O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, acusou nesta segunda-feira o ministro da Educação de ter criado um "clima de suspeição" sobre os professores e voltou a afirmar que Fernando Alexandre não reúne condições para seguir no cargo.
Pela primeira vez neste ano, os exames nacionais do ensino médio, feitos por 166 mil alunos, passaram a ser corrigidos em formato digital. No entanto, desde o começo o procedimento apresentou falhas técnicas, o que levou o Ministério da Educação a adiar prazos que estavam previstos inicialmente.
Encontro da Fenprof com o BE em Lisboa
José Feliciano Costa falou com a imprensa após receber, na sede da Federação Nacional dos Professores, em Lisboa, o coordenador do BE, José Manuel Pureza.
Críticas da Fenprof ao ministro da Educação Fernando Alexandre
O dirigente foi questionado sobre declarações do ministro da Educação feitas na manhã desta segunda-feira. Fernando Alexandre disse que equipes do ministério identificaram casos de professores com centenas de itens atribuídos e sem qualquer classificação realizada, além de situações em que não houve substituição a tempo, defendendo um novo modelo em que a classificação das provas seja contratualizada.
"Lançou um clima de suspeição em relação aos professores, [dizendo que] há professores que têm provas e que não as corrigem ou fazem um compasso de espera e que isso vai boicotando o processo. Mas isso também vem à imagem do que disse o primeiro-ministro, que já tinha lançado um clima de suspeição em relação aos professores, acusando-os de coisas parecidas com estas", criticou o responsável.
Na avaliação do secretário-geral da Fenprof, "isto é gravíssimo" e o responsável político pelas falhas registradas na qualificação digital dos exames nacionais é Fernando Alexandre, que, por isso, não deveria manter-se no posto.
Ainda segundo José Feliciano Costa, o ministro tentou, em uma coletiva de imprensa realizada no ministério nesta manhã, tratar como normal um procedimento que ele classificou como "caótico, por tudo o que percebemos ao longo destas semanas".
O dirigente enfatizou que, por causa dos problemas ocorridos, "milhares de professores trabalharam noite dentro, fins de semana, trabalharam muito para além daquilo que era expectável e do que era exigido, e, portanto, isso não é um processo com normalidade".
Pagamento de horas extras e impactos no calendário escolar
Ao ser perguntado sobre o pagamento de horas extraordinárias prometido aos docentes por esse esforço, o secretário-geral da Fenprof afirmou que ainda não sabe de que forma esse repasse será feito.
Sobre os possíveis efeitos para o trabalho dos professores do período especial anunciado hoje pelo ministro para alunos prejudicados por esse processo, previsto para ocorrer em setembro, José Feliciano Costa destacou que a segunda fase dos exames nacionais está prestes a começar, além dos pedidos de revisão das provas. Ele acrescentou que as escolas querem "resolver os problemas da preparação do próximo ano letivo" e que "deviam estar descansadas".
Por fim, o responsável disse que a Fenprof "estará atenta" para que nenhum aluno ou professor seja prejudicado nesse processo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário