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Para proteger seu núcleo, Porsche fecha três filiais e corta 500 postos

Carro esportivo elétrico prata estacionado em showroom moderno com piso branco e bicicletas ao fundo.

Em tempos de aperto, até marcas que parecem “à prova de crise” voltam ao básico. A Porsche decidiu fazer um corte profundo: vai encerrar três filiais - incluindo a de bicicletas elétricas - e eliminar 500 postos de trabalho. Com a rentabilidade em queda, a empresa de Stuttgart coloca a diversificação em espera para proteger o que sustenta o negócio.

E isso acontece no meio de um abalo que ainda não dá trégua na indústria automotiva alemã. Enquanto a Volkswagen enfrenta uma turbulência inédita, com ameaças de fechamento de fábricas históricas, sua joia de luxo, a Porsche, agora parte para medidas duras.

O recado é direto: a marca vai encerrar as atividades de três unidades consideradas estratégicas, o que leva à demissão de mais de 500 trabalhadores. A primeira a sentir o golpe é a Porsche eBike Performance GmbH, criada para transformar a Porsche em referência global de mobilidade elétrica sobre duas rodas. Com um mercado de e-bikes saturado e custos de desenvolvimento altos demais, a montadora puxa o freio. As unidades de produção e P&D em Ottobrunn, na Alemanha, e depois em Zagreb, na Croácia, serão fechadas, afetando sozinhas 360 funcionários.

A Porsche também desliga a Cetitec, especializada em softwares de comunicação em rede, e a Cellforce Group, voltada a células de baterias de alta performance. “Precisamos nos recentrar no nosso core business. É a base indispensável para um realinhamento estratégico bem-sucedido. Isso nos obriga a cortes dolorosos, inclusive nas nossas filiais”, comenta Michael Leiters, CEO da empresa.

Essa guinada de 180 graus sinaliza o fracasso - ao menos por enquanto - da estratégia de mobilidade global que a Porsche vendia a investidores durante o IPO em 2022. Na prática, o momento não é de conquistar novos segmentos, mas de blindar as fundações.

Um recuo tático para salvar as margens

Porque, em setembro passado, a saída da Porsche do DAX já soava como um alerta forte. Com a margem operacional caindo para 2% em 2025, o fabricante perdeu fôlego para bancar projetos paralelos. A venda de sua participação na Bugatti-Rimac no fim do ano passado segue a mesma lógica, pois permitiu recuperar um valor estimado em mais de US$ 500 milhões.

Uma injeção de caixa essencial para absorver os € 3,1 bilhões em custos ligados ao plano de reorientação: abrir mão do futuro distante para proteger ícones rentáveis, como o 911 e o Cayenne, cujas versões a combustão e híbridas terão vida mais longa.

Nossa análise

A Porsche é especialmente vulnerável às tarifas impostas por Donald Trump, já que não tem nenhuma fábrica nos Estados Unidos - seu principal mercado. Some a isso uma desaceleração forte da demanda na China, junto de um mercado de elétricos que está perdendo ritmo, e o resultado é uma montadora forçada a se recolher ao próprio DNA.

Ao reintegrar suas atividades de software e cortar ramificações periféricas, a Porsche tenta voltar a ser uma fabricante de luxo mais “pura”, com foco na rentabilidade imediata.

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