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Teste do BYD Atto 3 EVO: autonomia e recarga para enfrentar o Tesla Model Y

Carro SUV elétrico azul Bird EOTTO EVO em showroom moderno com piso cinza e paredes com janelas grandes.

A expectativa em torno do BYD Atto 3 EVO era grande. Depois de uma avaliação na região da Camargue, o diagnóstico é claro: a BYD tratou de atacar os pontos mais irritantes, especialmente autonomia e recarga rápida. A seguir, como foi a nossa experiência com o SUV que quer incomodar o Tesla Model Y.

"Carro chinês? De qualquer jeito, todo mundo vai acabar aderindo..." Foi o comentário de um senhor curioso durante nosso primeiro ensaio fotográfico. O cenário escolhido era um pequeno porto simples, sem nada de muito chamativo - bem na linha do BYD Atto 3 EVO. À primeira vista, ele tenta ser discreto até demais e não entrega nada que chame muita atenção. Só que, por trás desse jeito contido, a parte técnica evoluiu de forma perceptível, sem que os preços explodissem.

Adeus, ansiedade: finalmente uma autonomia de verdade

Mesmo com reflexos atrapalhando a leitura, basta olhar o indicador de bateria para notar a mudança: com 510 km de autonomia anunciada por carga, o Atto 3 EVO é muito mais resistente do que o modelo anterior. Isso, sinceramente, é uma ótima notícia. E esses 90 km extras não aparecem por mágica: a bateria cresceu e agora tem 74,8 kWh. Outro salto importante está na carga rápida, com pico de 220 kW em corrente contínua (DC).

Na teoria, isso permitiria ir de 10 a 80% em 25 minutos. Um avanço enorme em relação ao que acontecia antes, quando eram necessários três quartos de hora com um teto de apenas 88 kW. Na nossa versão Design, o motor elétrico trabalha no eixo traseiro e agora entrega 313 ch. O consumo foi adequado, com 12,9 kWh/100 km registrados na cidade em um trajeto de 30 km. Dito isso, eu não exigi muito: a condução foi leve e tranquila.

Macio demais, impreciso demais: como o SUV se comporta na estrada

Em estradas secundárias, acelerações e retomadas são convincentes. É bem mais generoso do que os 204 ch do início da linha, e fica ainda mais impressionante com a nova opção de tração integral de 449 ch. Nesse caso, o desempenho é excelente, com 0 a 100 km/h em 3,9 segundos. É aquele tipo de dado tão chamativo quanto pouco útil, porque o BYD Atto 3 EVO não tem qualquer pretensão esportiva.

O foco aqui é conforto: as suspensões bem macias deixam o uso urbano bem agradável. A direção também é muito leve, o que ajuda bastante em manobras na cidade. Em estrada, porém, o conjunto perde consistência: a carroceria balança cedo e o carro acaba passando uma sensação de pouca precisão. O pedal de freio, que considero difícil de dosar, não ajuda. Nesse contexto, é melhor adotar um ritmo calmo e sem pressa.

Por dentro: originalidade assumida e ergonomia que ainda irrita

Quanto ao desenho externo, deixo você tirar suas próprias conclusões - para mim, ele é o mais comum possível. Já a cabine traz algo mais particular, com várias superfícies arredondadas que, segundo a marca, remetem ao universo do oceano. Os porta-objetos que lembram cordas de violão seguem ali. “Ding dong”! Eu continuo achando divertido...

Ainda assim, o facelift simplificou o conjunto: o console central perdeu aquela multidão de botões. O volante, hoje menos com “cara de brinquedo” do que antes, acompanha um painel de instrumentos com tela maior. Com 8,8 polegadas de diagonal, seria de se esperar melhor leitura. Só que não: as informações continuam numerosas em um mostrador que, além disso, permite pouca personalização.

A compensação vem na tela central de 15,6 polegadas, com gráficos caprichados e resposta impecável. Mesmo assim, a ergonomia segue complicada. E algumas gafes em certas traduções são, no mínimo, engraçadas.

Assistências ao motorista: como irritar quem está ao volante

Depois de passar calor - absolutamente normal considerando a época - eu precisei diminuir a temperatura do ar-condicionado. E adivinha? Obrigatoriamente, é tudo pela tela. Desativar as assistências de condução, por outro lado, ficou mais simples do que antes, graças a um menu rápido na parte superior.

É um gesto necessário, porque os assistentes são irritantes: o volante interfere por qualquer coisa e há alertas sonoros para todos os lados. Eu me aproximo um pouco da linha e, pronto: o sistema dá um “puxão” para a direita.

Espaço interno: um grandalhão em um corpo de 4,45 metros

O navegador, agora com Google Maps, não traz planejador de rotas. É uma pena, já que esse recurso já é comum em marcas concorrentes. Em compensação, o que o Atto 3 EVO realmente entrega muito bem é o espaço a bordo. Além de um acabamento de bom nível, o que mais impressiona é o espaço oferecido - algo que notei especialmente durante as fotos.

Mesmo com comprimento contido de 4,45 metros, o chinês oferece ótima folga no banco traseiro, tanto para pernas quanto para cabeça. Eu consigo me posicionar do jeito que quiser para fotografar, sem dificuldade. Encostos e assentos também são macios. O porta-malas, que chega a 490 litros, é complementado por um compartimento dianteiro de 101 litros.

Equipamento de rei: tudo de série, sem nenhuma opção

Se existe um trunfo central no Atto 3 EVO, é a relação entre preço e equipamento. Basta bater o olho na ficha técnica para entender. A versão de entrada Design por 38 990 € traz rodas de 18 polegadas, revestimento em “couro” sintético com bancos dianteiros aquecidos e ventilados, faróis de LED e condução semiautônoma.

É difícil encontrar rivais que entreguem o mesmo pacote nessa faixa de preço. Eu até daria risada comparando com alemães: o que foi citado acima seguiria como opcional, mesmo em versões topo de linha. Quer subir um degrau? Além de um segundo motor elétrico na dianteira, a topo de linha Excellence por 42 490 € acrescenta head-up display, bancos traseiros aquecidos e teto panorâmico.

O veredito financeiro: a BYD consegue mesmo derrubar o Model Y?

O posicionamento é bom, embora alguns concorrentes ainda sigam fortes. Na minha pesquisa, foi inevitável chegar ao Tesla Model Y, que oferece a versão de entrada Propulsão por 40 990 € fora do bônus CEE - do qual o BYD não tem acesso. Com os incentivos, ele acaba ficando mais barato e ainda combina autonomia superior com dimensões maiores. É um pacote interessante, ainda mais por contar com kWh mais barato nos Superchargers.

Se você tem uma forte rejeição ao Elon Musk, vale observar o Skoda Elroq, com preço base de 35 690 €, também fora de qualquer ajuda. Sim: ele tem menos autonomia, é menos equipado e é menor... Mas a diferença de preço começa a pesar. Então, BYD, nada de deixar o sucesso subir à cabeça.

Minha opinião sobre o BYD Atto 3 EVO

Não dá para negar: o BYD Atto 3 EVO evoluiu bastante. A autonomia maior e a recarga mais eficiente devem interessar muitos compradores em potencial. O pacote de equipamentos também continua robusto pelo que custa. Ainda assim, alguns pontos fracos permanecem, como a ergonomia, que segue complexa, e a falta de dinamismo ao dirigir.

Se eu fosse comprar, minha escolha seria a versão de entrada Design, que já reúne tudo o que importa, enquanto a Excellence me parece mais simbólica do que necessária.


BYD Atto 3 EVO Design

38 990 €

Veredito

8.0/10

Gostamos

  • Equipamentos completos
  • Autonomia maior
  • Recarga rápida melhorada
  • Conforto geral

Gostamos menos

  • Condução sem firmeza
  • Ergonomia difícil
  • Erros de tradução

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