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“Grande Cometa de Páscoa” C/2026 A1 (MAPS) de 0,4 km não resistiu a temperaturas extremas e gravidade

Ilustração de satélite observando explosão solar intensa com Terra ao fundo no espaço.

A cometa C/2026 A1 (MAPS), apelidada de "Grande Cometa de Páscoa", se desintegrou em 4 de abril, poucas horas antes de atingir o ponto de maior aproximação do Sol (periélio). O desfecho não pegou os astrónomos de surpresa, já que a MAPS era uma cometa rasante do grupo de Kreutz - objetos que muito provavelmente são fragmentos deixados pela quebra de uma cometa muito maior que passou perto do Sol há cerca de mil anos.

Família de Kreutz: por que a destruição era esperada

A maior parte desses fragmentos também não sobrevive quando se aproxima do Sol. Apenas alguns casos, como as Grandes Cometas de 1843 e 1882 e a cometa Ikeya-Seki de 1965, escaparam da destruição total - principalmente porque tinham núcleos muito maiores.

Descoberta da C/2026 A1 (MAPS) e o tamanho real do núcleo

A MAPS foi descoberta em janeiro e, no início, chegou a ser tratada como um corpo grande. Mais tarde, porém, análises indicaram que a detecção precoce ocorreu graças ao avanço da tecnologia de observação, e não por causa do tamanho da cometa.

As primeiras observações com um telescópio no Chile mostraram que ela era extremamente ténue. Em seguida, dados do telescópio James Webb confirmaram que o núcleo era invulgarmente pequeno - com apenas cerca de 0,4 quilómetro de diâmetro.

Aproximação do Sol: brilho, observações e o fim em poeira

Em 4 de abril, estava previsto que a cometa passasse a apenas 160 000 quilómetros da superfície do Sol, o que tornava a chance de sobrevivência extremamente baixa. A expectativa era que ela se desfizesse por completo ou, no máximo, deixasse um rasto de poeira, como ocorreu com a cometa Lovejoy em 2011.

No dia da aproximação, a MAPS foi acompanhada pela observatória SOHO e pelo satélite GOES 19. As câmaras registaram o aumento de brilho, que chegou à magnitude -1, um valor comparável ao brilho da estrela Sírius. Pouco depois, contudo, a cometa deixou de apresentar um núcleo visível e passou a parecer apenas uma faixa de poeira. Ao anoitecer de 4 de abril, restava somente uma nuvem de poeira, que se dissipou rapidamente.

A "Grande Cometa de Páscoa" não conseguiu suportar as condições extremas nas proximidades do Sol. O seu núcleo, arrefecido a uma temperatura próxima do zero absoluto, foi exposto a mais de 3000 °C. Essa mudança brusca, somada às forças gravitacionais intensas, acabou por levar à sua fragmentação.

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