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Copos reutilizáveis e caução em festivais: por que se acumulam em casa em Portugal

Homem derrama copos coloridos empilhados de armário na cozinha.

Portugueses estão montando verdadeiros “serviços” de copos de polipropileno em casa porque, em festivais, arraiais e outros eventos, nem sempre conseguem reaver a caução paga. A iniciativa surgiu com a promessa de diminuir o impacto ambiental, mas acabou estimulando coleções involuntárias. E, quando esses copos chegam ao fim da vida útil, muita gente não sabe o que fazer: eles não podem ser colocados em “nenhum ecoponto”.

Hugo Silva tem em casa perto de meia centena de copos reutilizáveis, escolhidos “a dedo” em eventos e festivais pelos quais passou. Rita Rosado acumula 21. Alexandre Moreira também guarda mais de duas dezenas - sem contar os que já doou. Sofia Cartó já passou de dez unidades. Em todos os casos, havia um custo associado: a caução, que dava acesso ao uso repetido durante o evento em que o copo foi comprado.

Enquanto algumas pessoas fazem questão de levar os modelos mais emblemáticos, o que acontece com a maioria é um acúmulo, euro a euro (valor médio de cada um), de conjuntos de copos de polipropileno (PP) dentro de casa. O motivo é simples: nem sempre dá para recuperar o depósito. Às vezes por regra do próprio evento; em outras, porque as filas para pedir o reembolso são tão grandes que, no fim da festa, vence o cansaço.

Quando chegam ao lar, esses copos acabam ganhando novas funções - até porque muitos consumidores reclamam que não conseguem usá-los em eventos posteriores. Assim, sobra o uso doméstico. “Cá em casa chamamos-lhe o serviço de campismo”, graceja Sofia Cartó, responsável de comunicação. O médico Hugo Silva separa os que mais gosta e os coloca em algumas comemorações. A geógrafa Rita Rosado e o arquiteto Alexandre Moreira recorrem a eles em “festas de amigos e piqueniques”. E há quem encontre outras utilidades, como transformá-los em porta-lápis ou em recipientes para a tinta das pinturas das crianças.

"Pagamos pelos copos para os usar, trazemos o bem para casa e ainda temos de ser nós, consumidores, a gerir o seu fim de vida", diz Susana Correia, jurista da DECO

A chegada dos copos reutilizáveis a festivais, arraiais e festas populares veio acompanhada de uma narrativa: reduzir o impacto ambiental, incentivar responsabilidade social, substituir plástico descartável e garantir novas utilizações por meio de um sistema de caução e devolução. Na prática, porém, uma parcela expressiva acaba esquecida em prateleiras e armários - e a alternativa corre o risco de, no fim, não ser tão “amiga do ambiente”.

“Pagamos pelos copos para os usar, trazemos o bem para casa e ainda temos de ser nós, consumidores, a gerir o seu fim de vida. Como resíduo, não é claro onde este tipo de reutilizáveis pode ser tratado”, alerta Susana Correia, jurista da DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

A Sociedade Ponto Verde (SPV) afirma que, depois de irem para as mãos do consumidor, esses copos “não vão para ecoponto nenhum”, já que “não são considerados embalagens”. Uma fonte oficial da SPV não indica uma alternativa para os consumidores e transfere a responsabilidade para quem encomenda os copos. O ecoponto amarelo recebe apenas os antigos copos de uso único.

Copos reutilizáveis "não vão para ecoponto nenhum" porque "não são considerados embalagens", informa fonte oficial da Sociedade Ponto Verde

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) não respondeu às perguntas até o fechamento desta edição. Já a DECO defende que devem ser atribuídas “responsabilidades aos produtores no descarte deste tipo de materiais quando se encontram em fim de vida”, pois são eles que têm acesso direto à cadeia de reciclagem do polipropileno. Enquanto isso não acontece, a associação recomenda que esses itens possam acabar no lixo comum, embora ressalte que a melhor saída é usar o copo o máximo possível para diminuir o impacto ambiental.

