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A Marinha da Coreia do Norte deve colocar em serviço em breve o Choe Hyon, o primeiro de seus novos destróieres de mísseis guiados. Trata-se de uma unidade de aproximadamente 5.000 toneladas, que Pyongyang apresenta como parte do esforço para dotar sua força naval de capacidades de ataque estratégico - incluindo a possibilidade de empregar armamentos com potencial capacidade nuclear. Segundo a NK News, veículos estatais norte-coreanos indicaram que o navio seria desdobrado por volta de meados de junho; ainda assim, como costuma ocorrer em anúncios do regime, suas capacidades reais precisam ser avaliadas com cautela até que existam evidências operacionais mais sólidas.
Nova classe Choe Hyon
Para contextualizar, o Choe Hyon foi exibido publicamente em abril de 2025, no estaleiro de Namo, durante uma cerimônia conduzida por Kim Jong-un. Desde então, tornou-se um dos programas navais mais acompanhados da Coreia do Norte. Avaliações internacionais apontam que o navio foi concebido como uma plataforma multipropósito, com aptidão para defesa antiaérea, guerra antissuperfície, guerra antissubmarino e ataque a alvos terrestres, reunindo um sistema de lançamento vertical de mísseis, radares de matriz fixa e diferentes meios de defesa de ponto. O líder norte-coreano também acompanhou testes de mísseis de cruzeiro a partir do navio, apresentando o avanço como parte de uma estratégia para desenvolver uma Marinha com capacidades nucleares.
Dimensões e possível configuração do destróier Choe Hyon
As estimativas sobre a configuração sugerem um destróier com 140 a 145 metros de comprimento, equipado com mais de um tipo de células de lançamento vertical e um conjunto de armas que pode incluir mísseis de cruzeiro, mísseis antiaéreos e, potencialmente, vetores balísticos ou de ataque terrestre com capacidade nuclear.
Sensores, VLS e armamento de ponto (conforme fontes abertas)
De acordo com fontes abertas, o Choe Hyon seria o primeiro navio de superfície norte-coreano equipado com radar de matriz em fase e sistemas de lançamento vertical de mísseis, além de um canhão naval principal, sistemas CIWS semelhantes ao Pantsir-ME russo, canhões automáticos de 30 mm e lançadores antinavio. Ainda assim, essas características seguem baseadas, em grande medida, em imagens oficiais, avaliações de especialistas e materiais divulgados por Pyongyang, de modo que o grau real de integração e prontidão permanece incerto.
Campanha de testes e demonstrações de armamentos navais
A possível incorporação do primeiro navio da classe Choe Hyon ocorre após uma sequência de testes usada por Pyongyang para exibir avanços em seus sistemas de armas navais. Em 2025, a imprensa norte-coreana noticiou disparos de mísseis de cruzeiro, lançamentos de mísseis antiaéreos e testes de artilharia embarcada. Já em março do ano corrente, o navio realizou novos lançamentos de mísseis, novamente sob supervisão do líder norte-coreano.
O futuro dos novos destróieres da Marinha
Apesar do impulso propagandístico, o programa carrega dúvidas e um histórico recente problemático. A segunda unidade da classe, identificada como Kang Kon, sofreu um acidente grave durante o lançamento ao mar em Chongjin, em maio de 2025 - episódio que chegou a ser reconhecido pela própria mídia estatal e que exigiu reparos antes de uma nova apresentação. O caso reforçou questionamentos sobre o nível de maturidade da indústria naval norte-coreana para produzir navios de grande porte com sistemas complexos, sobretudo em um país sob sanções e com acesso limitado a tecnologias navais modernas.
Limites operacionais e exposição a vigilância regional
Se a entrada em serviço realmente se confirmar em meados de junho, o Choe Hyon poderá se tornar a principal plataforma de superfície da Coreia do Norte e um símbolo da tentativa de Kim Jong-un de ampliar sua dissuasão para além dos mísseis terrestres e dos submarinos. Ainda assim, será necessário verificar se a embarcação consegue operar de forma sustentada, integrar sensores e armas em condições reais, navegar para longe de suas bases e manter missões prolongadas sem se tornar uma plataforma muito visível e vulnerável diante das capacidades de vigilância da Coreia do Sul, do Japão e dos Estados Unidos.
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