Pular para o conteúdo

2024 Ford Raptor R: a picape mais feroz da Ford

Picape preta Ford Raptor em suspensão saltando sobre terreno arenoso em área deserta.

Que diabos de coisa de Jurassic Park é essa?

Este é o Ford Raptor R 2024, a edição mais recente da picape mais selvagem do estábulo de desempenho da Ford. Os “cientistas malucos” de Dearborn mexeram mais um pouco no DNA do F-150 para transformar este Raptor no mais potente de todos até agora.

Até onde dá para aumentar a potência desse bicho?

Pelo visto, pelo menos mais 20 hp. O V8 5,2 litros com compressor sob o capô agora entrega 720 hp e 868 N·m de torque, mandando força para as quatro rodas por meio de um câmbio automático de 10 marchas. E aí vem a pergunta inevitável: que diferença fazem 20 hp a mais? Pode perguntar, vai.

Que diferença esses 20 hp extras fazem?

Boa pergunta. Em cima de um patamar já bem parrudo de 700 hp, acrescentar mais 20 é como colocar mais uma voz num coral grande e barulhento - na prática, é difícil separar esta versão da do ano passado quando o assunto é potência pura.

Então por que se dar ao trabalho? A Ford diria que, se existe margem para melhorar, não há motivo para não aproveitar. No fim, desempenho é a soma de avanços pequenos, e se as melhorias na admissão de ar permitem ganhar 20 cavalos, por que não pegar? Ainda assim, temos a impressão de que havia um incentivo extra por trás dessa decisão.

Aposto que tem a ver com outra picape com nome de dinossauro.

É exatamente o que estamos pensando. Claro, é pura especulação, mas tudo indica que esse salto de potência também serve, ainda que um pouco, como um recado final para a Ram 1500 TRX.

Resumindo: desde que apareceu em 2009, a Raptor foi a campeã indiscutível do título de picape mais potente - uma história que perdeu um pouco do brilho quando a marca tirou o V8 e adotou um V6 EcoBoost na segunda geração. A Stellantis aproveitou a brecha para agradar quem é fã de cilindrada grande e potência sem pudor, criando a TRX: uma 1500 com motor HEMI V8 6,2 litros supercharger, capaz de gerar 702 hp.

A TRX (ou T-Rex) nunca tentou ser discreta na missão de “devorar” a Raptor, e a Ford entendeu o recado. A resposta veio com a Raptor R, que trouxe o V8 de volta e, junto com ele, 700 hp. Agora, com o ciclo de produção curto da TRX chegando ao fim, esses 20 hp adicionais na nova Raptor parecem a Ford garantindo vantagem nos números enquanto a rival ainda conta como concorrente.

Interessante. Então do que a Raptor R realmente é capaz?

De bastante coisa. Sabe aquela frase “se tudo o que você tem é um martelo, todo problema parece um prego”? Pois a Raptor é uma marreta de 720 hp, abrindo caminho na base da força sobrealimentada. Duna grande? Joga potência. Terreno ruim? Potência nele. Morro de pedra para vencer? Pra que delicadeza - manda mais potência!

Mas ela não é só bruta, né?

Você tem razão - a gente está brincando só pela metade. Embora muitos desafios de travessia simplesmente desapareçam com o pé pesado, a Raptor não se resume a músculo.

Por mais que o motor roube a cena, sem a engenharia embaixo dela a potência não serviria de muita coisa. Partindo da estrutura já resistente do F-150, a Raptor R traz suspensão dianteira de duplo braço (double wishbone) e traseira com molas helicoidais e arranjo tipo fink-link. O conjunto é assistido por amortecedores de competição da FOX, chamados de amortecedores de válvula dupla ativa, que melhoram o controle de retorno em relação ao jogo anterior.

Tudo isso trabalha junto com o módulo de controlo do deserto da Ford: um computador esperto que sabe que os motoristas vão sacudir e pular no off-road, e tenta reduzir o castigo para quem está na cabine.

E como ela se sai como a “picape do deserto” que diz ser?

Ela dá conta, pode ficar tranquilo. Com o hardware certo para encarar o abuso, a Raptor também oferece o modo Baja, que basicamente combina o modo Sport do F-150 com o modo de terreno off-road - só que ajustado para pisos ruins com uma postura bem mais agressiva.

Com espaço suficiente para brincar, a Raptor empolga ao cruzar uma trilha de deserto castigada pelo sol a cerca de 161 km/h. Ainda exige trabalho manter a picape apontada em linha reta quando ela começa a escorregar de lado, tentando fazer os pneus todo-terreno de 94 cm (equivalentes a 37") encontrarem aderência onde dá, mas dá para perceber quando a parte de baixo entra em ação ajudando. Isso fica especialmente evidente - e útil - quando o terreno separa o curso vertical das rodas dianteiras e, mesmo assim, o sistema mantém a compostura.

Quando a situação obriga a diminuir o ritmo, ela consegue escalar com cuidado o que não dá para “destruir” na força, com a mesma destreza de uma F-150 Tremor, e também descer declives íngremes com suavidade, atravessar valetas, e ir “conversando” pelo areião profundo.

Ainda dá para fazer coisas normais de picape com ela?

Dá, sim. A Raptor R mantém a mesma cabine SuperCrew espaçosa do F-150, acomodando cinco pessoas com conforto, e leva atrás uma caçamba de 1,68 m (equivalente a 5,5 pés) para até 6.350 kg de carga. Ela também pode rebocar até 3.946 kg. E como vem recheada com toda a tecnologia do F-150 mais recente, a vida a bordo segue bem confortável entre um salto de duna e outro.

No asfalto, os pneus todo-terreno cobram o preço, mas o modo Sport faz a picape entregar tudo em menos de quatro segundos, com velocidade máxima limitada eletronicamente a 183 km/h - o que tira um pouco do entusiasmo, até você perceber que provavelmente é melhor assim.

Mas dá mesmo para saltar com ela?

Não se deixe enganar pelos quase 2.722 kg de massa: essa coisa voa. Pegue a rampa certa e ela atravessa o ar como um tijolo arremessado com raiva - só que aterrissa com uma delicadeza surpreendente. Na nossa tentativa, saindo de um morrinho perfeito para salto, começámos a 97 km/h, e o toque no chão pareceu como passar por uma lombada. A 113 km/h, aí a brincadeira ficou mais séria.

Quanto custa “aterrar” uma dessas na minha garagem?

O preço inicial para ter uma Raptor R é de US$ 77.980, sem certos acessórios ou taxas de entrega. E ainda tem o custo de alimentar o monstro, o que não dá para ignorar. A EPA estima consumo combinado de 12 mpg (cerca de 19,6 L/100 km), e isso sem considerar aventuras com acelerador cravado.

Dito isso, não existe hoje no mercado uma picape tão satisfatória. Tirando o nome “Raptor” da conversa, a sensação é a de ter um grande bicho pré-histórico como melhor amigo. Sim, ela tem um lado prático, mas aqui isso é secundário. Qualquer tempo gasto realmente trabalhando com a Raptor R poderia ser melhor aproveitado num leito de lago seco, acelerando sem dó até o sol se pôr.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário