A saída de meninas da prática esportiva na adolescência é o foco de uma nova ação da Fundação Decathlon no Brasil. A fundação abriu inscrições para o programa “Elas em Campo”, que vai direcionar R$ 1 milhão para organizações sociais voltadas exclusivamente ao desenvolvimento do futebol feminino para crianças e adolescentes de 6 a 18 anos.
A iniciativa chega enquanto o país se organiza para sediar, em 2027, o principal campeonato mundial de futebol feminino - e, pela primeira vez, em território brasileiro. À medida que o debate sobre o legado do torneio ganha força, entra em pauta também a necessidade de ampliar o acesso de meninas ao esporte, sobretudo em locais onde ainda existem barreiras para participar da modalidade.
Como funciona o programa “Elas em Campo” da Fundação Decathlon
Além do investimento financeiro, as entidades selecionadas terão acompanhamento da Fundação Decathlon por 12 meses. Esse suporte abrange a implementação, o monitoramento e a gestão da aplicação dos recursos destinados aos projetos.
Quem pode se inscrever no programa da Fundação Decathlon
Podem se candidatar organizações sem fins lucrativos com atuação comprovada em territórios vulneráveis. As propostas precisam atender apenas meninas e adolescentes de 6 a 18 anos, apresentar histórico de atuação e evidenciar potencial de impacto nas comunidades. As inscrições ficam abertas até 16 de agosto; basta acessar “aqui”.
O edital também dá preferência a iniciativas com participação de lideranças femininas. Outra exigência é que a organização esteja localizada a até duas horas de deslocamento de uma loja física da Decathlon, critério definido para facilitar a aproximação entre projetos, colaboradores da empresa e as comunidades atendidas.
Por que meninas abandonam o esporte - e o papel do futebol feminino
Dados da Unesco indicam que 49% das mulheres deixam de praticar esportes durante a adolescência. Para a Fundação Decathlon, esse quadro se conecta à falta de infraestrutura apropriada, à ausência de materiais esportivos específicos e de espaços dedicados à prática feminina, além de barreiras culturais que, historicamente, restringem a presença das mulheres no esporte - especialmente no futebol.
Essa desigualdade aparece já no início do contato com as modalidades. Uma pesquisa da Decathlon em parceria com a Consumoteca aponta que o futebol é a principal porta de entrada para a prática esportiva entre homens: 39% dizem ter começado pela modalidade na infância. Entre as mulheres, o índice é de 5%.
O estudo também destaca que, enquanto meninos tendem a começar em atividades coletivas, meninas são mais frequentemente encaminhadas para modalidades individuais, como dança, pilates e yoga. Segundo a pesquisa, essa diferença influencia as vivências de socialização e o acesso aos esportes coletivos desde os primeiros anos de vida.
Na avaliação da Fundação Decathlon, essa construção cultural ajuda a diminuir a presença feminina no futebol ainda na infância, reduzindo as chances de permanência na modalidade ao longo da adolescência.
Escola aparece como espaço para ampliar o acesso
A visão do público reforça a demanda por mais incentivo ao futebol feminino. Uma pesquisa da Offerwise mostra que 84% dos brasileiros acreditam que as escolas deveriam estimular mais a prática da modalidade entre meninas.
O levantamento aponta ainda que oito em cada dez entrevistados enxergam o futebol feminino como instrumento de transformação social, reforçando o entendimento de que o esporte pode ampliar oportunidades para crianças e adolescentes.
Segundo Emilie Langrené, líder da Fundação Decathlon no Brasil, o programa busca dar força a iniciativas que já atuam nos territórios atendidos e expandir a rede de apoio a meninas que jogam futebol. De acordo com ela, além do financiamento, a proposta pretende aproximar organizações sociais, lideranças locais, comunidades e colaboradores da empresa durante o desenvolvimento dos projetos.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário