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CBO estima custo de US$ 23,4 bilhões para o primeiro encouraçado BBGN da classe Trump da Marinha dos EUA

Equipe de trabalhadores com capacetes brancos analisando planta e maquete de navio militar no porto ao entardecer.
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Um relatório recente divulgado pelo Congressional Budget Office (CBO) - órgão de fiscalização orçamentária do Congresso - aponta que o primeiro encouraçado da nova classe BBGN da Marinha dos Estados Unidos, chamada de forma extraoficial de classe Trump, deve custar US$ 23,4 bilhões, conforme as estimativas apresentadas.

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Segundo as projeções do CBO, a Marinha dos EUA pretende adquirir 15 BBGNs (Nuclear-Powered Guided Missile Battleships) entre 2028 e 2056, com custo médio unitário de US$ 18 bilhões. Considerando desenvolvimento e construção das 15 unidades dentro do cronograma proposto, o investimento total necessário chegaria a US$ 275 bilhões.

Em termos de calendário e custos, o documento detalha que a construção do primeiro navio da classe Trump, o Defiant (BBGN-1), teria início no ano fiscal de 2028 e alcançaria US$ 23,4 bilhões em valores de 2026. Para efeito de comparação, os porta-aviões nucleares da classe Ford - com uma unidade já em operação e três em construção - aparecem nas estimativas do CBO para o plano naval do ano fiscal de 2027 com custo unitário em torno de US$ 22 bilhões.

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De acordo com o relatório, os novos encouraçados BBGN deverão ter entre 840 e 880 pés (aproximadamente 256 a 268 m) de comprimento, 35.000 toneladas de deslocamento em plena carga e velocidade sustentada superior a 30 nós.

Cabe lembrar que, em maio deste ano, a Marinha confirmou no documento U.S. Navy’s Shipbuilding Plan 2026 que o encouraçado contará com propulsão nuclear. Como ressalta o CBO, “Se construído de acordo com essas especificações, o navio seria o maior combatente de superfície do mundo e maior do que qualquer combatente de superfície construído para a Marinha desde a Segunda Guerra Mundial. Seria mais de três vezes e meia maior que o destróier de mísseis guiados da classe Arleigh Burke e mais do que o dobro do tamanho do contratorpedeiro de mísseis guiados da classe Zumwalt […]”.

Na parte de armamentos, o BBGN-1 deve combinar capacidades antinavio, antiaéreas e de ataque terrestre e, ao que tudo indica, incorporar também mísseis de cruzeiro com capacidade nuclear. As primeiras estimativas citadas no material indicam 128 células do sistema de lançamento vertical Mark 41, superando a lotação dos cruzadores da classe Ticonderoga (122 células) e dos contratorpedeiros da classe Arleigh Burke (96 células).

Além disso, os novos encouraçados seriam equipados com quatro tubos lançadores para mísseis hipersônicos Conventional Prompt Strike (CPS), canhões, sistemas de despistamento, armas de energia dirigida e ofuscadores ópticos voltados a neutralizar sistemas aéreos não tripulados. O relatório do CBO afirma que “A Marinha declarou que o navio estaria equipado para transportar o míssil de cruzeiro lançado do mar com capacidade nuclear, ou SLCM-N.”

Desafios da construção do encouraçado da Marinha dos EUA

Um obstáculo relevante para viabilizar o BBGN-1 estaria associado à etapa de montagem final. Hoje, os estaleiros Bath Iron Works e Ingalls Shipbuilding mantêm múltiplos contratos plurianuais com a Marinha dos EUA para a construção dos contratorpedeiros da classe Arleigh Burke. O CBO registra que “Ambos os estaleiros possuem as instalações e a experiência técnica para construir um encouraçado de 35.000 toneladas, mas nenhum deles é certificado pela Marinha para realizar trabalhos relacionados à energia nuclear na construção naval”, e acrescenta que eles “enfrentam desafios para entregar destróieres dentro do prazo […]”. Diante desse quadro, o Newport News Shipbuilding surge como possível destino para assumir os trabalhos de montagem final do navio.

Encouraçados da classe Trump

No âmbito do programa BBGN, a Marinha dos EUA pode vir a comprar até 15 navios de propulsão nuclear entre 2028 e 2056, embora o total definitivo de unidades ainda não esteja fechado. O relatório descreve que o primeiro encouraçado começaria a ser construído em 2028 e seguiria por oito anos; a segunda unidade teria início em 2030, a terceira em 2031 e, depois disso, a intenção seria produzir uma unidade a cada dois anos até 2056. Ainda assim, com base no histórico recente de programas de construção de contratorpedeiros e de outros meios navais, o próprio cronograma tende a ser impactado por mudanças.

Nas contas do Congressional Budget Office, cada navio exigiria, em média, US$ 18 bilhões, e o esforço completo representaria US$ 275 bilhões. Para chegar ao custo estimado do primeiro encouraçado, o CBO se apoiou em três pressupostos: “…que o navio líder seria encomendado em 2028, conforme especificado nos documentos orçamentários da Marinha; que a Marinha compraria 15 navios e os construiria no ritmo previsto em seu plano de construção naval de 2027; e que um estaleiro realizaria a montagem final da embarcação, enquanto outros construiriam seções ou partes do navio.”

Programas navais da Marinha dos Estados Unidos

Conforme o plano de construção naval do ano fiscal de 2027, a Marinha dos EUA planeja reforçar a frota com novos combatentes de superfície. O relatório destaca que “…a Marinha compraria 72 navios desse tipo entre 2027 e 2056: 15 BBGNs e 57 contratorpedeiros* DDG-51 Flight III…”,* o que representa um salto expressivo em comparação ao plano de 2025, que previa 51 navios no total, incluindo “…23 DDG-51 e 28 DDG(X), uma nova classe de contratorpedeiros de mísseis guiados.”

Imagem de capa: Department of War.


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