À primeira vista, parece tudo igual
“Isso não parece novo - o que está a acontecer?”
Boa observação: é, na prática, o mesmo T-Cross que já conhecemos - e que não chega a empolgar. Desculpa, VW. Quando uma marca aposta em tantos crossovers, inevitavelmente aparece um modelo que fica meio esquecido e sem uma ideia muito clara por trás, e este é o caso do T-Cross.
Ele até é espaçoso para o padrão dos rivais e consegue ser diferente do Polo no qual se baseia, mas, no fundo, a proposta soa dispensável. Faz mais sentido comprar um Polo e poupar uma boa quantia - e ainda levar um carro que tende a conduzir melhor.
O que mudou no Volkswagen T-Cross 1.5
“Credo. Eu só queria saber o que há de novo neste específico.”
Ops - desviei do assunto. O “novo” aqui é a tentativa da VW de tornar este tipo de T-Cross (quase um Polo Dune moderno) mais interessante, trocando os conhecidos motores 1,0 litro tricilíndricos a gasolina por um 1,5 litro turbo de quatro cilindros.
Com isso, a potência sobe para 148 bhp (em vez de 94 bhp ou 113 bhp) e o 0–100 km/h (0–62 mph) cai para 8,5 segundos, tornando este o T-Cross mais rápido até agora. A VW afirma que ele ainda faz 44 mpg no ciclo WLTP (cerca de 15,6 km/l), e no nosso teste registámos 39,8 mpg (aproximadamente 14,1 km/l) sem qualquer esforço para economizar.
Preço e versões: o “mas” aparece depressa
“Parece interessante, embora eu esteja a sentir que vem um ‘mas’…”
Exatamente. O problema é que o preço acompanha o ganho de potência - e não de forma subtil. Na versão mais completa R-Line, o T-Cross 1.5 começa por pouco menos de £27.000. Dói. E, com duas ou três opções bem escolhidas, o nosso carro de teste ficou mais perto de £30.000. Trinta mil libras. É praticamente dinheiro de Golf GTI Mk7.5.
Para piorar, o T-Cross que mais vende é o SE 1.0 de 113 bhp, com câmbio manual de seis marchas, e esse custa pouco menos de £21.000. Já o 1.5 só aparece nas configurações mais caras SEL ou R-Line. E, independentemente do conjunto mecânico, continua lá o interior do T-Cross com plásticos de aspeto simples e toque barato. Quem é que vai comprar isto?
Câmbio DSG e motor: onde a promessa perde força
“Tem mais alguma coisa de que não gostaste?”
Além de ficar restrito aos acabamentos superiores, o motor maior só pode vir com a transmissão DSG de sete marchas. Sim: nada de manual.
A DSG troca marchas de forma muito suave, mas, no modo automático, fica à procura da marcha mais alta o tempo todo e acaba por reduzir o efeito dos 35 bhp extra - sobretudo nas arrancadas.
Ao colocar o câmbio em modo Sport, ele segura uma marcha mais baixa, mas aí aparece outro inconveniente: o quatro-cilindros faz mais barulho e não tem um som particularmente agradável. Pelo menos existe o modo manual, com borboletas atrás do volante, e aqui assumir o controlo é o melhor caminho.
Pontos positivos: conforto, comportamento e equipamento
“Tem de haver alguma coisa boa, certo?”
Sendo justo, o T-Cross tem uma rodagem razoavelmente boa em comparação com os concorrentes. Não é o mais macio em pisos muito irregulares, mas é bem controlado e também contorna curvas com competência. E não há ruído de rodagem em excesso, apesar das rodas de liga leve ‘Nevada’ de 18 polegadas que vêm no R-Line.
Como já foi dito, o habitáculo é amplo na frente e atrás (mesmo que a montagem e os materiais passem uma sensação económica) e o nível de tecnologia é generoso. Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, controlo de cruzeiro adaptativo, faróis em LED e uma central multimídia de 8 polegadas são itens de série. Pelo preço, também faltava serem opcionais, não é? E, para repetir para quem está lá atrás: compre o Polo.
5/10
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