Pular para o conteúdo

Rua das Flores no Porto: comércio tradicional e aluguéis em alta

Homem com mala observa vitrine de joalheria em rua de pedra com prédios antigos e flores nas janelas.

Rua das Flores, Porto: tradição e metro quadrado caro

A Rua das Flores é uma das vias comerciais mais emblemáticas da cidade do Porto. Durante muito tempo, foi vista como "o centro da ourivesaria portuense"; esse protagonismo diminuiu com os anos, mas a área segue entre as mais caras do país quando o assunto é varejo, com um dos valores de metro quadrado mais elevados. No dia a dia, lojistas tentam se manter abertos enquanto enfrentam aumentos contínuos nos aluguéis.

Quem caminha por essa rua marcante do Centro Histórico percebe que o perfil mudou. O comércio tradicional aparece cada vez menos, dando lugar a negócios de alimentação e pontos voltados a "souvenirs".

A era das ourivesarias na Rua das Flores

Fundada em 1859, a Ourivesaria Coutinho é um dos nomes históricos da Rua das Flores. Segundo contou ao JN uma das funcionárias, houve um período em que um dos lados da via era praticamente reservado a esse tipo de loja. "Esta rua chegou a ter 37 ourivesarias, todas deste lado, de modo a que o ouro brilhasse quando a luz do sol lhe batia", revelou Elisabete Nogueira.

Para guardar malas

Hoje, porém, a dinâmica é outra e, para Cátia Fernandes, também funcionária da Ourivesaria Coutinho, a transformação não trouxe vantagens. "As lojas estão voltadas para o turismo, especialmente as que retiraram lugar ao comércio tradicional. Por exemplo, tínhamos aqui ao lado um café antigo, que agora é uma zona para guardar malas", explicou. Ela acrescentou que a mudança no tipo de estabelecimentos "trouxe turistas com poder de compra, mas limitou o cliente português".

Na avaliação de Cátia, fica difícil entender como alguns negócios continuam de pé. "As rendas são cada vez maiores e, mesmo para aqueles que estão implementados há alguns anos, começa a tornar-se difícil cobrir o valor", desabafou.

Evelyn Silva, da Alcino Silversmith, diz ter a mesma impressão. "Sei que há uma loja aqui perto para a qual estão a pedir um valor absurdo de renda, perto de seis mil euros", destacou, afirmando que não entende como outros profissionais conseguem manter a atividade.

Se, para muitos, os preços praticados na Rua das Flores funcionam como uma barreira, houve quem encontrasse uma brecha para entrar na famosa artéria comercial. Vítor Costa e Elsa Duarte, por exemplo, são os donos da galeria Vimoc e acabaram se instalando ali quase por acaso.

Compreensão

"Visitámos 25 lojas, em vários locais, antes de optar por esta. Soubemos que este espaço estava disponível e falámos diretamente com o proprietário. Tivemos sorte de ele ter reconhecido o valor que o nosso espaço poderia trazer ao prédio e aceitou os montantes que podíamos pagar, significativamente inferiores ao que ele estava a pedir", relatou Elsa Duarte, ao JN.

Vítor Costa reforça que não se entende como "certos negócios subsistem". "Olhamos e não vemos o movimento que, à partida, seria necessário para chegar aos montantes pedidos. Além da renda, ainda há a luz, água, seguros e o próprio custo da área. As pessoas não fazem ideia do sacrifício que está por trás".


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário