A Associação de Estudantes da Escola Artística Soares dos Reis chamou a imprensa, com o suporte do SPN/FENPROF, para exigir que o Ministério da Educação seja responsabilizado pelos problemas registados. As duas estruturas também admitem que, diante do cenário, os prazos ligados ao acesso ao ensino superior possam acabar sendo empurrados para a frente.
Conferência de imprensa da Associação de Estudantes da Escola Artística Soares dos Reis e apoio do SPN/FENPROF
A iniciativa aconteceu nesta segunda-feira, poucos dias depois de começarem a ser publicadas as notas dos exames nacionais em listagens que, segundo os estudantes, vieram cheias de falhas e passaram por várias correções. O presidente da associação, Rui Rodrigues, disse que o que se viu foi um "caos" que "não foi um acaso".
Ao lado dele esteve Marta Cruz, dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN), ligado à FENPROF. Ela afirmou ter vindo "em solidariedade com os alunos" e também para dar respaldo aos professores classificadores, que, segundo descreveu, têm sido alvo de um "constante passa-culpas" por parte do Governo.
Problemas na classificação dos exames nacionais e risco para a credibilidade das notas
Marta Cruz afirmou que o sindicato vem reunindo depoimentos de docentes que se sentiram "insultados" com falas do ministro da Educação, do primeiro-ministro e de deputados da coligação. Entre os exemplos citados, mencionou itens que nunca chegaram à plataforma usada na correção, a ausência de folhas adicionais e provas em branco sem possibilidade de interpretação.
Segundo a dirigente, também há relatos de estudantes que recebem a prova em PDF "e a nota que lá está corresponde à nota que tinha tido na pauta, mas a prova não é dele", algo que, na avaliação dela, "põe em causa a credibilidade de todas as notas que estão afixadas".
Críticas ao custo de 25 euros
A sindicalista também questionou o valor de 25 euros cobrado para solicitar revisão de prova, dizendo que esse custo fica fora da realidade de muitas famílias "de salários baixos e emprego precário". Ao mesmo tempo, apontou que quem é favorecido por um erro de classificação não teria motivo para sinalizá-lo - e poderia, no processo de acesso ao ensino superior, passar à frente de colegas prejudicados.
Para Marta Cruz, isso amplia "claramente" a dimensão de classe associada aos exames, uma vez que estudantes com "dinheiro para explicadores e colégios" já largam em vantagem e, além disso, dispõem de mais recursos para bancar um pedido de revisão.
Atrasos na 2.ª fase e no acesso ao ensino superior
Do lado dos estudantes, Rui Rodrigues descreveu um quadro semelhante: "os estudantes foram dados datas que depois foram adiadas, tanto no que toca à segunda fase como à própria publicação dos exames nacionais", afirmou, destacando reflexos no período de férias de alunos e professores.
Para ele, mais importante do que simplesmente adiar datas é que o Governo assuma responsabilidades e esclareça questões que permanecem sem resposta. "como é que nós sabemos que a segunda fase vai correr, como o ministro diz, de maneira geral bem?", questionou.
Apesar de reconhecerem que não têm acesso a todos os dados do processo de entrada no ensino superior, ambos aceitam que pode ser inevitável alterar os prazos, inclusive levando a 2.ª fase para setembro. Ainda assim, como sintetizou Marta Cruz, o ponto central segue sem explicação: "o que não se compreende é como é que se deixa chegar a este ponto", com professores e funcionários trabalhando além do horário e tendo as férias negadas "por teimosia, por passa-culpas, para tentar salvar a face de um ministro que não tem quaisquer condições para se manter no cargo".
Por Isabella Mondaini
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