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Portugal com 11,4 milhões em 2025: INE, imigração e crescimento populacional

Quatro pessoas sentadas em mesa ao ar livre discutindo documentos com gráfico, com bonde amarelo ao fundo.

Novas estimativas do INE e a virada demográfica

O Instituto Nacional de Estatística (INE) passa a calcular que, em 2025, viviam em Portugal 11,4 milhões de pessoas: 9,8 milhões de nacionais e 1,6 milhões de estrangeiros.

Esse resultado indica que o crescimento populacional recente não só se confirmou como ganhou força. Há 20 anos, o próprio INE projetava uma queda acentuada, que nos colocaria bem abaixo de 10 milhões por volta de meados deste século (e abaixo de nove milhões no cenário mais desfavorável). Com o novo ciclo de alta, o horizonte deixa de ser tão pessimista: haverá mais gente trabalhando, mais riqueza sendo gerada e mais filhos, pais, avós e netos para se apoiarem mutuamente.

Migração e saldo natural: por que a população cresce

O saldo natural segue negativo - morrem mais pessoas do que nascem. Quem compensa essa diferença é o saldo migratório - entra mais gente do que sai do país. Ninguém deveria imaginar que, com as taxas atuais de fertilidade, a população portuguesa consiga sequer se manter sem imigração.

A mudança foi rápida demais e os números são altos demais? É preciso colocar em perspectiva. Nesse tema, como em tantos outros, Portugal chegou mais tarde - mas com intensidade - ao padrão da Europa ocidental. E, como os fluxos migratórios são sobretudo guiados por motivos econômicos, as centenas de milhares de estrangeiros que chegaram responderam às necessidades do mercado de trabalho, contribuindo de modo relevante para a economia e para a sustentabilidade da segurança social. Além disso, ajudam a rejuvenescer a população, outro desafio inevitável.

Cautela com os dados e com as séries estatísticas

Ainda assim, é indispensável usar esses dados com prudência. O INE revisou agora de forma substancial estimativas anteriores produzidas pelo próprio instituto, que estavam incorretas - e foi o INE, não um Governo, que fez a correção. Além disso, quando se aplica um novo método de observação e cálculo, inaugura-se uma nova série estatística, e qualquer comparação direta com os números anteriores se torna indevida.

A revisão também afetará os indicadores de emprego e de riqueza, que serão recalculados; os novos valores serão publicados em 2027. Como já ocorreu antes, é razoável esperar revisões para cima, em especial no Produto Interno Bruto, mas só haverá certeza dentro de alguns meses.

Cidadãos estrangeiros, CPLP e pressão sobre os serviços públicos

Com a prudência necessária, vale observar de perto o aumento do número de cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, sendo 36% deles brasileiros e mais da metade oriunda de países de língua portuguesa.

Faço essa ênfase porque ela corresponde a uma opção política assumida pelo presidente e pelo Governo em exercício à época e amplamente respaldada no Parlamento (com o voto de todos os partidos do arco constitucional). Tratou-se de favorecer a mobilidade de pessoas dentro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, valorizando a língua como elemento de integração.

É evidente que esse aumento (talvez mais 800 mil pessoas entre 2021 e 2025) pressiona os serviços públicos. Isso é verdade. Mas, em primeiro lugar, os imigrantes são consideravelmente mais jovens do que a população em geral e, em sua esmagadora maioria, estão empregados, o que reduz a pressão sobre algumas funções essenciais do Estado de bem-estar social (como a proteção na velhice ou no desemprego). Em segundo lugar, essa nova demanda devolveu movimento a serviços públicos cujo principal problema era a falta de usuários - por exemplo, escolas do ensino básico ou maternidades (e também, convém não esquecer, muitos institutos politécnicos do interior).

Por fim, as áreas sob maior pressão (como o Serviço Nacional de Saúde, os cuidados com idosos e o mercado habitacional) enfrentam problemas estruturais que não podem ser atribuídos, nem de modo exclusivo nem predominantemente, à imigração; ao contrário, parte dos recursos humanos de que precisam para responder a esses problemas vem justamente dela - nas enfermarias e nos lares, assim como nos canteiros de obras.

Daria para ter preparado melhor as políticas públicas para a realidade atual? Sem dúvida, e uma análise rigorosa exigiria outro artigo. Mas é fundamental não perder de vista o essencial: se hoje somos mais de 11 milhões, isso é positivo para a demografia, a economia e a sociedade portuguesa.

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