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Baixa libido e falta de desejo sexual: sinais do corpo que merecem atenção

Mulher com dor abdominal segurando remédios consulta médica com doutora em consultório.

A falta de desejo sexual ainda é um tema cercado por tabus. Não é raro que muitas mulheres atribuam a queda da libido apenas ao dia a dia corrido, ao desgaste do relacionamento ou ao avanço da idade. Esses elementos podem, sim, influenciar - mas nem sempre explicam o problema. Em diversas situações, o corpo sinaliza que há algo fora do equilíbrio.

Oscilações hormonais, estresse crónico, deficiência de vitaminas e minerais, uso de alguns medicamentos e até condições de saúde pouco notadas podem diminuir de forma importante o desejo sexual. De acordo com a ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca, a libido nasce do encontro entre fatores físicos, hormonais, emocionais e sociais.

“A libido não depende apenas da vontade. Ela sofre influência direta do funcionamento do organismo. Quando há um desequilíbrio hormonal, deficiência nutricional ou alguma doença, é comum que o desejo sexual diminua. Por isso, a mulher não deve encarar essa mudança como algo ‘normal’ ou simplesmente aceitar que faz parte da vida”, explica.

Hormônios exercem papel importante

Os hormônios estão diretamente ligados à resposta sexual feminina. Variações nos níveis de estrogénio, progesterona e testosterona podem interferir no desejo, na lubrificação vaginal e até no prazer durante as relações. Esse tipo de mudança pode aparecer em diferentes momentos, como no pós-parto, durante a amamentação, na transição para a menopausa ou como consequência de algumas doenças.

“Cada fase da vida traz mudanças hormonais naturais, mas isso não significa que toda perda de libido deva ser considerada inevitável. Muitas vezes existem formas de investigar a causa e melhorar a qualidade de vida da paciente”, afirma a Dra. Ana Paula Fonseca.

O estresse pode afetar o desejo

Quando a pessoa vive sob estresse constante, o organismo tende a concentrar energia nas funções consideradas essenciais. Nessa condição, a elevação persistente do cortisol pode reduzir o interesse sexual, atrapalhar o sono, aumentar o cansaço e derrubar a disposição.

Além disso, ansiedade e excesso de carga emocional frequentemente repercutem na saúde sexual. “Uma mulher que dorme mal, trabalha sob pressão e vive exausta dificilmente terá energia para a vida sexual. O cuidado com a saúde mental também faz parte da avaliação da libido”, ressalta a médica.

Alguns medicamentos podem interferir

Alguns medicamentos têm como possível efeito colateral a redução do desejo sexual. Entre os exemplos estão certos antidepressivos, anticoncepcionais hormonais, anti-hipertensivos e remédios utilizados em outras condições crónicas.

Isso, porém, não é motivo para interromper o tratamento por conta própria. “Sempre que houver suspeita de que um medicamento esteja influenciando a libido, a paciente deve conversar com o médico. Muitas vezes é possível ajustar a medicação ou buscar alternativas seguras”, orienta a Dra. Ana Paula Fonseca.

Deficiência de nutrientes também merece atenção

A deficiência de ferro pode desencadear anemia e provocar sinais como cansaço, fraqueza e menor disposição física - fatores que também acabam repercutindo na vida sexual. “Quando a paciente apresenta baixa libido acompanhada de fadiga, queda de cabelo ou indisposição constante, vale investigar possíveis deficiências nutricionais. O tratamento deve ser individualizado e baseado em exames clínicos”, alerta a ginecologista.

Quando procurar ajuda?

A redução do desejo sexual merece uma avaliação mais cuidadosa, sobretudo quando se mantém por vários meses, causa sofrimento, afeta a qualidade de vida ou aparece junto de outros sintomas, como alterações menstruais, dor durante a relação, secura vaginal ou cansaço excessivo.

Conforme a especialista, o primeiro passo é evitar a automedicação e procurar uma avaliação médica completa. “Não existe uma única causa para a baixa libido. Cada mulher possui uma história clínica, um contexto hormonal e um estilo de vida diferentes. Por isso, o tratamento precisa ser personalizado e direcionado ao que realmente está provocando essa redução do desejo”.

Libido também é um indicador de saúde

Para além do impacto na vida sexual, a perda persistente do desejo pode funcionar como um aviso de que o organismo precisa de atenção. Buscar a origem do problema ajuda não só a recuperar a libido, como também a identificar precocemente alterações hormonais, deficiências nutricionais e outras condições que influenciam a saúde de modo geral.

“A libido faz parte da saúde feminina. Quando ela diminui de forma persistente, não devemos tratar isso apenas como uma questão comportamental. Muitas vezes, o corpo está tentando comunicar que algo precisa ser investigado. Ouvir esses sinais é um passo importante para promover bem-estar e qualidade de vida”, conclui a Dra. Ana Paula Fonseca.

Por Daiane Bombarda

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