Sobre a pegada ambiental, a DECO divulgou, em 2024, que “os copos reutilizáveis de PP têm de ser utilizados pelos consumidores cerca de sete vezes para terem um impacto ambiental inferior ao seu equivalente descartável”. “Já no caso do PET [politereftalato de etileno], é necessário reutilizar cerca de nove vezes”, acrescenta. O cenário ideal é o copo permanecer no evento, com devolução da caução ao consumidor, e o recipiente ser lavado e reinserido no sistema - como previsto desde o começo.

As alegadas razões para recusar os copos

“A circunstância de devolver o copo e dar o dinheiro pago no início simplesmente não existe”, reclama Sofia Cartó. Rita Rosado diz que precisou “comprar um novo copo no último Kalorama porque não aceitavam o da edição anterior”. E relata justificativas variadas ouvidas de outras organizações: “Disseram-me que não podia usar o copo porque a medida não correspondia”. Alexandre Moreira complementa: “Ou porque era de outra marca de cerveja que não a patrocinadora desse evento”.

Ele conta ainda que, na última noite de Santo António, saiu de casa rumo ao arraial de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, “completamente artilhado” com um copo reutilizável com medidas identificadas - e mesmo assim ficou sem bebida. “Disseram-me: "Não posso servir nesse copo, são as regras do patrão, e aqui a cerveja já inclui o preço do copo"”. A bebida custou cinco euros e deixou uma dúvida. “Justificaram que podia ficar com o novo copo e que podia depois beber outra mais tarde no mesmo”, diz, acrescentando que em outros arraiais da cidade isso nem sempre funcionou assim.

A lei estabelece que, para uma embalagem ser classificada como reutilizável, ela precisa estar inserida em um sistema que incentive a reutilização, com estímulo ao depósito e penalização para quem não devolve para reuso. “Hoje, o que temos é uma estratégia de venda de copos”, observa a vice-presidente da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável. Para Susana Fonseca, “todos estes exemplos são práticas erradas que em nada contribuem para termos um Mundo mais sustentável, toda a gente quer, afinal, vender os seus copos”. “Primeiro, havia aquela história de que não podiam ser reusados porque não tinham medida, mas agora já têm e não há essa desculpa”, reforça.

"Primeiro, havia aquela história de que não podiam ser reusados porque não tinham medida, mas agora já têm e não há essa desculpa", lembra Susana Fonseca, da ZERO

Na avaliação da ZERO, “só há uma forma de reajustar isto, e é através da lei”. Recentemente, o coletivo de cidadãos Os 230 levou à Assembleia da República um pacote de propostas ambientais para festivais, que foi agendado para audição na Comissão de Ambiente e Energia. O partido Livre também apresentou um projeto de lei sobre copos reutilizáveis e pontos de água em festividades. “Os copos têm de integrar um verdadeiro sistema de reutilização e não pode ser recusada a utilização de exemplares trazidos pelos consumidores”, defende.

“Aqui, a aplicação da lei é o problema”, resume Joana Simões, coautora do projeto sobre critérios de sustentabilidade em espetáculos de natureza artística de Os 230. “A lei não está a ser aplicada e falta fiscalização. Falámos com a APA e está previsto que os copos possam ser higienizados em casa e levados para o evento. Não podem ser recusados com argumentos relacionados com higiene e segurança”, afirma.

Para Joana Simões, também falta informação ao público sobre os próprios direitos. “É preciso permitir que as pessoas levem os copos que já têm, mas isso não está a acontecer. Muitas vezes, os promotores também não disponibilizam mecanismos que permitam devolver o copo e recuperar a caução.” Ainda assim, diz que “por vezes, quando o consumidor insiste, acabam por aceitar”. E pede mudança de comportamento: “No Luxemburgo este sistema está implementado em todos os festivais, faz parte da cultura. Em Portugal ainda precisamos dessa mudança de mentalidade.”

