Visita de Lula à Avibras Aeroco em Jacareí
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve, nesta sexta-feira (24), nas instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí. A agenda foi acompanhada pelo correspondente de Zona Militar no Brasil, Angelo Nicolaci. A visita acontece em um momento decisivo para a empresa, que retomou suas operações industriais há cerca de dois meses, abrindo uma nova fase após um longo período de dificuldades financeiras e a paralisação de atividades.
Recebido pelo presidente da Avibras Aeroco, Sami Hassuani, pelo presidente do Conselho de Administração, Raúl Ortúzar, e pelo conselheiro Thiago Osório, Lula percorreu o complexo industrial. Durante a visita, conheceu as áreas de fabricação de componentes metálicos para mísseis e foguetes, a produção de propelentes sólidos, a integração de mísseis e a fábrica de veículos militares. O presidente também conversou com trabalhadores sobre a retomada das atividades da companhia.
Capacidades e produtos estratégicos da Avibras
Ao longo da agenda, foram apresentados alguns dos principais produtos desenvolvidos pela empresa - capacidades que colocaram a Avibras entre os principais desenvolvedores latino-americanos de sistemas de foguetes e mísseis e que seguem sendo tratadas como estratégicas para a Base Industrial de Defesa brasileira.
Em seu discurso, Sami Hassuani afirmou que a presença do presidente da República marca um ponto de virada para a nova etapa da Avibras Aeroco e fortalece a confiança na recuperação de sua capacidade industrial. Segundo o executivo, a empresa hoje reúne as condições financeiras, técnicas e industriais necessárias para voltar a competir tanto no mercado nacional quanto no internacional, ampliando sua participação em programas estratégicos de defesa.
Já na fala de Lula, foi destacada a necessidade de o Brasil manter uma indústria de defesa com capacidade tecnológica, defendendo que o fortalecimento de competências nacionais é essencial para assegurar a soberania do país e a autonomia das Forças Armadas. Na mesma linha, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o Brasil "não pode ficar um minuto sem Defesa" e classificou a Avibras como referência em inovação.
Autoridades presentes e o que não foi anunciado
A agenda também reuniu os ministros José Múcio Monteiro (Defesa), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general de Exército Marco Antonio Amaro. Também participaram os comandantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea, além de representantes da ABDI, da Finep, do BNDES e de outras instituições ligadas ao setor.
A presença, ao mesmo tempo, da cúpula do Governo federal, dos comandantes das três Forças e de representantes das principais instituições de fomento reforça o peso que o Executivo atribui à recuperação da Avibras. A empresa segue como um dos pilares da Base Industrial de Defesa brasileira, concentrando competências estratégicas no desenvolvimento de sistemas de artilharia de foguetes, mísseis, propelentes e plataformas não tripuladas - capacidades cuja preservação é considerada relevante para a autonomia tecnológica do país.
Desafio: transformar apoio político em demanda
A visita também funcionou como reconhecimento ao papel da iniciativa privada na reconstrução da companhia. Depois de um processo prolongado de crise, a Avibras Aeroco retomou suas atividades industriais mantendo o controle sob capital nacional, ponto ressaltado pelas autoridades presentes como importante para o fortalecimento da indústria brasileira de defesa.
Ainda assim, apesar do simbolismo do gesto presidencial e das manifestações de apoio à Base Industrial de Defesa, a agenda terminou sem anúncios de novos contratos ou encomendas para a Avibras Aeroco. Também não foi apresentado um cronograma para futuras aquisições, por parte das Forças Armadas brasileiras, de sistemas produzidos pela empresa.
Embora a presença do presidente da República seja um sinal político relevante de apoio ao processo de recuperação, o maior desafio da Avibras continua sendo transformar esse reconhecimento institucional em demanda sustentada para sua capacidade industrial. Para a Base Industrial de Defesa, a previsibilidade das compras e do orçamento permanece como um dos fatores mais importantes para manter capacidades estratégicas, reter mão de obra altamente especializada e preservar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.






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