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Primeiras impressões do protótipo Citroën DS3 Citroën Racing

Carro esportivo branco Citroën DS3 Racing em exposição dentro de showroom moderno.

Seb Loeb vinha dominando o WRC como poucos, com seis títulos seguidos e caminho aberto para o sétimo. Em tese, isso deveria carimbar no carro dele uma aura esportiva inquestionável, no nível dos Lancia, Subaru, Mitsubishi e Audi “apimentados” de outras eras. Só que, na prática, quem sonha com um Xsara 2.0 ou um C4 nervoso? Quase ninguém. A Citroën simplesmente não soube transformar os feitos épicos da sua divisão Racing em desejo de rua. Do jeito que foi, parecia que o Seb podia estar pilotando até um eletrodoméstico.

Mas isso começa a mudar: no ano que vem, o carro de rali será um DS3. E o DS3 não mexe só com os olhos - ele também dá aquela coceira nas mãos de quem gosta de dirigir. Então, a ideia de uma versão turbinada, temperada com “pó” de Citroën Racing, é motivo real para se animar. A gente andou num protótipo, antes de ele chegar às lojas na virada do ano. Foram só três voltas em pista, então leve estas impressões como preliminares.

O modelo final deve ficar bem próximo do conceito: detalhes em laranja na carroceria, rodas laranja e um splitter e extensões de carroceria em fibra de carbono de verdade. Por dentro, mais carbono real (apenas decorativo) e bancos enormes, do tipo que “abraçam” o corpo.

Ele usa o 1.6 turbo de injeção direta que já aparece em vários Citroën, Peugeot e também em Mini, mas retrabalhado para algo pouco acima de 200 bhp (cerca de 200 cv). A suspensão fica 15 mm mais baixa que a padrão, com molas mais firmes e novo acerto de amortecedores; a direção elétrica ganha outra calibração; e as novas rodas aumentam a bitola. Os discos de freio dianteiros crescem e passam a trabalhar com pinças de quatro pistões.

O resultado é desempenho de sobra e fácil: dá para sentir um ganho claro em todas as rotações, especialmente em alta. Há uma suavidade mínima de turbo na resposta do acelerador (não dá para chamar de lag), mas o carro emite um som civilizado e entrega torque de um jeito bem “cheio”, ideal para sair forte de curvas lentas ou fazer ultrapassagens.

Os eletrônicos do chassi ainda estavam em fase de ajuste, segundo me disseram - e, ao contrário do que costuma acontecer em lançamentos, pediram para eu manter o ESP desligado. Tudo bem. Mesmo sem essa ajuda, há bastante tração e uma dose bem gostosa de “brincadeira” no acerto: dá para aliviar o acelerador e fazer a traseira girar suavemente para contornar a curva. E os novos freios aparecem com muita presença.

Ainda assim, o conforto de rodagem não foi destruído. Na verdade, o carro todo parece bem mais civilizado do que o splitter de carbono, o painel com detalhes laranja e o nome Racing fariam imaginar. Não é um carro “quebra-coluna”. É como um DS3 150 normal com o desempenho no volume 11. Isso faz dele um carro que eu teria prazer em usar no dia a dia, mas - pelo pouco que deu para concluir nesse teste rápido - ele não é aquele hot hatch absurdamente preciso, para andar cravado no limite, como um Clio Cup. E vai custar consideravelmente mais. Sem a ajuda do nome do Sébastien, pode ser uma venda um pouco difícil.

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