"Portugal continua a não ser um bom aluno na reciclagem, na deposição de resíduos e na redução do recurso ao aterro, havendo várias metas que dificilmente serão cumpridas", afirma Joana Simões, do coletivo de cidadãos Os 230

“Já foi publicado um regulamento europeu, de aplicação direta nos Estados-membros, que estabelece regras para a reutilização de copos, utensílios e louça. Ainda assim, pode haver uma portaria ou outro diploma nacional que detalhe a execução da lei e clarifique responsabilidades de fiscalização”, argumenta. E recorda: “Portugal continua a não ser um bom aluno na reciclagem, na deposição de resíduos e na redução do recurso ao aterro, havendo várias metas que dificilmente serão cumpridas”.

“Até 2030, temos de reduzir 5% do total de embalagens que estávamos a usar, mas estamos em tendência contrária nos últimos anos, devíamos estar a reduzir a quantidade astronómica de resíduos em geral e de embalagens em particular”, alerta Susana Fonseca. Segundo o Eurostat, em 2018 Portugal gerou 172,82 quilos de embalagens por habitante/ano e, cinco anos depois, o indicador subiu para 184,2 quilos. A Europa também piorou: de 173,64 quilos em 2018 para 177,8 em 2023. Ou seja: a meta se distancia, e o prazo encurta.

Cada festival, a sua prática

NOS Alive e Primavera Sound dizem não trabalhar com devolução física com reembolso ou caução, mas apontam alternativas. No NOS Alive, a “saúde pública e o perigo de contaminação cruzada” justificam que, a cada ida ao bar, o copo reutilizável usado seja trocado por outro já higienizado; o anterior volta ao circuito após lavagem, relata Álvaro Covões. No fim, para evitar a “questão logística e as possíveis longas filas”, o fundador e diretor-geral da Everything Is New afirma que foi criado “um conjunto de depósitos de copos reutilizáveis que existem no recinto para as pessoas, que não o querem levar para casa, os colocarem”.

Esses copos, “com a Central de Cervejas, [são] tratados e higienizados, e os que estão bons voltam a ser reintroduzidos no sistema”, explica Álvaro Covões. Sobre a receita de devolução - a €1 cada - ele diz que o valor é doado a três instituições; neste ano, foram “a Casa do Artista, a Brigada do Mar e a Liga Portuguesa contra o Câncer”. As contas da edição mais recente ainda não estavam fechadas, mas, em 2025, garante que foram entregues 5926 euros a cada associação; em 2024, 8617 euros. “A diferença de valor deveu-se ao menor consumo”, justifica a organização.

No Primavera Sound, a aposta foi “um modelo focado na economia circular e na utilidade futura do copo”, em que o recipiente “passa a ser do utilizador, que pode levar para casa e trazer de volta no dia seguinte ou em edições futuras, mantendo o ciclo de reutilização ativo, sem necessidade de transações financeiras ao final da noite”, segundo fonte oficial.

No Rock in Rio, “os visitantes podem trazer os copos de casa desde que estejam dentro das especificações de segurança do evento e que possuam as marcações de volumetria”. A devolução fica a cargo do festival. “Incentivamos a que as pessoas reutilizem os seus copos, levem para casa como recordação e que utilizem noutras oportunidades. Para os que não pretendem fazer desta forma, temos a recolha e devolução nos nossos bares”, explica fonte oficial. Depois, “são lavados e retornam à operação nos outros dias de evento ou são guardados para serem utilizados na próxima edição”.

A meta, diz a organização, “é aumentar cada vez mais a taxa de refill e reutilização para ter de produzir menos a cada edição”. De acordo com dados do festival, na edição de 2026 foram produzidos 350 mil copos reutilizáveis, mais de 20% dos utilizados vinham de edições anteriores e mais de 60% das bebidas foram servidas em sistema de refill, evitando o desperdício de cerca de dez toneladas de plástico.

No universo dos festivais menores, o Bons Sons, que acontece de 6 a 9 de agosto, em Tomar, anunciou mudança de modelo. “Até agora devolvíamos a caução, mas isso criava grandes constrangimentos, sobretudo no último dia, e não estava a produzir o efeito desejado. As pessoas acabavam por comprar quatro ou cinco copos durante o festival ou levavam-nos como recordação. É preciso mudar essa mentalidade”, diz Pedro Ferreira, responsável pela sustentabilidade. Neste ano, será permitida a entrada de copos de 15 centilitros levados de casa. Quem não tiver poderá comprar um por um euro e meio.

“Não haverá devolução da caução. Haverá apenas venda, numa lógica de poluidor-pagador. Tanto nós como os festivaleiros temos de assumir responsabilidade pelo impacto que causamos”, afirma Pedro Ferreira. No entanto, depois do fechamento desta edição, a organização do Bons Sons informou que, neste ano e afinal, devolverá a caução quando solicitada.

O festival encomenda entre 10 mil e 13 mil copos por edição; cerca de três mil ficam no recinto. Nesta edição, a receita das vendas será destinada à transformação de um terreno da aldeia em área verde e parque infantil.

No festival Nascentes, em Fontes, Leiria, o desenho é outro. “Os participantes podem trazer copos de casa, de outros festivais ou de qualquer formato. Não é por haver mais ou menos dois centilitros numa bebida que o sistema deixa de funcionar”, afirma o diretor artístico, Gui Garrido. Quem precisar pode comprar um copo por um euro e se torna proprietário. Para músicos e equipes de produção, é entregue um cantil reutilizável, com possibilidade de devolução no fim. “Não vendemos garrafas de água nem latas”, destaca.

Pedem-se alterações

Representantes da DECO, da ZERO e do coletivo Os 230 convergem em um ponto: a necessidade de copos descaracterizados. “Um clube de futebol alemão que reutilizava copos nos jogos cometeu o erro de produzir exemplares com a cara dos jogadores. Naturalmente, deixaram de ser devolvidos porque as pessoas começaram a colecioná-los”, exemplifica Susana Fonseca. Joana Simões concorda: “Devem ser o menos atrativos possível, para incentivar a devolução e a recuperação da caução.”

A jurista da DECO defende ainda que a lei precisa impor regras uniformes, para aumentar a proteção do consumidor. Alexandre Moreira questiona por que não se fabricam copos “que apenas tragam a marcação das medidas, por exemplo 20 cl, 33 cl ou meio litro”.

O coletivo Os 230 adiciona outra demanda: pontos de água dentro dos recintos para permitir o enchimento de garrafas e copos reutilizáveis. Também propõe que, no âmbito do projeto e-Fatura, a impressão de recibos deixe de ser automática e fique disponível apenas para quem pedir.

Álvaro Covões concorda com essa necessidade. “Um simples café gera um talão com cerca de 30 centímetros, cheio de tinta, e ninguém parece preocupar-se com isso.” Ainda assim, ele defende que é preciso “uma visão verdadeiramente 360 graus” para o tema - inclusive com medições concretas dos recursos consumidos por toda a logística ligada aos copos reutilizáveis.

"Devem ser o menos atrativos possível, para incentivar a devolução e a recuperação da caução", defende Joana Simões

No Bons Sons, as preocupações ambientais avançam para outras frentes: uso de banheiros secos, estampagem dos copos em vez de impressão com tinta plástica - para não prejudicar a reciclagem - e adoção de exemplares com menor gramatura. Já o Nascentes passou a distribuir “biatakis”, cinzeiros feitos a partir de cana, uma espécie invasora, fechados com rolha e destinados a guardar bitucas. O Primavera Sound diz estar otimizando os processos de coleta, higienização industrial e reposição contínua dos copos, ao mesmo tempo em que reforça a comunicação para incentivar o público a levar reutilizáveis de casa.

600 copos reutilizados por semana

Desde novembro do ano passado, Lisboa tem máquinas que devolvem 50 cêntimos a quem entregar um copo reutilizável comprado em um bar participante. O projeto-piloto ainda está no começo: hoje há três máquinas em operação, de um total de 17 previstas, e dez parceiros aderentes usando o sistema CopoMais, desenvolvido com tecnologia da Tomra e inspirado no modelo nórdico.

“Quando arrancámos, em novembro, recuperávamos cerca de 140 copos por semana, o que era muito pouco”, lembra João Jalé. Agora, o número está em torno de 600 copos por semana, e a taxa de perda é de apenas 1% - as unidades que deixam de cumprir os critérios para voltar ao sistema. A meta é chegar a cerca de três milhões de embalagens por ano, algo como 58 mil por semana, por meio da parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e a associação representativa de bares e restaurantes.

"Já existam contactos [para o sistema de copos reutilizáveis na cidade] com Cascais, municípios do Norte e Faro", diz João Jalé, responsável pela operação CopoMais da Tomra

Sobre a durabilidade, João Jalé cita a cidade dinamarquesa de Aarhus. “Temos copos que já completaram 50 ciclos de utilização, quando bastariam seis ou sete para serem considerados ambientalmente sustentáveis. No total, já foram devolvidos cerca de dois milhões de copos”, afirma o responsável pela operação CopoMais da Tomra.

Em Portugal, “a prioridade é pôr Lisboa a funcionar”, embora já existam contatos com Cascais, municípios do Norte e Faro para iniciativas semelhantes. Em festivais, a tecnologia teria de ser outra. “Será necessário um sistema capaz de receber grandes quantidades de copos empilhados, exigindo uma interação mínima entre o utilizador e a máquina”, explica João Jalé, ao falar de uma tecnologia baseada em RFID. Segundo ele, houve conversas com o Rock in Rio e o MEO Kalorama. “Consideraram a solução interessante, mas estávamos demasiado perto das datas dos festivais e seria necessário utilizar copos diferentes.”

Sacos de pano, o problema da multiplicação

Se os copos já viraram um desafio ambiental, os sacos de pano de algodão - as populares tote bags - trazem um debate ainda mais complexo. Além de exigirem muito mais reutilizações para compensar a própria pegada, a multiplicação desses sacos ameaça se transformar em um novo problema. “A pegada é muito superior, a taxa de reciclagem continua a ser muito baixa e Portugal tem ainda um problema na recolha de têxteis”, resume Susana Correia.

Um estudo da DECO Proteste concluiu que um saco de algodão orgânico exige mais 30% de área de cultivo por quilograma produzido do que um saco de algodão convencional. Para ser ambientalmente mais vantajoso, um saco de algodão orgânico precisa ser reutilizado cerca de 149 vezes; no algodão convencional, cerca de 101. “Os sacos de poliéster acabam por ter uma pegada inferior. São mais leves e mais fáceis de transportar”, compara a jurista.

Mas não é só o material que entra na conta. “A proliferação também conta”, alerta Susana Fonseca. “Quanto maior a quantidade de sacos que cada pessoa acumula, menos vezes utiliza cada um deles e mais difícil se torna amortizar o impacto ambiental da sua produção.” Joana Simões concorda: “Fazemos avaliações de ciclo de vida, substituímos um produto por outro e nem sempre medimos corretamente os impactos ambientais da mudança. Às vezes, a solução pode ser contraproducente.”

Como reverter esse cenário? “Temos de nos habituar a recusar”, responde Susana Correia. “Se já temos sacos de pano suficientes em casa, devemos recusar brindes ou ofertas que sabemos, à partida, que dificilmente iremos utilizar.”

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