerca de 30% das vendas globais de automóveis novos.

O caso português

Em Portugal, os reflexos da alta dos combustíveis continuam presentes no dia a dia. Nesta terça-feira, o preço médio do diesel simples estava em 1,957 €/l, enquanto a gasolina simples marcava 2,023 €/l, de acordo com dados da DGEG.

Quanto pesa abastecer no orçamento

Esses números ajudam a entender a mudança no comportamento do consumidor. Segundo a plataforma Global Petrol Prices, abastecer 40 litros de gasolina 95 em Portugal consome cerca de 3,9% da renda mensal média - um esforço maior do que o observado em vários países europeus.

O peso é superior até ao de países onde a gasolina custa mais: nos Países Baixos, esse gasto equivale a 2% da renda; na França, 2,5%; na Dinamarca, 1,9%. A comparação com a Espanha, país vizinho, também chama atenção: abastecer 40 litros corresponde a 2,5% da renda média mensal. Na comparação com os EUA, a diferença é abissal: apenas 0,7%. Proporcionalmente, um português desembolsa cinco vezes mais do que um americano para encher o tanque.

Híbridos convencionais ainda dominam

Mesmo com o crescimento dos elétricos, os híbridos convencionais - incluindo híbrido pleno e híbrido leve - seguem como a motorização mais popular no mercado europeu. Em abril, e também no acumulado do ano, foram comercializadas 419 556 unidades, um crescimento de 12,7%.

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