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Uberaba e Peirópolis no Geoparque Uberaba – Terra de Gigantes

Pai e filho exploram escavação arqueológica infantil próxima a esqueleto de dinossauro em Peirópolis.

Se um estúdio de Hollywood resolvesse trazer a saga “Jurassic World” para um cenário brasileiro, seria difícil encontrar um lugar tão emblemático quanto Uberaba. Bem no coração da cidade, o visitante já dá de cara com um fóssil autêntico: dentro de uma caixa acrílica, está o úmero de um titanossauro, preservado na rocha matriz. A peça foi encontrada durante uma obra e hoje está exposta na entrada do complexo do Geosítio Santa Rita.

A poucos passos dali fica a Igreja de Santa Rita, erguida em 1854 e um dos cartões-postais locais. O prédio abriga o Museu de Arte Sacra, com um dos acervos religiosos mais relevantes da região. Há imagens, alfaias, documentos e peças barrocas dos séculos 18 e 19, que ajudam a reconstituir a trajetória da igreja católica e o processo de formação do município.

É esse encontro de tempos que faz de Uberaba um destino fora do comum. Em questão de minutos, dá para atravessar milhares de anos: sair de um conjunto arquitetónico do século 19 e chegar a um território que guarda evidências de animais que viveram há cerca de 80 milhões de anos.

Para o público infantil, o Geosítio Santa Rita também usa esculturas de filhotes de duas espécies para apresentar a história desses colossos. De um lado, o Abelissauro, um dinossauro carnívoro que podia chegar a cerca de oito metros de comprimento; de outro, o Titanossauro, grupo ao qual pertence o Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro já encontrado no Brasil. É um convite para seguir viagem até Peirópolis.

Peirópolis, um museu a céu aberto

Mas é ao deixar o centro histórico que a experiência muda de patamar. A cerca de 20 quilômetros de Uberaba, Peirópolis é um distrito rural que concentra o principal polo científico e turístico do geoparque. Réplicas gigantes de dinossauros dominam a paisagem onde paleontólogos fizeram algumas das descobertas mais marcantes da América do Sul - motivo pelo qual o lugar virou uma espécie de “Jurassic World brasileiro”.

Foi ali que tudo começou: em 1945, operários envolvidos na construção de um trecho ferroviário nas proximidades da estação de Mangabeira encontraram os primeiros fósseis da área. A partir dessa descoberta, o paleontólogo Llewellyn Ivor Price, então pesquisador do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), deu início a uma sequência de escavações que duraria quase três décadas e transformaria a história da paleontologia no país.

O esforço liderado por Price resultou, em 1991, na criação do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price e do Museu dos Dinossauros, ligado à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Atualmente, o complexo guarda milhares de fósseis e uma coleção técnica com quase quatro mil exemplares, incluindo dinossauros carnívoros e herbívoros, além de crocodilos, tartarugas, peixes, aves e icnofósseis - como ovos e coprólitos.

Um marco dessa história veio em 2004, durante as obras de duplicação da BR-050, quando investigadores localizaram centenas de fósseis do Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro já descoberto no Brasil. Esse titanossauro herbívoro ultrapassava 26 metros de comprimento e chegava a cerca de dez metros de altura, tornando-se um dos grandes símbolos do Geoparque Uberaba – Terra de Gigantes.

Para além das salas do museu, Peirópolis também convida a explorar ao ar livre. Nos Jardins dos Dinossauros, réplicas em tamanho real das espécies encontradas na região ajudam a visualizar a escala dos gigantes que habitaram o Triângulo Mineiro durante o período Cretáceo.

Caminhar entre essas estruturas ajuda a entender por que tantos visitantes associam o distrito ao universo de “Jurassic World”. A diferença decisiva é que, em Uberaba, o roteiro se apoia em descobertas científicas reais.

A paisagem onde os gigantes viveram

Outra forma de vivenciar o geoparque é com a Dino’s Tour, parceira oficial do Geoparque Uberaba, que organiza passeios pelos geosítios da região em veículos 4×4, UTVs e quadriciclos.

Com guias especializados, os participantes percorrem estradas de terra, antigas áreas de escavação, mirantes naturais e formações geológicas, enquanto conhecem detalhes sobre a evolução do Cerrado e as descobertas paleontológicas que deram projeção internacional a Uberaba.

Os itinerários são oferecidos em duas modalidades. O trajeto curto tem cerca de 25 minutos e inclui três paradas. Já o passeio completo dura aproximadamente 1h15 e passa por cinco pontos de visitação, incluindo antigos sítios de escavação, mirantes e uma cachoeira.

A ideia é reforçar que a história dos dinossauros não se resume aos fósseis em vitrines: ela também está na própria paisagem onde esses animais viveram há milhões de anos.

Também há a opção de alugar quadriciclos para duas ou quatro pessoas. Os passeios ocorrem aos sábados, domingos e feriados, sempre com acompanhamento de guia de turismo. Os valores variam de acordo com a capacidade do veículo - cerca de R$ 250 para modelos destinados a duas pessoas e R$ 450 para opções com capacidade para quatro passageiros.

Um território formado por diferentes histórias

Embora Peirópolis seja o rosto mais conhecido do Geoparque Uberaba Terra de Gigantes, a proposta do território reconhecido pela Unesco não se limita aos fósseis de dinossauros. Um geoparque é definido como uma rede de locais de interesse - os geosítios - que ajudam a compreender a formação geológica, a história e a relação das comunidades com esse espaço.

Em Uberaba, esses pontos iluminam diferentes fases da trajetória do município. Há áreas ligadas à pesquisa científica, locais que preservam registos da ocupação humana e espaços que mostram como a interação entre território e atividade económica contribuiu para construir a identidade da cidade.

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Outro elemento que distingue o Geoparque Uberaba Terra de Gigantes é a forma como a história natural se conecta à história construída pelas pessoas. A Rota do Zebu materializa essa ligação ao evidenciar o papel da pecuária zebuína na formação económica e cultural do município.

A chegada das raças zebuínas transformou Uberaba numa referência mundial em melhoramento genético de gado e estabeleceu uma relação profunda entre a cidade e o setor agropecuário. Esse percurso integra a identidade local e também compõe a narrativa do geoparque.

O jornalista viajou a convite da Latam Airlines Brasil, da Associação Geoparque Uberaba e da Prefeitura Municipal de Uberaba

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