A Força Aérea Brasileira (FAB) avalia que a encomenda atual de 36 caças SAAB F-39E/F Gripen não atende, por si só, às exigências da defesa aérea do Brasil.
FAB aponta 66 caças como número ideal de F-39 Gripen
Em informações remetidas pelo Ministério da Defesa à Câmara dos Deputados, a Aeronáutica indica que uma frota de 66 aeronaves seria a quantidade considerada ideal para cumprir as necessidades operacionais. Por essa razão, existe a intenção de adquirir novos lotes do caça sueco no futuro.
Esse total já era tratado como o “mínimo ideal” ainda no começo do projeto F-X, que depois se tornou o FX-2 - um processo descrito como uma novela de mais de 15 anos até a definição do caça.
A menção consta de resposta oficial encaminhada em 2 de julho ao deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Pagamentos do contrato e cronograma de entregas do SAAB F-39E/F Gripen
No documento, a FAB relata que já foram pagos 28,7 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 3 bilhões) no programa de aquisição do Gripen. Permanecem 14,18 bilhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 1,47 bilhão) a serem quitados até o encerramento do contrato atualmente em vigor.
Até agora, dez aeronaves F-39E Gripen já foram entregues à FAB. As 26 restantes previstas no acordo deverão entrar em serviço de forma gradual até 2032, com produção tanto no Brasil quanto na Suécia, incluindo a variante de dois lugares, o F-39F biplace.
Substituição dos A-1 (Embraer AMX) e ausência de caça de transição
A Aeronáutica também confirmou que o planejamento de longo prazo contempla substituir os caças A-1 (Embraer AMX) por novos exemplares do Gripen. Segundo o Comando da Aeronáutica, neste momento não está em avaliação a compra de uma aeronave de transição para recompor essa capacidade - possibilidade que havia sido escupelada pela própria FAB e, entre as alternativas, apareciam caças usados F-16C/D ou JAS-39C/D Gripen de geração passada, ou ainda um avião menor, porém novo de fábrica, como o Leonardo M-346 Master.
De acordo com a resposta enviada ao parlamentar, consultas feitas pela FAB no mercado internacional indicaram que o quadro geopolítico atual e os conflitos em curso diminuíram a oferta de aeronaves de combate com pronta entrega em curto prazo, inclusive os próprios JAS-39C/D que serão repassados à Ucrânia. Conforme a Aeronáutica, não foram encontradas opções que, ao mesmo tempo, entreguem capacidades operacionais atualizadas, simplicidade de manutenção e um custo considerado vantajoso.
Diante desse cenário, a intenção da Força Aérea Brasileira segue focada em ampliar a frota de F-39 Gripen, modelo que deverá ganhar, gradualmente, um papel cada vez mais relevante na defesa do espaço aéreo nacional, substituindo ao mesmo tempo os F-5E/FM Tiger II, o AMX e a lacuna deixada pelo Mirage 2000.
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