Projeto de demolição do Edifício Transparente
O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, declarou nesta segunda-feira que o projeto para a demolição do Edifício Transparente ainda está em fase de elaboração e que a definição de datas e prazos para a operação só deverá ser apresentada no “final do ano”.
“Estamos a trabalhar no projeto. Eu diria que é o tempo dos engenheiros, dos projetistas, dos arquitetos, olharem um pouco para aquela realidade e depois proporem-nos a solução técnica mais razoável e mais viável”, disse, nesta segunda-feira, Pedro Duarte.
Falando durante uma visita à Praia do Ourigo, o autarca considerou que ainda é “um pouco prematuro” avançar com um cronograma. Ainda assim, afirmou estar “a acelerar o mais possível” e adiantou que “talvez no final do ano” já tenha prazos mais concretos para apresentar.
Fundos, requalificação e “renaturalização” da praia
Também presente na visita, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, afirmou que a operação ainda depende da identificação de financiamento. Segundo ele, o objetivo passa por “requalificar aquela praia”, que “tem que ser “renaturalizada”.
A intervenção prevista inclui uma demolição parcial do edifício, mantendo apenas um piso ao nível do areal, destinado a funcionar como estrutura de apoio à prática balnear.
Origem do edifício e enquadramento do projeto
Localizado nas proximidades da Rotunda da Anémona, o Edifício Transparente foi erguido em 2001 no âmbito do projeto de prolongamento do Parque da Cidade até ao mar, concebido pelo arquiteto catalão Solà-Morales. A intervenção foi financiada pelo programa Polis e inserida no plano de obras da empresa promotora Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura.
Intervenção na Praia do Ourigo e remoção de estruturas degradadas
A visita desta segunda-feira ocorreu no contexto da remoção de estruturas degradadas de um bar na Praia do Ourigo, no Porto, trabalho que foi concluído em 4 de julho.
Pedro Duarte destacou a “conjugação de esforços, entre diferentes equipas, que permitiu que o Porto hoje seja uma cidade melhor do que era ontem”. Já Pimenta Machado explicou que, embora a intervenção estivesse prevista para 20 dias, foi possível terminá-la em apenas 10.
“Ela começou na véspera do São João e acabámos no dia 4 de Julho, uma obra muito rápida, [mais ainda assim] demorou um bocadinho mais. Sabem porquê? Porque encontrámos aqui um conjunto de seringas, 427 aliás, (...) o que obrigou a alguns cuidados do ponto de vista sanitário”, contou aos jornalistas o presidente da APA, defendendo que, por essa razão, a “pequena intervenção” acabou por ter um “grande impacto na cidade”.
Questionado sobre se o caso dessa estrutura levou a uma reflexão interna quanto a eventuais falhas de articulação entre entidades do Estado, Pimenta Machado respondeu que os diferentes organismos hoje estão mais coordenados e que se “aprende sempre”.
A estrutura de apoio de praia em concreto tinha recebido pareceres favoráveis de todas as entidades envolvidas, incluindo a APA, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) e a Direção Regional Cultura Norte. Mesmo assim, a obra estava em curso quando, em maio de 2021, o então ministro da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, anunciou a sua demolição.
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